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Acidente de percurso

Algum tempo atrás me ausentei de Viçosa para pregar em duas diferentes igrejas. O que vi e ouvi no que diz respeito ao casamento me deixou impressionado.

Na primeira igreja, uma viúva de aproximadamente 60 anos me contou que o marido era caminhoneiro e havia adquirido o vírus HIV em suas aventuras estrada afora. Porque se negava a fazer o teste, só descobriu que estava com aids menos de um mês antes de morrer. Ela mesma havia sido infectada pelo marido.

Outra senhora, alcançada pelo evangelho quando era menina de rua (a mãe, uma prostituta), queixou-se de que ela e o marido, homem sério, vivem na mesma casa, mas o casamento está em crise e eles não se falam, senão o essencial. Nem na igreja se sentam lado a lado.

Um dos oficiais da mesma igreja me apresentou a segunda esposa, com quem se casou depois que a primeira o havia traído diversas vezes.

O que mais me chocou, porém, foi ver o pastor daquela congregação sem a esposa. Ela o havia deixado quatro anos antes, não necessariamente por causa de outro homem. No primeiro ano depois da separação, a jovem senhora continuou a freqüentar a mesma igreja e dizia ao ex-marido: “Aceito-o como pastor, mas não como marido”. Pouco depois, nem como marido nem como pastor. Naquele domingo a única filha do casal, uma menina de cerca de 8 anos, estava com o pai.

Antes de vir embora, abracei uma ex-ovelha, de 74 anos, que eu havia batizado em Ubá, juntamente com a esposa, nos primórdios de meu ministério. A mulher que estava ao lado dele não era a que eu havia evangelizado. O primeiro casamento acabara e ele se casara com outra mulher.

Na viagem para a outra cidade, li na revista Ícaro que o ator americano Tom Cruise esteve casado três anos com Mimi Rogers, onze com Nicole Kidman e três com Penélope Cruz.

O motorista do táxi que me levou do aeroporto à rodoviária, conversa vai, conversa vem, me contou que tem quatro filhas, uma de cada mulher. Quando perguntei se era casado, disse-me que nunca assumiu compromissos matrimoniais. A primeira filha é fruto de uma aventura que começou e terminou em um único encontro. Ele era um adolescente de 15 anos e a mulher tinha 21. Com a mãe da segunda menina, viveu sete anos; com a mãe da terceira, cinco anos; e com a mãe da quarta, o ajuntamento já completou doze anos. O motorista tem 45 anos e diz: “Somos católicos de rótulo e, às vezes, vamos a uma igreja pentecostal”.

No ônibus, li o conto Noites Brancas, de Dostoiéwski, a história de um homem solitário de Petersburgo que se apaixona por uma moça chamada Nastenka, que lhe dá alguma esperança, mas depois volta-se para o primeiro namorado. Ali encontrei o óbvio: “Como o coração precisa de amor!” Em seguida, comecei a ler O Mal que Habita em Mim, de Kris Lundgaard. Traz uma das explicações para o insucesso do casamento: “A maioria prefere se entregar ao pecado do que optar pela dolorosa obra de tomar a sua cruz e nela pregar a sua carne”.

Antes de começar o culto, no sábado à noite, um pastor me lembrou de que havíamos trocado alguma correspondência no passado e se abriu: “Estou voltando, depois de um acidente de percurso...” Não entendi o que ele queria comunicar e permaneci discretamente calado. Depois, fiquei sabendo que aquele “acidente de percurso” fora muito doloroso para muita gente. O dito senhor, casado, com filhos, havia se apaixonado por uma mulher igualmente casada e com filhos, e com ela fugido de casa e da igreja. A louca aventura durou três meses e ele voltou para o lar, e a esposa, machucada, o recebeu de volta. O processo de disciplina eclesiástica está durando dez vezes mais tempo. De minha parte, acredito piamente que ele pode e deve obter o perdão de Deus e da igreja, caso tenha de fato se arrependido.

No dia seguinte, fui almoçar com uma família muito unida na fazenda que eles possuem perto da cidade. Lá estava a matriarca, uma senhora de 81 anos. Nem a idade nem o tempo decorrido conseguiram fazer com que essa mulher se esquecesse do trauma que abalou a família em dezembro de 1924, exatamente há 80 anos. O pai dela, um imigrante alemão, na data acima, saiu de casa em busca de emprego e nunca mais voltou. Até hoje, ninguém sabe se morreu, se regressou sozinho à Alemanha, se arranjou outra mulher ou se aconteceu qualquer outra coisa. Na época, essa senhora comemorava o seu primeiro aniversário e sua mãe estava grávida de quatro meses do segundo e último filho. O garotinho nasceu, cresceu e viveu a vida toda sem a figura do pai em casa.

Desde então a expressão “acidente de percurso” — que o Aurélio define como “fato imprevisto que não chega a perturbar uma ação ou um entendimento em curso” — não sai da minha cabeça. Pergunto a mim mesmo: “Posso chamar de acidente de percurso o adultério? Tenho o direito de chamar de acidente de percurso o mal que eu cometo contra o meu cônjuge, contra os meus filhos, contra as ovelhas que pastoreio e contra o Senhor? Posso chamar de acidente de percurso o mau exemplo que eu dou a todos os noivos e a todas as noivas aos quais pergunto solenemente ao celebrar os seus casamentos: ‘Você promete ser fiel em tudo ao seu cônjuge e nunca abandoná-lo, enquanto Deus for servido em conservá-los com vida?’”

Mesmo que a sociedade, a mídia e os “entendidos” deste mundo banalizem o adultério, os leitores das Escrituras Sagradas e os crentes em Cristo Jesus não têm esse direito. Adultério não é acidente de percurso: além de ser tragédia para a família e escândalo para a igreja, o adultério é pecado e quebra explícita do sétimo mandamento do Decálogo!



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