Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Entrevista

com Philip Yancey

com Philip Yancey

Avivamento envolve humilhação, arrependimento, dependência e oração

Parece que Philip Yancey sabe dosar muito bem o amor pela verdade e o amor pelas pessoas. Se não fosse assim, seus artigos não seriam publicados em revistas como Christianity Today, Christian Century, The Reformed Journal, Reader’s Digest e outras. Nem seus livros teriam cerca de vinte milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Poucos americanos, sobretudo evangélicos, teriam coragem de chamar de arrogante e auto-suficiente a política externa dos Estados Unidos e de escrever livros com títulos provocantes como Decepcionado com Deus e O Jesus que Eu Nunca Conheci. Autor de vinte livros, dos quais dez já foram publicados no Brasil, o jornalista e teólogo Philip Yancey, 55 anos, casado, residente no Colorado, Estados Unidos, esteve pela terceira vez no Brasil, juntamente com a esposa, a convite da Editora Mundo Cristão, que acaba de lançar Alma Sobrevivente, o livro de sua autoria que ele mais aprecia. Esta entrevista foi realizada no gramado do Centro Mariápolis, em Vargem Grande Paulista, SP, no final de julho, sem formalidade alguma.

Ultimato – Em recente entrevista, o sr. declarou que “a igreja está mais propensa a afastar as pessoas de Deus do que a aproximá-las dele”. Por quê?
Yancey – Não é nenhuma surpresa que isto esteja acontecendo. Entretanto, esta é uma oportunidade que Deus está nos dando para fazer algo em favor da igreja. Se observarmos a história eclesiástica, sempre que há um cenário ruim, Deus envia pessoas para trabalharem em sentido contrário.

Ultimato – Em sua opinião, o pentecostalismo seria o fenômeno religioso mais importante desde a Reforma, já que abalou a estrutura das igrejas tradicionais?
Yancey – Certa vez durante um evento na Colômbia, alguém disse a seguinte frase: “Deus tem preferência pelos pobres”. Pode ser que Deus tenha preferência pelos menos favorecidos.No entanto, os menos favorecidos têm preferência pelo pentecostalismo. Talvez um dos segredos do pentecostalismo seja que ele vem de baixo para cima; não é imposto pela liderança, mas cresce nas bases. E isso tem pontos fortes e pontos fracos. A força está no cuidado e no interesse pelas pessoas. A fraqueza está nas lideranças, que muitas vezes não estão preparadas. Alguns sociólogos americanos fizeram um estudo de longo prazo sobre os efeitos do pentecostalismo numa comunidade. Eles descobriram que a mudança de comportamento das pessoas comuns que se convertiam afetava positivamente a comunidade local mais do que o governo. É isso que quero dizer quando falo que o pentecostalismo vem das bases. No entanto, quando líderes despreparados começam a pregar sobre a teologia da prosperidade, isso acaba se tornando uma fraqueza e se voltando contra o movimento.

Ultimato – Segundo John Vaughan, do centro de pesquisas Church Growth Today, uma nova megaigreja aparece nos Estados Unidos a cada dois dias e o número dessas igrejas saltou de 50 para 880 nos últimos 25 anos. Isso é avivamento?
Yancey – A maioria das pessoas que vão a essas megaigrejas já estiveram em outras igrejas e estão à procura de entretenimento: grandes shows, grandes pregações, um grupo de louvor “melhor” etc. Avivamento envolve humilhação, arrependimento, dependência, oração. Enquanto eu não vir o meu país caminhando para esta direção eu hesitaria em chamar esse crescimento das megaigrejas de avivamento. As igrejas americanas são muito boas em oferecer entretenimento, mas eu não considero isso avivamento.

Ultimato – No passado não muito distante, dava-se mais ênfase ao cuidado pastoral (visitas, aconselhamento, incentivo à oração, à leitura da Bíblia, à piedade e ao caráter). Hoje, a ênfase maior recai sobre “igrejas-empresas”, com propósitos, alvos a atingir, administração eficaz e estratégias de marketing. Há algum equívoco nisso tudo?
Yancey – Em igrejas grandes, estar envolvido pessoalmente com todo mundo é um desafio para o pastor. As pessoas esperam que os pastores sejam bons administradores, empreendedores, excelentes pregadores etc. Mas ninguém consegue fazer tudo isso ao mesmo tempo. O que acontece é que elevamos os pastores a um nível de “celebridade” e, quando eles caem, a queda é dura. A mobilização da igreja em pequenos grupos é um caminho para reverter esse quadro. Nos grupos, os membros cuidam uns dos outros, estão atentos às necessidades e atuam como pastores no sentido mais original do termo.

Ultimato – Como explicar o fenômeno editorial da série Deixados para Trás, com 60 milhões de cópias vendidas nos últimos dez anos?
Yancey – Na realidade, sabendo que o mundo vai acabar logo, isso não é nenhuma surpresa. No final do século X, muitos profetas disseram que o mundo acabaria. Quando a peste negra infestou a Europa, muitos diziam que o mundo acabaria. Nós vivemos num mundo cheio de perigo, com bombas nucleares, catástrofes naturais... Logo, não me surpreende muito que as pessoas se fascinem com a idéia de fim do mundo. Jesus disse que sua volta seria um surpresa, que ninguém estaria esperando. Mas acho perigoso — e sou amigo de Jerry Jenkins — que as pessoas se preocupem demais com o paraíso e deixem a vida aqui na terra de lado.

Ultimato – Em seu livro Procurando Deus nos Lugares mais Inesperados, o sr. lembra que, “se fizermos da sexualidade um deus, este deus cairá”. Cairá ou está caindo?
Yancey – Um dos grandes desafios da Igreja hoje é colocar em ordem os desejos. Se pensarmos que os desejos são como degraus, precisamos colocá-los em ordem para que possamos escalar a escada na direção de Deus. A sexualidade é um dom que Deus nos deu, e muitas vezes isso pode parecer assustador para a Igreja. No entanto, se excluirmos Deus dessa visão, poderemos chegar ao topo da escada, mas nos sentiremos perdidos. Minha mulher trabalha num asilo para idosos. Lá as pessoas não falam sobre sexo, porque chegaram a um ponto da vida em que isso já não é tão importante. Ou seja, se nos dedicarmos à sexualidade, por exemplo, durante toda a vida, ao fim dela podemos nos sentir perdidos, vazios. Então, entendo que devemos considerar a sexualidade como um dom, mais um degrau, que, usado demaneira saudável, nosconduzirá a Deus.

Ultimato – Como o sr. administra o tempo entre pesquisas, leituras, viagens, palestras, cuidados devocionais e familiares, e a escrita propriamente dita?
Yancey – Eu concluí que um escritor tem uma vida equilibrada, mas não um dia equilibrado. Muitos dias eu passo trancado numa biblioteca sem conversar com quase ninguém. Esta semana, neste retiro, eu estou passando um tempo rodeado por muitas pessoas. Se olharmos para o cronograma de um ano todo, será possível enxergar um equilíbrio. Entretanto, não existe uma rotina diária definida. Como escritor, eu tenho uma personalidade introvertida, gosto de estar só com os livros. Sinto-me mais confortável assim, mesmo que goste de estar entre as pessoas, dar entrevistas e participar de eventos. Quando escrevo, posso repensar e revisar o texto. Quando falo, por exemplo, numa preleção, quando vou para a cama ànoite, fico pensando: “Será que machuquei alguém com o que eu disse?”

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.