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Seções — Reportagem

A Igreja em missão: desafios, tendências e possibilidades


O que mais acontece no Hotel Monte Real, em Águas de Lindóia, na fronteira dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, são eventos evangélicos. Em outubro de 2005, o hotel hospedou o IV Congresso Brasileiro de Missões, com a presença de quase 1.400 pessoas, procedentes dos quatro cantos do país.

O levantamento feito pela Sepal, com base no questionário preenchido por pouco mais da metade dos participantes (764 congressistas), revela que eles representavam mais de 30 denominações, principalmente batistas (29%), assembleianos (17%) e presbiterianos. Quanto à faixa etária, a porcentagem dos mais jovens (20,7%) era quase igual à dos mais velhos (18,3%). A maioria tinha entre 31 e 60 anos (59,5%). Cerca de 80% não participaram dos congressos anteriores, em Caxambu, MG (1993), Guarapari, ES (1998) e Águas de Lindóia, SP (2001). Apenas 12,3% estavam se iniciando em missões à época do congresso e 42,7% já tinham mais de dez anos de envolvimento. 


Missão e comissão

Em sua mensagem de boas-vindas, o coordenador Silas Tostes explicou que o alvo principal do IV CBM era desafiar a igreja brasileira a um maior engajamento na obra missionária. Ele reclamou que há um desequilíbrio entre o pujante crescimento numérico da igreja e a triste marcha lenta no que diz respeito ao crescimento do número de missionários. Daí o tema do encontro: A Igreja em Missão: Desafios, Tendências e Possibilidades.

Parece que o IV CBM conseguiu chamar à responsabilidade missionária as pessoas que ali se reuniram, por meio das três conferências diárias (pela manhã e à noite) e do variado programa vespertino — minicursos, mesas-redondas e reuniões temáticas. No final, a maioria dos participantes chegou à conclusão de que era necessário passar essa visão missionária para a igreja local.

Discorrendo sobre a natureza missionária da igreja, o missionário boliviano-brasileiro-americano Russell Shedd foi muito feliz ao fazer distinção entre missão e comissão. A diferença é sutil e aliviadora. Não podemos cometer o equívoco de “fazer missão”. Precisamos enfatizar mais a palavra “comissão”, que significa fazer o trabalho evangelístico em parceria com Deus. De fato, vez ou outra esquecemos que somos apenas porta-vozes das boas notícias, um papel muito importante). “Nós não transportamos ninguém das trevas para a maravilhosa luz, apenas mostramos a luz”, enfatizou Shedd, para explicar em seguida: “É Deus quem o faz”.


“Quem não obedece a Atos 1.8 vai cair em Atos 8.1”

É mais fácil falar e escrever sobre plantação de igrejas e sobre crescimento numérico das ovelhas — o que nem sempre significa paixão pelas almas e pelo reino de Deus — do que transmitir a consciência evangelística e missionária. Nesse sentido (e em outros) há muito por fazer no Brasil.

O médico Armando Piva, pastor da Igreja Batista Missionária de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, por exemplo, lembrou mais uma vez que, em média, cada batista (uma das denominações historicamente mais empolgadas com missões no país) contribui com apenas dez reais por ano para missões. “Estudei primeiro num seminário pentecostal e depois num seminário batista”, testemunha o pastor, “e em nenhum dos dois se disse claramente que a vontade de Deus para a igreja é que ela evangelize o mundo”. Apesar dessa formação precária, Armando Piva é pastor de um igreja que hoje participa do sustento de trinta missionários nas tribos indígenas brasileiras e no exterior.

Amar os “perdidos” é um sentimento ainda escasso. E, quando amamos, o fazemos com muito preconceito. Não imitamos o Senhor, que se aproximava dos marginalizados social e eticamente. Edison Queiroz, que voltou recentemente dos Estados Unidos e reassumiu o pastorado da Igreja Batista de Santo André, SP, confessou em público que uma vez, quando se dirigia de terno e gravata à igreja para pregar, tratou com desprezo e asco uma prostituta que a ele se oferecia logo na manhã de um domingo ensolarado. Naquele mesmo dia, ele caiu em si, envergonhando-se do que havia feito e resolveu mudar. O resultado prático foi o início de um ministério especializado para declarar o amor e o perdão de Deus para prostitutas e travestis. Quando chegou a sua vez de falar, Edison afirmou: “Quem não obedece a Atos 1.8 (a grande comissão dada por Jesus) vai cair em Atos 8.1 (a grande perseguição movida contra a igreja em Jerusalém provocou a dispersão dos discípulos, que começaram a anunciar as boas novas em vários lugares)”.

