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Reflexão — Valdir Steuernagel

Vou andar na contramão: “Nem tudo que cresce é bom”


Sou da geração que viu a igreja evangélica crescer. Deixamos de ser uma igreja encabulada que cabia em vielas e becos da sociedade. Hoje são as praças que nos recebem e nas quais mal cabemos. Algumas das nossas caminhadas convocam e juntam milhões de pessoas. Passamos a ser uma das poucas organizações e instituições que, além do mundo futebolístico, juntam muita gente. Não é à toa, pois, que em tempo de campanha política diversos candidatos fazem questão de comparecer às nossas reuniões maiores. Alguns até já aprenderam a dizer “aleluia” na hora e no lugar certos.

Mas o nosso crescimento não foi apenas numérico. Temos penetrado em muitos segmentos da nossa sociedade, desenvolvendo as mais diferentes ênfases, ministérios e organizações. Esfrego os olhos para acreditar que um dos meus filhos está envolvido de corpo e alma no desenvolvimento de um ministério chamado “Missão Terra dos Palhaços”. Que coisa fantástica!

Sou de uma geração que, além de ver a igreja evangélica crescer, empenhou-se, alegrou-se e vibrou com esse crescimento. Afinal, quem se oporia ao crescimento da igreja, se crescer faz parte da natureza dela? Lamentável, porém, é que não há evidências de que esse crescimento tenha sido também suficientemente qualitativo. Ele tem se mostrado questionável, contraproducente e até perigoso. A vergonhosa renúncia do ex-bispo Carlos Rodrigues ao mandato de deputado federal, para o qual foi eleito fundamentalmente com votos advindos da Igreja Universal do Reino de Deus, é apenas um pequeno sinal de que não estamos preparados nem dispostos a exercer o nosso papel de forma íntegra, responsável e missionária em determinados segmentos da nossa sociedade. Aprendi com o saudoso missiólogo Orlando Costas que nem tudo que cresce é bom. “O câncer”, ele dizia, “também cresce e não é bom”. Aliás, ele próprio experimentou essa realidade, vindo a morrer de câncer aos 45 anos de idade. Será que isso precisa acontecer conosco? Será que precisamos morrer precocemente de um “câncer”, que Deus não se agrada de ver crescendo em nós?

É claro que um simples artigo não vai representar nenhuma proposta de solução para essa realidade. Eu só quero dizer que é preciso aprofundar a nossa fé e viver a nossa vida cristã de forma íntegra, responsável e renovadora. Deus deseja para nós mais do que simples presença. Ele quer que a nossa presença faça diferença para o reino. Ele quer que o Brasil seja melhor, mais justo e mais verdadeiro em função da nossa existência, da nossa presença e do nosso testemunho.

Não há atalhos no caminho da maturidade de fé!
Ainda me lembro da cena, apesar dos anos passados. O ano era 1969, a cidade era Novo Hamburgo, RS, e era uma noite de sábado. Sentados num carro, eu e o hoje pastor Heitor Meurer, falávamos das coisas da fé, e ele chamou minha atenção para uma palavra bíblica que diz: “Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2.6-7).

Desde então essa palavra tem me acompanhado, e cada vez mais percebo o significado e a importância dela. Na época, Heitor estava tentando me transmitir a importância do discipulado, mostrando-me que é necessário, não só se converter, mas também crescer na fé, aprofundar-se no conhecimento de Deus e levar uma vida que mostre coerência com a verdade do evangelho.

Relembro essa conversa para realçar a mesma verdade: é necessário não apenas se converter, mas aprofundar-se no conhecimento de Cristo. É preciso andar em Cristo, e não usar a Cristo. É preciso se enraizar na fé, e não comercializar a fé. É preciso se instruir na verdade do evangelho, e não prostituir o conteúdo do evangelho. É necessário crescer em ações de graças, e não vender a graça. É preciso entrar nos diversos segmentos da sociedade para servir, e não para ser servido. Servir a Deus e às pessoas, especialmente as mais pobres, e não fazer uso delas.

Faz alguns anos que se organizou o Congresso Brasileiro de Missões para Jovens. No encerramento daquele encontro, o conhecido pastor Messias Anacleto nos trouxe uma palavra que eu nunca esqueci. Já com idade madura e muita experiência de vida, ele disse: “Eu já não estou olhando tanto para como as pessoas começam. Estou olhando para ver como elas terminam”.

Há muita gente começando uma vida com Cristo. Há muita gente desbravando novos caminhos missionários. Há muita gente descobrindo como servir a Deus nos diferentes segmentos da nossa sociedade. Tudo isso é bonito, fantástico e necessário. Mas é preciso ir mais além do começar.

É preciso amadurecer. É preciso “andar nele, nele radicados e edificados, e confirmados na fé, tal como fomos instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2.6-7). É preciso aprofundar-se no discipulado e no conhecimento da Palavra de Deus. É preciso viver na comunidade de fé com humildade e espírito de submissão mútua. É preciso revestir-se de um espírito de serviço que tenha as marcas do reino de Deus. É preciso viver a fé em Cristo Jesus e a realidade do evangelho com integridade e com a sabedoria e o conhecimento que Deus quer nos dar. É preciso acabar bem, e não apenas começar. É preciso acabar bem, sem desistir no meio do caminho. É preciso dizer com o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Tm 4.7).


Valdir Steuernagel é pastor luterano e trabalha com a Visão Mundial Internacional e com o Centro de Pastoral e Missão, em Curitiba. É autor de, entre outros, Para Falar das Flores... e Outras Crônicas.

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