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Exclusivo On-line — A morte do conservadorismo

Valdeci da Silva Santos

Atacar antigas convicções religiosas como sendo expressões de fundamentalismo e reducionismo teológico está na moda até nos círculos cristãos. No Brasil, alguns líderes evangélicos referem-se ao conservadorismo como sendo “o ovo de serpente que produzirá um Leviatã” e defendem “uma teologia invadida de humanidade, arte e poesia, sem pressupostos absolutos”. Outros dizem que convicções teológicas conservadoras são antiquadas, “a fé morta dos vivos” e até apresentam propostas de um “novo credo”. Na sociedade pós-moderna parece não haver mais espaço para a convicção em absolutos e desprezar a fé “entregue aos santos” parece ter se tornado pop.

Muitos erros certamente foram cometidos em nome de Deus e posteriormente justificados como tendo sido atos em defesa da fé e da verdade. Para tais atrocidades não há redenção; apenas arrependimento, penitência e lamento. Mas como Agostinho advertia por volta do quarto século, é um erro julgar uma filosofia ou movimento apenas por seus abusos. Desconsiderando essa advertência, a presente oposição ao conservadorismo parece ignorar qualquer benefício oriundo desse movimento e aqueles que pensavam ser propagadores da fé passaram a ser classificados na incômoda posição de seus grandes inimigos.

Contudo, há alguns aspectos a serem considerados diante dessa onda de ataques ao conservadorismo cristão. Primeiro, os autodenominados antifundamentalistas se apresentam mais intolerantes do que aqueles a quem eles se opõem. Basta observar o vocabulário que geralmente empregam para se referir aos que pensam diferente deles. Também, a posição reacionária se apresenta como dialética, mas sequer admite a possibilidade do diálogo com os “outros” ou a reavaliação dos seus pressupostos. Os defensores dessa posição condenam o dogmatismo, mas são profundamente dogmáticos em sua rejeição dos elementos tradicionais da fé cristã. Esse novo posicionamento revela-se contraditório.

O segundo aspecto a ser considerado nessa discussão é o risco de, no processo de denunciar exageros, serem rejeitados também aspectos essenciais à fé cristã que os conservadores defendem. Há certamente muita coisa a ser reavaliada e abandonada no conservadorismo cristão. Aqueles que zelam por uma teologia bíblica também deveriam observar os padrões relacionais estabelecidos por Jesus. Aqueles que buscam precisão doutrinária não podem desprezar o exercício da piedade. Aqueles que reivindicam defender o evangelho deveriam ser profundamente comprometidos com a evangelização. Todavia, o desprezo ao conservadorismo parece também desfazer de alguns princípios fundamentais da fé cristã. Dessa forma, Deus já não é mais o Pai, mas o pai e a mãe. A soberania do Altíssimo é substituída por uma limitação que só lhe permite construir o futuro com a ajuda dos seres humanos. A Bíblia é apresentada apenas como um registro da revelação divina, e assim por diante. Em meio a essa relativização, o que é atacado é o cerne da fé cristã.

Em terceiro lugar, há que se observar que a idéia de “reconstrução” da fé cristã não apresenta propostas relevantes e biblicamente sólidas. O que normalmente se oferece é uma teologia desprovida da intervenção divina; uma hermenêutica da dúvida, repleta de incertezas; uma dialética empolgante, mas sem qualquer referência à revelação objetiva. Como resultado, há uma celebração do desespero. A crítica ao conservadorismo padece de uma “deficiência prática” e seus expoentes são obrigados a assumir uma postura incoerente quando sobem ao púlpito ou participam dos concílios de suas denominações. O fato é que a base bíblica para os argumentos dessas novas propostas é quase sempre inexistente e a teologia passa a ser uma poesia existencialista.

O ataque ao conservadorismo cristão continua como uma corrente ou uma onda impetuosa nos meios acadêmicos e literários. Ele abre sulcos profundos e abala alicerces previamente estabelecidos. O grande problema, porém, é que o terreno por onde essa onda tem passado é a igreja de Cristo e os alicerces abalados não foram fincados pela razão humana, mas estão explícitos na Escritura Sagrada e fazem parte da fé entregue aos santos.

Valdeci da Silva Santos é pastor da Igreja Evangélica Suíça de São Paulo e professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ).

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