O pessoal da Associação de Missões Transculturais (AMTB) e da Associação dos Professores de Missões do Brasil (APMB), que organizou o IV CBM, com a participação da Associação Evangélica de Educação Teológica na América Latina (AETAL), questionou se o fervor missionário brasileiro, que começou a ter maior visibilidade a partir da década de 70, estaria ou não em declínio. Quanto a isso, Edison Queiroz e Jonathan dos Santos, pessoas de grande destaque no cenário histórico de missões no país, parecem ter opiniões diferentes. O primeiro, por ter passado muito tempo fora do Brasil, acredita que o entusiasmo não diminuiu: “Basta ver o número de novas agências missionárias e de novos livros sobre missões”. Para contrabalançar, Jonathan dos Santos, um dos fundadores da Missão Antioquia (o outro é Décio de Azevedo), a primeira agência missionária interdenominacional, crê que houve declínio no número de missionários e de candidatos às missões. Houve repúdio tanto à visão eufórica como à visão derrotista. Talvez George Verwer, fundador da Operação Mobilização, um dos preletores do congresso, e Humberto Aragão, diretor da OM na América Latina, tenham exagerado um pouco a capacidade missionária atual: ambos acham que cinco mil igrejas brasileiras poderão enviar 10 mil obreiros para o exterior nos próximos anos. 


As igrejas brasileiras são mais apologéticas do que missionárias

Além das mais de cinco horas de reuniões plenárias com louvor, oração, palestras e interação, todos juntos, na parte da tarde os congressistas se espalhavam por vários auditórios menores e por muitas salas para ouvir ou discutir assuntos de preferência pessoal. Podia-se participar de um minicurso sobre fenomenologia da religião (com Ronaldo Lidório e Márcia Suzuki) ou de uma reunião sobre o desafio dos diversos tipos de fundamentalismos religiosos (com Gedeon Freire).
Oswaldo Prado tentou mostrar a ilusão de um Brasil evangelizado. Depois de exaltar o país (somos o maior exportador mundial de frangos, dominamos 82% do mercado mundial de suco de laranja, ocupamos o primeiro lugar no mercado mundial de carne bovina), rebaixou-o (a violência cresceu 130% entre 1980 e 2000, cometemos nesse período de vinte anos seiscentos mil assassinatos, principalmente de jovens, nosso casamento tem duração média de 10,5 anos e, nos últimos anos, o consumo de cocaína aumentou 700%). Sob o ponto de vista evangelístico, Oswaldo Prado lembrou que temos uma herança muito mais apologética do que missionária. Comprometido com missões desde quando era pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Ipiranga em São Paulo, o dirigente da reunião temática explicou que o Brasil está “a espera de igrejas saudáveis e missionárias”.

Já a psicóloga Rozângela Alves Justino, do Rio de Janeiro, tratou do difícil tema da relação entre igreja missionária e a imposição das novas formas de expressão sexual. Ela justificou o substantivo “imposição” alegando que até certos autores seculares têm estudado os movimentos sociais a favor do homossexualismo e estão chegando à conclusão de que eles têm “assumido contornos de quase uma religiosidade”. Rozângela cita Sócrates Nolasco: “O homem heterossexual, considerado herdeiro direto do sistema patriarcal, foi colocado como inimigo do propósito de liberação sexual representado pelo movimento feminista e pró-gay”. Para espanto dos participantes, Rozângela leu trechos do pacto subscrito entre a ILGA (sigla inglesa que significa Associação Internacional de Gays e Lésbicas) e a NAMBLA (Associação Norte-americana de Amor entre Homens e Meninos):

“Nós sodomizaremos seus filhos... vamos seduzi-los nas escolas, nos dormitórios, nos ginásios, nos vestiários, nas quadras de esporte, nos seminários, nos grupos de juventude, nos banheiros dos cinemas, nas casernas do exército, nas paradas de caminhões, nos clubes masculinos, nas casas do congresso, onde quer que homens fiquem juntos com homens...”

“Todas as leis que proíbem a atividade homossexual serão revogadas. Em vez disso, serão expedidas leis que produzam o amor entre homens...”

“Todas as igrejas que nos condenam serão fechadas. Nossos únicos deuses são os jovens bonitos... Seremos vitoriosos porque estamos cheios da armagura feroz dos oprimidos... Nós também somos capazes de disparar armas e guarnecer as trincheiras da revolução final”.

Rozângela informou a fonte de tão grande bazófia: O artigo Goals of the homosexual movement [Alvos do movimento homossexual], de Michael Swift, publicado no periódico Gay Community News, de 15-21 de fevereiro de 1987. O que ajuda a entender essas coisas é o uso da homossexualidade “como uma forma de se rebelar contra Deus”, o que faz lembrar o famoso Salmo Segundo: “Os reis da terra tomam posição e os governantes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu ungido, e dizem: ‘Façamos em pedaços as suas correntes, e lancemos de nós as suas algemas’” (Sl 2.2-3).

Para não fugir do objetivo do IV CBM e de sua própria exposição, a psicóloga, que desenvolve um ministério voltado para pessoas que estão homossexuais, mas desejam deixar a homossexualidade, concluiu em sua palestra que “a única solução está em Jesus Cristo e a esperança é o despertamento da sua igreja para esta problemática social intensa que muitos cristãos ainda não notaram”.

O espaço desta reportagem não permite que se aborde as demais conferências plenárias nem as muitas outras falas vespertinas. A esperança é que a AMTB e a APMB publiquem um livro sobre o IV Congresso Brasileiro de Missões e com o melhor do que ali foi dito. Antes que o Senhor volte!

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