Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Seções — No ventre da dor

A guerra contra o câncer: prevenção primária e detecção precoce


O tumor cancerígeno do rei Ezequias

Foi no dia 24 de fevereiro. Desci na rodoviária de Belo Horizonte e tomei o ônibus circular para a Santa Casa. Na portaria, o funcionário me orientou sobre como chegar à radioterapia: “Siga pelo corredor até chegar ao elevador, desça a escada à sua esquerda, dobre à direita e logo o senhor verá em letras amarelas a inscrição: Radioterapia”.

Deu tudo certo. Uma atendente me levou para uma salinha de espera meio VIP e disse que o médico oncologista não demoraria. Era a terceira vez em 75 anos que eu entrava numa área hospitalar reservada ao tratamento de câncer. A primeira foi em 1952, quando eu era seminarista e, na companhia de uma colega chamada Dulce Barcelos, fomos a um hospital no Rio de Janeiro para falar do amor de Deus a alguns pacientes que tinham marcas da doença em seus rostos (Dulce desmaiou ao vê-los). A segunda foi em 1984, quando levei minha mãe, de 80 anos, para uma seção de radioterapia num hospital em Campos, RJ.

Assentado sozinho naquela pequena sala, pensei na primeira sensação de todos aqueles que começam a receber radiações para se livrar de um câncer. Por mais que eu me esforçasse, não consegui passar pelo mesmo sofrimento, porque eu não estava ali para iniciar um tratamento oncológico, mas para conversar com meu amigo e irmão em Cristo dr. Célio Galante, eu que havia entrevistado 26 anos antes (veja Cancerofobia, Ultimato, abril de 1980). Precisava de dados precisos para escrever esta resportagem.

Afinal, o que nós chamamos de câncer? O Instituto Nacional do Câncer (INCA) explica: “Câncer é o nome dado ao conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo”. Em outras palavras, o câncer é um tumor maligno. Isso me fez pensar na doença do rei Ezequias, por volta do ano 700 antes de Cristo. O Antigo Testamento diz que ele teve uma “enfermidade mortal” (2 Rs 20.1; Is 38.1) e relaciona isso com “tumores” (TEB). Se eram tumores e ao mesmo tempo algo que o levaria à morte, suponho que a doença de Ezequias era o tal tumor maligno ou câncer.


Um exército de homens e mulheres de avental branco

O dr. Célio chegou logo. Ele me levou às salas de teleterapia, onde se encontram aparelhos sofisticados, como a bomba de cobalto e o último modelo de acelerador de partículas, o Acelerador Linear 2.100, que custa mais de 1,3 milhão de dólares. Nessa área há um perfeito casamento da física com a medicina. O físico trabalha junto com o radioterapeuta, para fazer os melhores ajustes possíveis de forma que o tratamento obtenha os melhores resultados com os menores riscos. Os dois especialistas têm de jogar “entre o possível e o ideal” e chegar até aquilo que eles chamam de “dano aceitável”. O alvo da radioterapia é aplicar doses elevadas de radiação no formato exato do tumor sem comprometer as áreas vizinhas, onde se encontram os tecidos saudáveis.

Nunca tinha visto tantas placas com palavras complicadas com a mesma terminação: betaterapia, braquiterapia, hormonioterapia, quimioterapia, radioterapia, teleterapia. Vi no dicionário que terapia ou terapêutica “é a parte da medicina que estuda e põe em prática os meios adequados para aliviar ou curar os doentes”. E terapeuta é aquele que exerce alguma forma de terapêutica. Dei graças a Deus por este exército de terapeutas de avental branco, que inclui os mais próximos (médicos, enfermeiros) e os mais distantes (cientistas). Também dei graças a Deus pelas terapias do Espírito Santo, que trabalham com o caráter, com os traumas, com a culpa, com as crises emocionais, com o sofrimento, com a dor.

Por fim, o dr. Célio Galante me levou à dra. Maria Nunes Álvares, diretora clínica da Santa Casa, que tem um corpo clínico de 926 médicos e que fez 1,2 milhão de atendimentos em 2004 (a segunda área de maior movimento é a radioterapia, com 74.793 sessões). A médica me entregou uma batelada de revistas e relatórios relacionados à oncologia.


Neoplasias malignas e obras malignas

Para se ter uma idéia da amplitude da doença, precisamos saber que mais de 10 milhões de novos casos de câncer são diagnosticados anualmente em todo o mundo. Segundo o INCA, mais de 472 mil novos casos acontecerão no Brasil em 2006, mais entre as mulheres (237.480) do que entre homens (234.570). Os três tipos de câncer mais comuns no país são o câncer de pele não melanoma (116 mil casos), câncer de mama (49 mil) e câncer de próstata (47 mil).

