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Colunas — Entrevista

Marcos da Silva Amado - O fundamentalismo muçulmano (e de outras religiões) está em crescimento

O novo diretor executivo do Instituto Ibero-Americano de Estudos Transculturais diz que a Arábia Saudita já gastou 70 bilhões de dólares para promover a construção de mesquitas, escolas e centros islâmicos no mundo

Membro da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo, e doutorando em teologia, com especialidade em islamismo, na London School of Theology, o paulista Marcos da Silva Amado, 44 anos, casado com Rosângela Domingues Carvalho Amado e pai de dois filhos (Felipe, de 20 anos, e Priscila Yasmin, de 16), vai assumir em junho de 2006 a direção executiva do Instituto Ibero-Americano de Estudos Transculturais, em Granada, no Sul da Espanha. Fluente em árabe, inglês e espanhol, Marcos Amado tem grande conhecimento da segunda maior religião do mundo, pois viveu oito anos no Norte da África e foi presidente da PM Internacional, na Espanha, também por oito anos. Esta entrevista foi feita no Brasil, aproveitando a presença dele e da família no país.

Ultimato — O afegão Abdul Rhaman, 41 anos, pai de duas meninas de 13 e 14 anos, deixou o islamismo e se tornou cristão em 1990. Por isso, quase foi condenado à morte, em março de 2006, no Afeganistão, cuja constituição é baseada na Sharia. É verdade que a Sharia condena à morte aquele que rejeita o islamismo?
Marcos — A Sharia (que, em árabe, significa caminho) é o conjunto de leis que rege alguns países muçulmanos e que emana principalmente do Alcorão, do Hadith (coleção de livros com um longo registro das ações e palavras de Maomé, as quais, na sua maioria, não estão registradas no Alcorão) e do consenso dos eruditos islâmicos. Tanto o Alcorão como o Hadith contêm passagens contraditórias em relação ao tratamento que deve ser dispensado aos cristãos. No entanto, com freqüência os juízes dos países regidos pela Sharia condenam à morte muçulmanos que se convertem ao cristianismo. Mas nem sempre este é o caso. É importante ter em mente que muitos muçulmanos moderados são totalmente contra esse extremo.

Ultimato — O que você chama de fundamentalismo religioso?
Marcos — A palavra fundamentalismo foi usada pela primeira vez na década de 20 nos Estados Unidos para descrever os cristãos protestantes que, reagindo aos teólogos liberais, procuravam reafirmar suas crenças nos textos literais da Bíblia e nos fundamentos da crença cristã, incluindo o criacionismo. Com o passar do tempo, essa palavra passou a ser usada para caracterizar diferentes grupos religiosos que procuram fazer com que a religião tenha um papel central na vida do indivíduo e da sociedade. Esta definição pode ser aplicada tanto a cristãos como a muçulmanos, judeus, budistas etc. Karen Armstrong, uma das mais importantes especialistas nesse tema, em entrevista publicada pelo jornal inglês The Independent e reproduzida pela Folha de São Paulo de 26 de março de 2006, diz que “todo fundamentalismo é uma reação à modernidade secular e que todo movimento fundamentalista começou com uma tentativa de tirar Deus das margens às quais foi relegado nas sociedades seculares modernas e colocá-lo novamente no centro do palco”.

Ultimato — A expansão do islamismo desde o tempo de Maomé até o século 19 foi alcançado a ferro e fogo, certo?
Marcos — Sem dúvida. A história nos mostra que, desde o início, nos sexto e sétimo séculos, o islamismo, por ser uma religião missionária, conquistou, por meio dos seus exércitos, grandes áreas geográficas que, numa determinada época, incluíam países da Ásia, África e Europa.

Ultimato — Quando surgiu, o que é e o que pretende o Talibã?
Marcos — O Talibã foi criado em 1994. Inicialmente era um movimento sunita pequeno, estabelecido no Afeganistão. Era composto majoritariamente de afegãos que haviam estudado em escolas corânicas do Paquistão. Em 1996, esse grupo militante já era forte o suficiente para tomar o controle da capital, Kabul, com a aprovação da maioria da população. Seu propósito era estabelecer um Estado islâmico, que levaria à extinção da corrupção e à prevalência da justiça social, política e econômica. Como sabemos, não conseguiram.

Ultimato — Do lado muçulmano, existe algo como o Conselho Mundial de Igrejas, que busca a unidade de todos os cristãos?
Marcos — O que existe é a Umah. É uma palavra árabe que significa “comunidade” ou “nação” e é usada para expressar o ideal de unificação de todo o mundo muçulmano ou da comunidade de fiéis. No entanto, a Umah é um ideal, e não uma instituição.

Ultimato — Do lado cristão, existe algo como as madrasas?
Marcos — Creio que não. As madrasas são instituições religiosas muçulmanas que diariamente ensinam o Alcorão para crianças a partir de 5 e 6 anos; normalmente é ensinada uma visão mais radical do islamismo. Muitas dessas crianças, aos 10 anos de idade, já recitam o Alcorão completo de memória.

