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Especial — A lei do celibato: uma cruz desnecessária

O celibato sacerdotal obrigatório não é bíblico, nem evangélico, virtuoso, razoável, pertinente, ou funcional. É uma teimosia histórica de Roma. O que não quer dizer que, quando não obrigatório, o celibato sacerdotal não possa ser bíblico, evangélico, virtuoso, razoável, pertinente e funcional para um número reduzido de religiosos e religiosas que o desejam interiormente e que recebem da parte de Deus o dom necessário para se abster alegremente do matrimônio.

Ao contrário do que escreveu o missivista Arthur Santos (veja “Cartas”, p. 11), Paulo não tem nada a ver com o celibato imposto pela Igreja Católica Romana. Basta ler o que ele escreveu aos coríntios: “Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro” (1 Co 7.7). Em outra carta, o apóstolo explica que o “epíscopo” (a pessoa que a exerce função pastoral) deve ser marido de uma só mulher e que governe bem sua própria família (1 Tm 3.1-5).

No início deste ano o Conselho Nacional de Padres da Austrália, que reúne cerca de metade dos 1.650 sacerdotes do país, solicitou ao Sínodo de Bispos do Vaticano que estudasse honestamente se seria apropriado continuar insistindo que o sacerdócio, com raras exceções, fosse obrigatoriamente condicionado ao celibato. A falta de padres na Austrália e nos países ocidentais é tão grande que um só padre é obrigado a assumir a responsabilidade de várias paróquias e a prorrogar o tempo de exercício do sacerdócio, adiando a aposentadoria. Aqui no Brasil, o país mais católico do mundo, segundo as estatísticas do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), “71,5% das comunidades católicas fazem sua celebração dominical sem padre, em proporção diferenciada para as comunidades urbanas (40%), da periferia (64%) e rurais (80%). Na prática, cerca de 70 mil comunidades eclesiais só têm celebração eucarística poucas vezes por ano” (Rhema, vol. 10, nº 33, p. 36).

Pouco antes da morte do papa João Paulo II, um dos mais conhecidos teólogos católicos, o suíço Hans Küng, publicou na revista alemã Der Spiegel uma contundente crítica à proibição do casamento aos homens que querem dedicar sua vida ao sacerdócio: “Este é apenas um exemplo de como este papa, assim como outros antes dele, está ignorando os ensinamentos da Bíblia e a grande tradição católica do primeiro milênio, quando não precisava haver título, cargo ou função nenhuma para fazer voto de celibato”.

O brasileiro Denis Lerrer Rosenfield, professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, reforça as palavras de Küng: “A instituição do celibato não é uma verdade sagrada, mas equacionou, na época em que foi criada, um problema específico, o da divisão de bens da igreja, que via suas posses diminuírem em sucessões infindáveis. O que foi um problema de tratamento de herança não pode se tornar uma questão de princípio.” (Folha de São Paulo, 20/04/05, p. 23.)

Uma das conseqüências do celibato obrigatório é a diminuição progressiva dos padres. Em breve, avisa Küng, “cerca de dois terços das paróquias, seja nos países de língua germânica ou nos outros, no mundo inteiro, não terão nenhum pastor ordenado, nem celebrações regulares da Eucarisitia”. Por morar em Tübingen, na Alemanha, há muitos anos, Hans Küng sabe muito bem que dos padres que lá exercem o sacerdócio 1.400 são oriundos da Polônia, Índia e África. “O número de novas ordenações de padres na Alemanha [metade católica e metade protestante] despencou de 366 em 1990 para 161 em 2003, e a média de idade dos padres em atividade atualmente já está acima dos 60”.

Além do problema da escassez de padres, Hans Küng chama a atenção para outra conseqüência do celibato obrigatório: “Para toda pessoa que, em virtude da função que ela ocupa, é forçada a passar a sua vida sem mulher nem filhos, existe um grande risco de ver fracassar uma saudável integração da sua sexualidade, o que pode conduzi-lo a praticar atos de pedofilia, por exemplo”.

O ex-professor de teologia ecumênica na Universidade de Tübingen tem toda razão: só no ano passado 1.092 novos contra o clero católico romano, por abusos sexuais, foram arquivados e, no mesmo ano, as igrejas católicas pagaram 157 milhões de dólares em acordos legais e outros custos relativos a abuso (Christianity Today, abril de 2005, p. 25).

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