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Exclusivo On-line — Deus está morto?

Carlos Caldas

Uma anedota que não faz muito tempo era bastante popular em púlpitos evangélicos brasileiros conta que Friedrich Nietzsche (1844-1900) escreveu no muro de sua casa: “Deus está morto” e assinou. Alguns anos após a morte do filósofo, teria aparecido no muro a seguinte frase: “Nietzsche está morto” e, logo abaixo, a “assinatura”: “Deus”. No mundo de língua inglesa muitos usam camisetas com essas duas frases estampadas.

Gott ist tot — decerto esta é uma das frases mais conhecidas e citadas de Nietzsche. Aparece em seus livros A Gaia Ciência (1882) e Assim Falou Zaratustra (1883). Eis a citação completa: “Deus está morto. Deus permanece morto. E nós o matamos. Como poderemos nós, os assassinos entre os assassinos, nos consolarmos? O que foi mais santo e poderoso de tudo que este mundo jamais possuiu sangrou até à morte sob nossas facas. Quem removerá este sangue de nós? Com que água nos purificaremos?”

A frase “Deus está morto” tem sido não raro entendida como uma exultação. Na verdade, não é assim que ela deve ser compreendida. Nietzsche não se apresenta como assassino de Deus. Em A Gaia Ciência, a frase aparece nos lábios de um louco, que corre em um mercado gritando “Deus está morto”, mas as pessoas ali presentes riem e não lhe dão atenção. Para entender o que o infeliz Nietzsche (ele morreu louco, à semelhança de seu personagem) disse, não se deve considerar a frase em sentido puramente literal. Ao mesmo tempo, há que se reconhecer que de fato o filósofo está rejeitando uma visão tradicional de Deus. Se Deus não existe, existe o homem — ou, para usar outra expressão famosa do mesmo Nietzsche, o “super-homem”. A idéia do super-homem foi muito influente algumas décadas depois de Nietzsche, na formulação do programa da “raça superior” do nazismo alemão. A frase “Deus está morto” também aponta para uma constatação, a saber, a morte de valores absolutos na sociedade.

A idéia da morte de Deus certamente tem implicações para todos as áreas da vida. Como acertadamente afirmou o escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881): “Se Deus não existe, tudo é permitido”.

Muitos preferem pensar que Deus não existe. Outros até admitem sua existência, mas por variados motivos preferem matá-lo em suas vidas. Assim, ficam mais confortáveis para viver sem temer o que consideram apenas uma autoridade arbitrária e caprichosa que dá uma série de mandamentos sem sentido, ou então envia desastres aleatoriamente. Eles acham que é melhor viver sem Deus. O problema é que, quem pensa assim mata na verdade uma caricatura ou algum estereótipo de Deus. Falta-lhe uma experiência e um relacionamento com o Deus vivo da revelação bíblica.

Nos anos 60 surgiu nos Estados Unidos uma formulação teológica conhecida exatamente como “teologia da morte de Deus”. A repercussão na época foi grande, a ponto de a popular revista Time, na edição de 8 de abril de 1966, fazer do assunto matéria de capa. Quando entrevistado sobre essa teologia, o evangelista Billy Graham disse: “Deus não está morto. Falei com ele esta manhã!”

Carlos Caldas é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Leciona na Escola Superior de Teologia e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.

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