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Especial — A igreja brasileira e o sudeste asitático

Aceh

De todos os países do sudeste asiático atingidos pelo tremor de nível 9 na escala Richter que provocou as tsunamis no oceano Índico, o mais destruído é a Indonésia, onde há a maior concentração muçulmana do mundo. E a parte do país que mais sofreu é o distrito autônomo de Aceh. Afinal, o epicentro do tremor, equivalente à detonação de 2,5 milhões de bombas atômicas iguais à que destruiu Hiroshima há 60 anos, estava debaixo do mar, a apenas 150 quilômetros da costa de Banda Aceh, capital de Aceh. Somente nessa região, morreram no mínimo 95 mil pessoas, mais da metade de todas as vítimas. O número de crianças que, como Seda, perderam pai e mãe, é de 35 mil.

O Posto de Comando de Restauração da Educação de Banda Aceh informou que 380 escolas de todos os níveis, da pré-escola às escolas técnicas, construídas na parte baixa da região, foram afetadas ou destruídas, e que cerca de 60 mil crianças e adolescentes em idade escolar deverão continuar seus estudos em caráter emergencial, em tendas construídas por organizações não-governamentais da Indonésia e por dez outras organizações mundiais.



O que tudo isso significa

A psicóloga Elizabeth Carll, da Sociedade Internacional de Estudo do Estresse Traumático, explica que as crianças são as principais vítimas da tragédia, pois “viram seu mundo desabar, perderam parentes, casa, amigos; perderam referência de tudo que era familiar”. Outra psicóloga lembra que toda a sensação de segurança dessas crianças simplesmente sumiu de um dia para outro. A voz unânime dos especialistas é que as vítimas levarão anos para conseguir lidar com o luto causado pelas tsunamis. Sejam crianças ou adultos, os afetados sentem ansiedade, medo, tristeza profunda e vontade de fugir da realidade. Pescadores, por exemplo, sentirão por algum tempo medo de voltar ao mar.



Jesus e a dor alheia

O sofrimento alheio afeta profundamente as pessoas mais sensíveis e de índole caridosa. E, conseqüentemente, toma-lhes muito tempo. A reação de Jesus frente aos deficientes físicos e aos doentes deveria chamar a atenção dos cristãos com muito mais intensidade. Duas vezes em seu Evangelho, Marcos registra que Jesus e seus discípulos não tinham tempo para comer por causa da busca frenética de cura por parte de multidões de pessoas sofridas. Numa dessas ocasiões, os familiares de Jesus, preocupados com sua saúde e seu bem-estar, vieram de Nazaré a Cafarnaum (uma distância de 48 quilômetros) para levá-lo à força para casa (Mc 3.20-21). Tudo indica que essa movimentação causou um certo impacto em Marcos, levando-o a relatar: “Havia muita gente [sofrida] indo e vindo, ao ponto de eles [Jesus e seus discípulos] não terem tempo para comer” (Mc 6.31). Na segunda ocasião não foram os familiares de Jesus que tentaram tirá-lo do meio dos necessitados. Foi Jesus mesmo quem tomou a iniciativa de propor um intervalo naquele corre-corre: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco” (Mc 6.31). O contexto mostra que a iniciativa não teve êxito, pois, quando Jesus chegou ao tal lugar deserto, do outro lado do lago de Genesaré, o sítio já não estava deserto, porque para lá havia afluído por terra “uma grande multidão” (5 mil pessoas sem contar mulheres e crianças). Eram “ovelhas sem pastor”, e Jesus teve compaixão delas e gastou o dia inteiro abastecendo-lhes a alma com a Palavra de Deus e o estômago com pães e peixes (Mc 6.32-44).



Cheiro de morte

As primeiras equipes de socorro, formadas de indonesianos e de voluntários de vários países, enfrentaram em Aceh uma situação tão ou mais difícil que aquela que Jesus enfrentou na Galiléia. Elas lidaram com pessoas mortas e pessoas vivas. Talvez a maior dificuldade tenha sido o cheiro de morte, aquele cheiro que tomou conta do rio Nilo depois da primeira praga, quando a água fluvial foi transformada em sangue (Êx 7.18), e que tomou conta da terra do Egito depois da segunda praga, quando as rãs mortas foram amontoadas em diversos lugares (Êx 8.14). É o mesmo cheiro a que se referiu Marta, irmã de Lázaro: “Senhor, ele [Lázaro] já cheira mal, pois [morreu] já faz quatro dias” (Jo 11.39). No caso de Aceh, o cheiro dos mortos misturava-se com o cheiro dos animais e peixes mortos. Os voluntários que foram trabalhar num sítio próximo a uma refinaria tiveram de suportar o cheiro de morte misturado com o cheiro de petróleo e tiveram ânsias de vômito. Para agüentar o fedor da morte e se proteger de alguma infecção via oral, todos usavam o tempo todo máscaras cirúrgicas.

