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Reflexão — Robinson Cavalcanti

Boto fé nessa igreja, apesar de...

Nem só

Nem só de teologia da prosperidade e de batalha espiritual vivem as igrejas protestantes no Brasil, graças a Deus. Nem só de ativismo, superficialidade, novidades sem fim, importações das últimas do Tio Sam. Há uma diversidade, uma riqueza de compromisso, de seriedade, de estudo, de trabalho missionário — espiritual e social — tantas vezes anônimo, graças a Deus. O “velho” evangelho que nos contaram nossos pais continua a ser pregado em arrependimento e fé em Jesus Cristo, como único Senhor e Salvador. Nem só de sincretismo e superstições (que fariam corar os reformadores e os pioneiros), nem só de “auto-ajuda” religiosa, ou de “indulgências protestantes” vive o nosso povo crente, graças a Deus. E o evangelicalismo — que não é a face moderada do fundamentalismo norte-americano, mas uma construção pós-reformada inglesa, muito mais antiga e muito mais sólida — não está moribundo, nem ultrapassado, mas está muito vivo, dinâmico, renovado, em expansão, no mundo inteiro, graças a Deus.

E uma nova geração, apesar da crise das utopias, sustenta a bandeira da missão integral da igreja, graças a Deus.

Ouvindo a nossa produção musical há muito “louvor” que faz doer os ouvidos dos anjos, porém há muito trabalho de conteúdo e de inspiração. Percorrendo as nossas “livrarias evangélicas” vemos a carência ou a publicação de muita coisa esquisita e de escasso conteúdo, mas, cada vez mais, encontramos obras sólidas (nacionais ou traduzidas) que lastreiam o pensar dos nossos líderes, graças a Deus.



Os nossos

Há algo muito “pitoresco” em relação aos autores anglicanos.
Em primeiro lugar, as livrarias protestantes e católicas romanas estão cheias deles em suas prateleiras, publicados por diversas editoras. Eles estão nas bibliotecas dos seminários e dos obreiros. É incomensurável a influência dos autores anglicanos evangélicos sobre o pensamento do protestantismo brasileiro, das mais diversas denominações. Todo mundo lê, cita, e reverencia John Sttot, J. Packer, C. S. Lewis, Michael Green, Allister MacGrath ou Christopher Wright, dentre tantos outros. A Bíblia de Genebra tem mais comentaristas anglicanos calvinistas entre os seus colaboradores do que mesmo presbiterianos. Fico entusiasmado quando vejo Packer publicando pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD). A influência da solidez dos autores anglicanos evangélicos não se restringe ao Brasil, mas é um fenômeno praticamente mundial, porque as raízes do evangelicalismo — desde o século 18 — estão na Inglaterra e no anglicanismo. E ainda hoje o evangelicalismo mundial tem sido conduzido, grandemente, pelo pensar fecundo dessa corrente na Comunhão Anglicana.

Em segundo lugar, outro dado pitoresco: ganha um prêmio quem encontrar livros de autores anglicanos que tragam na contracapa, ou em qualquer lugar em que estejam os dados pessoais, referências explícitas à denominação a que pertencem. Falam do seminário em que ensinam, que são “autores conhecidos”, e por aí vai. E qual é a denominação desse cara? Parte da deliberada omissão se deve ao velho problema do desconhecimento e do preconceito contra o protestantismo da Primeira Reforma (anglicanismo e luteranismo) por seguidores das reformas posteriores e seus desdobramentos atuais, inclusive em razão dos seus aspectos simbólicos, litúrgicos e de arte sacra. No entanto, pela expressiva presença do liberalismo teológico nessas denominações no Brasil e no mundo, e pela incompreensão do que seja uma denominação plural, ou “inclusiva” (que tem unidade no essencial, diversidade no secundário), ninguém quer se associar a essa gente.

É claro que há, ainda, um terceiro dado pitoresco nessa história, que é o fato de que os autores evangélicos anglicanos não são lidos e conhecidos pela maioria dos anglicanos no Brasil, nem os autores evangelicais luteranos pelos luteranos no Brasil, exatamente pela hegemonia liberal dessas denominações entre nós.