O câncer não é o responsável pelo maior número de óbitos. Esse lugar é ocupado pelas doenças cardiovasculares. Um dos principais desafios dos países em desenvolvimento é exatamente definir e implementar estratégias efetivas para a prevenção e controle das doenças e agravos não transmissíveis, tais como as duas citadas.

Quando se refere ao câncer, a literatura médica usa uma linguagem bíblica. Diz-se que o câncer “detém o poder de matar por invasão destrutiva os órgãos normais, pois não respeita as mais básicas regras de ‘convivência social’ entre as células e cresce demais, ocupando o espaço de seus vizinhos, sufocando-os”. Ele é mortal porque tem “a habilidade de colonizar outros órgãos”. O imunologista brasileiro José Alexandre Barbentos, da Universidade de São Paulo, que desenvolve uma vacina que controla tumores e aumenta a expectativa de vida de pacientes em estágios avançados de melanoma (um tipo de câncer de pele), explica que essa vacina aumenta as chances de o doente “vencer a luta contra o câncer, pois transforma o sistema imunológico em um aliado a mais na briga”. O nome mais vulgar do câncer (tumor maligno) e o mais sofisticado (neoplasias malignas) fazem lembrar a literatura bíblica para se referir à chamada “guerra espiritual”: “A carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne” (Gl 5.17); “A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12), “Que harmonia [há] entre Cristo e o Maligno?” (2 Co 6.15) etc. Essa coincidência de estilo deveria nos levar à profilaxia tanto das neoplasias malignas como das obras malignas. A primeira, por meio das terapias médicas; a segunda, por meio das terapias do Espírito.


Tabaco, álcool e “sexo sem proteção” — os verdadeiros amigos do câncer

Depois da visita à Santa Casa de Belo Horizonte e de examinar o rico material que a dra. Maria Álvares me deu, achei por bem valorizar ainda mais o patrimônio que o evangelho nos tem dado há muitos anos. Desde a chegada dos primeiros missionários evangélicos, europeus e americanos, a partir da segunda metade do século 19, fomos ensinados a não fumar, a não beber, a não ter um comportamento sexual promíscuo, a confiar em Deus em qualquer situação, a orar mais intensamente como Jesus (Lc 22.44) em caso de doença e morte etc. Milhares de brasileiros tiveram que deixar de lado o cigarro, a cachaça, a fornicação, como prova de verdadeira conversão, para serem batizados. Por coerência, não plantávamos fumo em nossas fazendas nem vendíamos cigarro e bebidas alcoólicas em nossas vendas, armazéns e botequins. Lembro-me da visita que fiz à fazenda Evangelândia, no município de Guiricema, MG, para visitar o fazendeiro metodista Julio Fófano. Depois de sua conversão ele substituiu a grande lavoura de fumo por outras culturas.

Ora, tanto o fumo como o álcool têm muito a ver com o câncer. Li no 3o Informativo Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco em Minas Gerais (dezembro de 2004) que “o uso de tabaco em todas as suas modalidades aumenta o risco de desenvolver câncer devido aos seus componentes cancerígenos que provocam alterações celulares”. A nota acrescenta que “outras 50 doenças apresentam o tabaco como fator de risco”. Leio também, na mesma revista, que “a probabilidade de desenvolver o câncer de boca em indivíduos etilistas depende do tipo, frequência e quantidade de álcool ingerido”. A questão é tão séria que em setembro de 2004, a Comissão de Relações Exteriores do Senado promoveu uma audiência pública em Brasília, com a presença do ministro da Saúde, senadores, representantes do Ministério Público, fazendeiros, agricultores fumageiros e oncologistas para debater os aspectos polêmicos da Convenção Quadro das Nações Unidas para o Controle do Tabaco. A reunião durou cinco horas e os oncologistas falaram em nome do INCA e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). O ministro Humberto Costa lembrou que o tabaco causa a morte de 5 milhões de pessoas por ano, 200 mil só no Brasil. Segundo a Revista Brasileira de Cancerologia, o tabaco está associado a 90% dos casos de câncer de boca em homens e 60% em mulheres, e o álcool está associado a 55% dos casos do mesmo tipo de câncer. A mesma fonte instrui que o tabaco e o álcool, “quando combinados podem aumentar o risco de câncer de boca em 15 a 20 vezes”, sobretudo se o uso de ambos acontecer por um longo período de tempo.

