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Colunas — Ponto final

Missão Jerusalém

Na luta contra as drogas, depois de muito tentar reprimir pontos de venda e caçar grandes traficantes, autoridades concluíram que o cerne do problema está na família do drogado: “Por que ele aderiu às drogas?” Descobriram também que a mesma lógica se aplica aos distúrbios da sexualidade, à violência, à pichação de muros e a tantos outros males da sociedade moderna. Todos surgem, preponderantemente, de fatores patológicos existentes nos lares.

Aos cristãos a descoberta não surpreende; nem sequer emociona. Ela é resultado da aplicação da “técnica da cebola” às ciências sociais e políticas, que consiste em ir retirando camadas para chegar ao cerne. A cada descoberta, são feitas as perguntas: “É possível retirar mais essa camada? Haverá algo importante mais ao centro?”

Preocupado com missões em minha igreja, resolvi experimentar “descascar” Atos 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Fica claro que a casca externa de nossa cebola é “os confins da terra”, e o centro, Jerusalém. Ora, Jerusalém é nosso lar, nossa igreja e nosso trabalho. Portanto, Jesus está nos prometendo o poder do Espírito Santo para “missionarmos” também aos nossos pais, filhos, irmãos e colegas de trabalho. Uma conclusão cristalina, mas surpreendente para crentes acostumados a identificar “missões” com outros povos e “ide” com distância.

Se tirarmos mais uma camada da cebola, o que teremos? Existe algo no subsolo de Jerusalém? Sim; chegaremos a um cristão comum, trancado em seu quarto, de rosto no chão, a suplicar ao “Senhor da seara” redenção para seu lar, sua igreja, seus colegas de trabalho. É nesse encontro sagrado que o Senhor revelará o verdadeiro cerne das missões: seu próprio coração de pai, que guarda uma motivação e uma ação. A motivação é o amor; a ação, a encarnação. E a resposta divina virá na forma de uma investidura: “Vá!” É isso que nos sugerem João 1.14, João 3.16 e Hebreus 1.1-2: Deus amou o mundo de tal maneira que decidiu enviar seu filho, o missionário por excelência, para “armar tenda” entre nós.

Sim, a primeira missão cristã começou numa humilde manjedoura, e nos ensinou que a encarnação é um processo de identificação associado à renúncia. Jesus é alguém que, motivado por obediência e afeição, decidiu abrir mão de suas coisas, transpor imensas barreiras e nascer em nosso dia-a-dia para, juntos (se aceitarmos), acharmos o caminho de volta para o Pai, o caminho da reconciliação (2 Co 5.18).

Agora já podemos explicar, a partir da técnica da cebola, como nasce um missionário. Na solidão de seu quarto, aquela alma comum — como a de uma mãe, de um pai, de um filho, de um membro de igreja — começa a pulsar na mesma freqüência do coração de Deus. Acometida do mesmo inexplicável impulso reconciliador, infectada pelo mesmo amor sacrificial, incendiada pelo mesmo desejo de transpor barreiras e ir buscar, ela se deixa ungir sacerdotisa de uma “ordem de serviço”. Atônita, ela ouvirá o Pai dizer:

Vá, ofereça o que eu lhe dei; perdoe como perdoei você; ensine o que eu lhe ensinei; discipule como foi discipulada; ame como eu a amei, pois você sairá deste quarto com a missão de sua vida: a “missão Jerusalém”. Cumpra-a com a motivação e o método de quem se importa e chega perto: amor e encarnação. Se você se dispuser a me ajudar a reconciliar comigo mesmo o seu cônjuge, os seus filhos, pais, amigos e irmãos, farei de você um missionário meu. Receberá poder do Espírito Santo para isso. Será minha testemunha. Em sua casa, em sua igreja e no seu trabalho. Terá, nas regiões celestiais, status de ministro. A partir da sua fidelidade, poderei escolher, então, alguns dentre seus filhos e filhas para enviar aos confins da terra. E lá, onde estiverem, terão o orgulho de dizer: “Fui treinado por meus pais”.


Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Igreja e Sociedade – o desafio de ser cristão no Brasil do século XXI e Icabode – da mente de Cristo à consciência moderna.
rubem@amorese.com.br


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