No que diz respeito aos anglicanos, a coisa se torna mais esquisita por ser o evangelicalismo, de longe, a maior, mais forte e mais difundida corrente de pensamento nesse ramo histórico e reformado. Os evangélicos “clássicos” (calvinistas e arminianos de vários matizes), juntamente com os carismáticos e os anglo-católicos conservadores formam um bloco ortodoxo de mais de 80% da Comunhão Anglicana, majoritário em pelo menos 150 dos 164 países onde estamos presentes, como se viu na votação da Resolução sobre Sexualidade Humana, na última Conferência de Lambeth (dos bispos do mundo todo, a cada dez anos) de 1998. No que diz respeito à Federação Luterana Mundial, a percentagem de evangelicais é menor, mas não menos importante.



A crise

Herdeiro do avivamento wesleyano e do movimento missionário, o protestantismo latino-americano tem sido hegemonizado pelo evangelicalismo nesses 150 anos de história (a ponto de, por aqui, “protestante” e “evangélico” serem sinônimos; situação ameaçada, principalmente, desde o ciclo das ditaduras militares, dos anos 1960-1970), pelo avanço do fundamentalismo, e por “bolsões”, ora crescentes ora minguantes, de liberalismo. Este chegou à Escandinávia e à Alemanha pelo luteranismo; à Suíça, Holanda e Escócia, pelo presbiterianismo; à Inglaterra, pelos batistas; e aos Estados Unidos, pelos congregacionais, o que tem se refletido na soteriologia universalista, no racionalismo da leitura bíblica e do relativismo moral que lhe são decorrências: primeiro, de uma ótica “moderna” e, agora, por uma ótica “pós-moderna”. A licitude, a ordenação, ou as bênçãos sobre uniões entre pessoas do mesmo sexo não são monopólios de nenhuma denominação (muito menos dos anglicanos), mas é parte de uma crise da civilização que a todos atinge, com suas variações locais.

No caso da Comunhão Anglicana, há uma expressiva maioria mundial ortodoxa, e uma limitada minoria liberal revisionista pós-moderna, liderada pela cúpula da Igreja dos Estados Unidos e parte da Igreja do Canadá, com fortíssima influência sobre essa denominação no Brasil, salvo a Diocese do Recife (de maioria ortodoxa), raiz de um sério conflito atual, de desdobramentos imprevisíveis.

As igrejas protestantes do Brasil não são poupadas pela “globalização” da cultura, inclusive religiosa, em seus aspectos positivos e negativos. Somos parte (ainda que periférica) dessa “aldeia global”, mas o cristianismo está se deslocando para o hemisfério sul, onde está mais vivo, mais dinâmico, mais bíblico e mais missionário.

É claro que muito “caminhão de dinheiro” nos vem do Norte, financiando tudo que é proposta, tentando os, assim considerados, complexados mestiços periféricos sub-remunerados. As bolsas de estudo, os livros, os congressos, as viagens, o status, o prestígio estão aí. Afinal, a “carne é fraca”, e o bolso, mais ainda...

Convertido há 45 anos, professo e militante há 41, acusado de ser “liberal” pelos fundamentalistas e de “fundamentalista” pelos liberais, mas nunca outra coisa do que um evangelical de carteirinha, ainda sou otimista, ainda boto fé no protestantismo brasileiro (um adolescente imaturo desajeitado), porque boto fé no Senhor dessa Igreja.

Que o Senhor nos mantenha firmes nas Sagradas Escrituras, no evangelho eterno, na dependência do Espírito Santo. Que o Senhor nos mantenha firmes nas tradições e nos livre do tradicionalismo. Que o Senhor nos una, nos amadureça e nos torne éticos e comprometidos, para impactarmos esse país e o mundo.

Nessa obra gloriosa, os evangélicos anglicanos, com séculos na estrada, humildemente têm dado uma contribuição. E estou certo de que continuarão a fazê-lo. Mesmo quando, tantas vezes, incompreendidos ou irreconhecidos...

Sola Scriptura!


Dom Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br


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