O boletim Papilomavírus Humano, publicado pelo Instituto de Patologia Clínica H. Pardini, em Belo Horizonte, garante que, “desde 1974, quando o papilomavírus humano (HPV) foi pela primeira vez associado a neoplasias, inúmeros trabalhos atestam ser a infecção por esse vírus o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino”. Ora, sabe-se que a infecção genital pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum. Calcula-se que, no Brasil, uma em cada quatro mulheres está infectada pelo vírus, transmitido principalmente pelo sexo sem proteção. Porque grande parte de brasileiras não faz regularmente o exame ginecológico e por causa disso, a deteção do HPV e das lesões pré-malignas é tardia, “estamos entre os cinco países mais atingidos pelo tumor de colo uterino, o tumor mais freqüente, depois do de mama, com pelo menos 16 mil novos casos e 4 mil mortes anuais”, assevera o Relatório Anual do Hospital do Câncer. Esse câncer provoca a morte de 225 mil mulheres por ano no mundo. O citado boletim do Instituto de Patologia Clínica H. Pardini informa que a incidência de infecções assintomáticas por HPV “é maior em mulheres jovens e declina com a idade (diminuição dos parceiros sexuais)”. Essa torrente de informações me fez lembrar de uma frase do livro O Segredo da Felicidade, de Billy Graham, mais ou menos assim: “Os mandamentos de Deus são como placas de sinalização na estrada da vida para proteger a nossa felicidade”.


Prevenção primária e detecção precoce

A guerra contra o câncer é muito antiga e ainda não acabou. O médico dr. João Luiz de Carvalho Mattoso lembra que os livros mais antigos “já falavam de feridas que não se fechavam, de nódulos que cresciam e se multiplicavam, de vísceras e órgãos que cresciam descontroladamente, de males incuráveis que hoje sabemos que é câncer”. Até a Bíblia menciona o problema. Deuteronômio fala em “tumores malignos incuráveis” (Dt 28.35, CNBB). Jó tinha “tumores malignos espalhados pelo corpo (Jó 2.7). E uma das pragas da Apocalipse refere-se à “úlcera maligna e dolorosa” (Ap 16.2, BJ).

“Com o aumento da longevidade da população”, diz o dr. Aurélio Julião, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, “cresce a incidência da neoplasia maligna”.

Temos alcançado várias vitórias. Algumas delas não são tão animadoras como desejaríamos, porque não falam em cura, mas em sobrevida. O Brasil tem se destacado no cenário mundial na área de oncologia. A médica dra. Carla Ismael, presidente da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia, revela que “a oncologia brasileira é comparável à dos países europeus na medida que temos excelentes especialistas, renomados profissionais e, também, a nossa realidade financeira e de custeio do tratamento vêm nos aproximando deles”.

Conheci mais de perto e mais profundamente o significado de três palavras pouco usadas fora da área oncológica: incidência (casos novos de pessoas afetadas pelo câncer), morbidade (taxa de portadores de determinada doença em relação ao número de habitantes sãos, em determinado local em determinado momento) e mortalidade (registro e análise dos óbitos provocados pelo câncer).

Uma notícia de que gostei muito é que o câncer é uma doença relativamente rara na infância: “Menos de uma em seiscentas crianças irá desenvolver uma doença maligna antes dos 15 anos de idade”. Quando acontece, a maior incidência é a da leucemia.

Do pouco que ouvi na Santa Casa e do relativamente muito que li em meu escritório, o que mais me agradou foi a solene advertência de que “ações de prevenção primária e detecção precoce das doenças são capazes de reduzir a mortalidade, melhorar o prognóstico e qualidade de vida dos doentes”.

Vamos guardar bem na memória e espalhar para os quatro cantos desse enorme país o valor básico e certo da prevenção primária e da deteção precoce. Em outras palavras, vamos abandonar o fumo, o álcool, a promiscuidade sexual, certos hábitos alimentícios, a vida sedentária, vamos comer mais frutas e verduras, e nos aproximar mais de Deus (há unanimidade agora quanto ao valor da religião no corpo e na mente). Mais ainda, vamos vigiar os seios, o útero, a próstata, a pele, os caroços, as manchas e tudo o mais. Façamos o check-up anual, principalmente depois dos 40 anos. E, se apesar de todas essas felizes e acertadas providências, o homem ou a mulher de avental branco nos disser que fomos acometidos de um câncer, seja ele qual for, enfrentemos a situação com coragem e com oração. Sem nos esquecer de que Ezequias, quando soube que era portador de uma enfermidade mortal, “virou o rosto para a parede e orou ao Senhor” (2 Rs 20.2). Deus lhe deu uma sobrevida de 15 anos! Saibamos que, no final das contas, com câncer ou sem câncer, depois daquele episódio narrado no primeiro livro da Bíblia (a queda), o que nos resta é sempre uma sobrevida de tamanho variado. É de máxima importância saber lidar com essa sobrevida, aproveitando-a com sabedoria na certeza de que a morte é apenas uma virada de página!


Para pesquisar 
www.inca.gov.br – Vigilância do Câncer e Fatores de Risco e O que é câncer? 
www.oncoguia.com.br – Para entender o câncer; Suportes psicológicos; Radioterapia: cuidados e recomendações; Os efeitos colaterais da quimioterapia; Sobre o câncer: informações gerais.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.