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Colunas — Ponto final

Só Cristo salva

Rubem Amorese

Houve um tempo em que li tudo de Paulo Freire, o famoso educador pernambucano, autor de Pedagogia do Oprimido, Ação Cultural para a Liberdade e Educação como Prática da Liberdade, entre outros. Na verdade, ainda sou seu admirador, pois acredito em muitas de suas idéias pedagógicas. Em especial, naquelas que propõem o universo existencial de cada aluno como temática para sua experiência conscientizadora. Substitui-se o adestramento “Ivo viu a uva” por desafios cognitivos a partir do cotidiano concreto do aluno.

Já faz muito tempo que estive estudando o assunto, mas lembro-me de certo inconformismo com um detalhe dessa proposta pedagógica: seu caráter “soteriológico”. Eu explico: As propostas de Paulo Freire eram tão inovadoras que, nas conversas e debates, passava-se a idéia de “salvação”. Ou seja, a conscientização teria o condão de elevar o oprimido a um novo patamar moral, agora liberto do jugo dos “senhores-de-engenho”, dos “capitães-mores” e seus sucessores modernos.

Embora compreendesse o poder dessa práxis pedagógica, que liberta da alienação e das amarras do saber domesticado, algo em minha formação bíblica me questionava se o oprimido, uma vez alforriado pela educação libertadora, teria interesse em mudar as regras do jogo de poder; se o funcionário explorado, chegando à condição de patrão, teria interesse em alterar o sistema de regras sob o qual padeceu; se a empregada doméstica trataria com maior respeito sua própria empregada; se o ex-menino de rua, tendo chegado à chefia do banco, seria mais sensível à condição de seus contínuos e serventes. Algo me dizia que “não necessariamente”; que a conscientização não teria esse poder. E se era assim, então, conquanto a conscientização pudesse libertar o oprimido das trevas da ignorância, não poderia mudar seu coração.

Tive de me calar, por ser voz destoante, “voto vencido”. No meio acadêmico não tem peso uma nota de rodapé citando Jeremias: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9).

Hoje, olho para a situação do nosso país, com os ex-oprimidos no poder; para as notícias dos jornais e recebo, pela internet, uma citação de Mikhail Bakunin (1814-1876): “Assim, [...] chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.” 

Quer dizer que sepultamos nossa última esperança? Acho que não. Resta-nos Jesus. Sempre soubemos — e vale lembrar — que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Só Jesus muda o coração e nos faz novas criaturas. Só Cristo salva. 


Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Icabode — da mente de Cristo à consciência moderna.
rubem@amorese.com.br

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