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Colunas — Ponto final

Intromissão

Rubem Amorese

Estamos todos apavorados com o mar de lama que assola o Brasil. A dona-de-casa diz que não confia mais. O filho dela acha que é preciso jogar uma bomba. O idoso diz que isso sempre foi assim, que basta conhecer a história do Brasil. A diferença é que agora temos uma imprensa que mostra as coisas e gente que denuncia, se não receber sua parte. 

Gente preocupada se pergunta em quem votar, pois aqueles em quem acreditavam, hoje estão cassados. Gente crente se põe de joelhos e ora pelo país. Gente ativa propõe ações pela cidadania. Gente politizada se apresenta como alternativa. Mas fala para gatos escaldados. A dona-de-casa olha desconfiada. O filho dela insiste na bomba. O idoso está com medo da polícia; comprou uma televisão nova para assistir à Copa e não sai mais de casa. 

Ao se encontrar, essa gente discute se o voto nulo em massa não seria um tapa com luva de pelica nessa corja; ninguém quer ser enganado de novo. Gente crente organiza semana nacional de jejum pela nação para retomar o país para Jesus. 

Gente do setor privado diz que nossos políticos não são resistentes à corrupção. Essas pessoas não se dão conta de que do outro lado da mesa estão elas próprias. Os políticos, por seu turno, reclamam do assédio de empresários e fornecedores, dizendo que já encontraram um esquema irresistível em andamento. 

Temos razão de estar apavorados. A dona-de-casa tem razão em desconfiar da própria sombra; o garoto já fala abertamente da bomba saneadora; e o idoso disfarça o desencanto e o antidepressivo, que toma escondido da família. 

E os bons? Tememos que sejam enlameados na próxima campanha política. Basta, por exemplo, contrariarem algum interesse da mídia. Esta não teme mais a punição. É capaz de desenhar chifres de demônio na foto de um cidadão e publicá-la para toda a nação. Impunemente. 

Estamos perdidos? Ainda não. Ainda dispomos do poder de Pentecostes, para subverter o mundo novamente: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1.8). Poder para lembrar ao apavorado que o mundo jaz no maligno. Poder para dissuadir o menino da radicalização e ensinar-lhe sobre amor ativo e cidadania construtiva. Poder para anunciar aos desanimados, empresários e políticos que Deus há de julgar os povos com justiça. 

Busquemos, do alto, poder para vencer nossa própria corrupção. Poder que nos vocacione, prepare e envie aos centros de decisão para prestar o serviço do sal e da luz, como estratégia missionária. Poder para se manter incorruptível. Poder para vencer o mal com o bem. 

É tempo de missão interna, de “intromissão”. De “Esteres” servindo a Deus nos palácios e “Mordecais” dando-lhes sustento. Símbolos do crente engajado e de sua igreja. 

Na escola, no condomínio, no almoxarifado, na prefeitura, na presidência, em todos esses lugares, decisões corretas ou escusas são tomadas, diariamente. São espaços para o serviço cristão genuíno, para intromissão. Sim, se ali houver um crente fiel, disposto a dizer, como Ester: “Jejuai por mim, [...] se perecer, pereci” (Et 4.15-16).

Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Icabode — da mente de Cristo à consciência moderna.
rubem@amorese.com.br

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