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Colunas — Ponto final

Admoestação e choro: diálogo santo

Rubem Amorese

Irmão, precisamos ter uma conversa. Podemos nos sentar um pouquinho?

Certamente, todos nós já passamos por uma abordagem desse tipo. Confesso que fico gelado, por mais cuidadosa que ela seja. Fico atento aos sinais não-verbais emitidos pelo interlocutor — fisionomia, gestos, atitude etc. Há sinais de nervosismo, dureza, ansiedade, mãos frias? Ou percebo brandura, bondade e mansidão? Esses sinais podem prenunciar tanto uma conversa edificante quanto um julgamento cruel, com sentença já em execução. Terei direito às minhas últimas palavras?

Não é fácil ser admoestado. Nem admoestar. Talvez porque, na maioria das vezes, a experiência tenha deixado um gosto amargo, com causas que podem ser encontradas nos dois lados.

Resulta que dificilmente encaramos esse momento com a atitude positiva e curiosa de quem está prestes a viver uma situação de crescimento, de edificação. Geralmente, tememos nosso admoestador. E por que o tememos? Porque vai expor nosso erro? Sim, esse é um motivo de temor. Mas talvez temamos mais a possibilidade de que ele esteja equivocado no que vai dizer ou na forma como vai fazê-lo, seja na interpretação de nossa vida, seja por eventual motivação maldosa. Tememos que, mesmo com palavras doces, ele dê vazão ao seu próprio pecado, aproveitando-se de uma brecha nossa. E que não esteja disposto ao diálogo, pelo qual possamos apresentar nossas razões, nossa defesa.

Por seu lado, o admoestador sincero também teme reações duras. Muitas vezes desiste, por causa desse temor. Abre mão de seu dever cristão, com um “ele que se cuide”.

Quantas feridas e quanto medo a sabotar esse diálogo santo! Quanto crescimento, quanta reconciliação, quanto retorno ao caminho deixam de acontecer. Quanto prejuízo para o reino!

Percebo em nossa geração o agravante da presença do velho rei de Eclesiastes: “Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que já não se deixa admoestar” (Ec 4.13). Parece que, com a privatização da vida moderna, todos passamos a dizer uns aos outros: “Dá licença?” E o homem moderno faz-se naturalmente inadmoestável. É seu jeito de ser. Qualquer aproximação é vista, então (pelos dois lados), como arrogante e presunçosa, merecedora de um “com que direito?”

Já não é preciso dizer: “Cuide de sua vida”, nem usar o clichê pagão: “Cada um tem sua verdade...”. Fase superada. Se somos modernos e educados, “respeitamos” nosso próximo e não o incomodamos com nossas “intromissões”.

Será por isso que se tornou espécie em extinção o bem-aventurado que chora? Aquele humilde de espírito que, ao verter lágrimas de contrição, faz-se alvo da graça redentora de Deus? Ou será que mesmo esses já sucumbiram à devastação dos grileiros de almas, que esmagam canas quebradas e apagam torcidas que fumegam?

Irmãos, exorto-nos à resistência. Que preservemos, em nosso meio, esse diálogo santo. Ao que admoesta, que o faça “com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.2). Ao que recebe a admoestação, que responda com choro bendito e com votos contritos diante do Senhor. Amém.

Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Icabode — da mente de Cristo à consciência moderna. rubem@amorese.com.br

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