Ultimato — Como você explica o terrorismo islâmico?
Marcos — De forma resumida, podemos dizer que o terrorismo islâmico é o resultado de vários fatores: sociais, políticos, econômicos e religiosos. Como eu disse, o islamismo é uma religião missionária, e as facções mais extremistas dessa religião entendem que o Alcorão ordena aos muçulmanos que lutem contra os infiéis (incluindo os cristãos) até que todas as nações se submetam a Alá. Ao mesmo tempo, as condições sociais, econômicas e políticas dos dois últimos séculos permitiram que houvesse um crescimento acentuado na aceitação popular das idéias extremistas que levam ao terrorismo. Assim, temos uma lista de razões. Podemos citar, entre outras: o imperialismo ocidental nos séculos 19 e 20, que levou a um crescente sentimento de humilhação entre os muçulmanos; novas formas de imperialismo ocidental nos últimos anos; a falência de ideologias como comunismo, capitalismo e nacionalismo, originadas no Ocidente, que não funcionaram nos países muçulmanos e causaram crescente injustiça social; a criação do Estado de Israel, com o suporte dos governos ocidentais, e a violência cometida contra os palestinos desde 1948; a Guerra dos Seis Dias em 1967, na qual Israel derrotou países árabes e tomou o controle de Jerusalém, o que aumentou a humilhação; a presença de tropas estrangeiras (vistas pelos islamitas como infiéis, pagãs) na Arábia Saudita, onde os lugares islâmicos mais sagrados estão localizados, desde a Primeira Guerra do Golfo, em 1990; os governos autoritários dos países islâmicos, que são vistos por muitos muçulmanos como corruptos e aliados aos países ocidentais, conduzindo à negação dos valores islâmicos; padrões duplos de procedimentos na comunidade internacional, que, por exemplo, aplica regras diferentes para Iraque e Israel. Este, por décadas, não tem cumprido as resoluções da ONU, mas não tem sofrido as conseqüências dessa posição, ao contrário do que tem acontecido com Saddam Hussein e o povo do Iraque. Tudo isso faz com que os muçulmanos comecem a aceitar o terrorismo como a única forma de reverter sua situação.

Ultimato — Nenhum país muçulmano é tão rico quanto a Arábia Saudita, onde nasceu Maomé e onde se encontra a Grande Mesquita. Diz-se que esse país tem construído mesquitas pelo mundo afora. O sr. confirma essa informação?
Marcos — Desde 1975 a Arábia Saudita (possivelmente se sentindo ameaçada pelo ativismo dos radicais do Irã) gastou 70 bilhões de dólares para promover a construção de mesquitas, escolas e centros islâmicos radicais ao redor do mundo, que têm sido usados para dar suporte aos muçulmanos radicais. Nas palavras da revista saudita Ain al Yaqeen, o investimento saudita resultou na construção de 1.500 mesquitas, 210 centros islâmicos, 202 universidades e quase 2 mil escolas em países não muçulmanos. Além disso, grandes somas de dinheiro saudita foram também dadas para sustentar o terrorismo. Segundo Kaplan, especialista em islamismo, “durante a última década, de acordo com o relatório apresentado no Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2002, a Al-Qaeda e outros islamitas levantaram entre 300 e 500 milhões de dólares” principalmente de indivíduos e organizações sauditas.

Ultimato — A mídia dá a impressão de que todos os muçulmanos são fundamentalistas.
Marcos — É uma impressão equivocada. Não existem atualmente estatísticas precisas, mas acredita-se que os fundamentalistas não representam mais do que 15% da população islâmica mundial. No entanto, como eles são os que fazem mais barulho, acabam sendo notícia. O mesmo acontece com o retrato que a mídia transmite do Brasil nos outros países do mundo. Só se fala do Brasil quando alguma favela é invadida pela polícia, ou quando os traficantes e bandidos matam dezenas de pessoas num fim de semana, e assim por diante. Por isso, muitos no exterior pensam que todo o Brasil é assim. No entanto, é preciso salientar que o fundamentalismo muçulmano (e de outras religiões) está em crescimento e, nos próximos anos, poderá tornar-se um problema ainda mais sério.

Ultimato — Os cristãos oram “venha o teu reino”, o reino de Deus (Mt 6.10). Os muçulmanos lutam para estabelecer o reino de Alá no mundo. No fundo, as duas maiores religiões (o cristianismo e o islamismo) estão perseguindo o mesmo alvo?
Marcos — Tanto o islamismo como o cristianismo querem ver justiça, paz, igualdade social, amor na terra. No entanto, a maneira como cada religião quer chegar a esse ideal e a compreensão que cada uma tem desses conceitos diferem bastante.

Ultimato — Historicamente falando, como têm sido as relações do cristianismo com o islamismo?
Marcos — Bastante conturbadas. Inicialmente, foram os muçulmanos quem, logo depois da morte de Maomé, no sétimo século, começaram a conquistar territórios considerados cristãos. Depois, no século 11, como era de se esperar, houve uma reação dos países “cristãos”, culminando com as Cruzadas, em que milhares de muçulmanos (incluindo mulheres, crianças e idosos) foram mortos. Isto permanece na memória coletiva muçulmana até hoje, o que complica bastante o trabalho missionário entre eles. Além disso, nos séculos 18 e 19 os países europeus (considerados cristãos, pelos muçulmanos) invadiram os países e regiões muçulmanos no Norte da África e no Oriente Médio, e as conseqüências disto continuam sendo vistas diariamente nos jornais e na televisão.

Ultimato — Quais são os especialistas cristãos em islamismo mais confiáveis hoje em dia?
Marcos — Creio que o evangélico melhor posicionado e que busca manter uma posição equilibrada, tentando ver os problemas atuais de uma perspectiva objetiva, é o dr. Woodberry, do Fuller Theological Seminary.

Ultimato — Os cristãos devem evangelizar os muçulmanos, mesmo causando sérios problemas aos convertidos, como no caso do afegão Abdul Rahman?
Marcos — Quando os missionários que estão evangelizando esses muçulmanos estão dispostos a sofrerem as mesmas conseqüências que atingem os muçulmanos convertidos, sem dúvida, sim!

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