Entre os voluntários, estava uma pequena equipe da ONG brasileira cujo nome é muito sugestivo por formar o imperativo do verbo amar: AME (Associação Missão Esperança). Essa associação de pessoas físicas, com sede em São Paulo, tem como objetivo prestar serviços aos povos do Timor Leste nas áreas educacional, social e emocional. Foi fundada em 2002 pela indonésia Margaretha Adiwardana, radicada no Brasil há vários anos, para onde veio para trabalhar numa multinacional, graças à sua capacidade profissional e lingüística.

Em um de seus relatórios, o brasileiro Ricardo Gomes Gutierrez, de 43 anos, casado, três filhos, cirurgião buco-maxilar e um dos pastores da Igreja Presbiteriana de Tamboré, município de Alfaville, São Paulo, escreve: “Estamos dormindo num posto de saúde de quatro salas, onde dormem mais de 30 pessoas, rodeados de pacotes de ajuda de todos os países do mundo”. O trabalho é incessante: certo dia, a médica Endang Inawaty Adiwardana, de 50 anos, funcionária dos postos de saúde de São José dos Campos e Jacareí, no Estado de São Paulo, presbítera e esposa do pastor da Igreja Cristã Injili, em Mogi das Cruzes, atendeu 82 pessoas. No dia seguinte, foram 99.

Como há voluntários de muitas nações, aquela região assolada virou uma babel de línguas. “É muito bonito”, diz Ricardo, “ver o mundo inteiro socorrer os indonésios”. Metade das enfermeiras são as muçulmanas locais, “muito eficientes e simpáticas”, elogia o cirurgião brasileiro.



O que fazer primeiro

Nem sempre é fácil detectar o que é mais urgente em meio à catástrofe. As necessidades são muitas e em várias áreas. Todas parecem igualmente urgentes. Mas o que o pessoal da organização Jovens com Uma Missão (JOCUM), fundada nos Estados Unidos, em 1960, por Loren Cunnigham e presente em dezenas de países, inclusive no Brasil (desde 1975), está fazendo na parte da Índia atingida pelo maremoto é particularmente relevante. Eles estão ajudando as pessoas a lidar com a tristeza. O alvo naturalmente é ensinar-lhes a quase impossível arte que Paulo aprendeu: “Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Está implícito que os missionários da JOCUM já aprenderam essa arte delicada e difícil, bem como outra arte igualmente complicada, a arte do antegozo (Veja “Pastorais”). Se sem tragédia alguma não é fácil lidar com eventuais motivos de tristeza, quanto mais depois de uma catástrofe de tão grandes proporções como a que se abateu sobre a Ásia no dia seguinte ao Natal! O verdadeiro crente tem a obrigação de conhecer essa arte e fazer uso dela. De forma alguma, Paulo está sozinho no domínio e no aproveitamento da arte de viver contente em toda e qualquer situação. Cerca de 700 anos antes, o profeta Habacuque mostrou-se um expert na superação de circunstâncias trágicas:

Embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pelos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha salvação! O Senhor Deus é a minha força. Ele me dá a velocidade da corça e me guia em segurança por sobre as montanhas (Hc 3.17-19, BV).



O mesmo se pode dizer do autor do Salmo 46:

[Porque Deus é nossa proteção e nossa força], ficaremos tranqüilos, mesmo se houver grandes enchentes e terremotos tão fortes que façam tremer os montes mais altos” (Sl 46.3, BV).

O pessoal da JOCUM está ensinando às vítimas do tsunami a dificíl arte de “transformar tristeza e sofrimento em alegrias e bênçãos” e o litoral malcheiroso e destruído em “lugares cobertos de flores e frutos” (Sl 84.5-7, BV).



Redes e barcos de pesca

Mas a JOCUM não está apenas enxugando lágrimas. Ela está fazendo coisas mais fáceis, porém muito importantes, como limpar as praias e consertar redes e barcos de pesca, já que a pesca é o ganha-pão das populações litorâneas, as mais atingidas. Ricardo Gutierrez relata que um dos barcos lançados pelas ondas gigantes a quase 5 quilômetros para aquém da praia mede cerca de 30 metros de comprimento. “Quanto mais depressa as crianças voltarem à escola e os pescadores voltarem ao mar, mais rapidamente os traumas provocados pela tragédia diminuirão”, dizem os médicos de saúde mental. Naturalmente os homens do mar sentirão medo de retornar ao mar, mas, “enquanto os trabalhadores não conseguirem lidar com o trauma, comunidades inteiras serão afetadas”, avisa o professor de psicologia Richard Heaps. Em alguns casos, a JOCUM é obrigada a doar novos barcos. (Paul Martin, o primeiro governante ocidental a visitar a região, diz que só na Tailândia 4.500 barcos de pesca desapareceram.)

Justiça seja feita. O mundo de fato se compadeceu da região afetada pelo maremoto de 26 de dezembro. Organizações religiosas e seculares, grupos de pessoas e particulares, nações ricas e pobres, organizações internacionais e organizações não-governamentais — todos fizeram e ainda estão fazendo alguma coisa.

Tanto a JOCUM brasileira como a AME estão recrutando mais brasileiros para passar algum tempo no sudeste asiático. Bráulia Ribeiro, presidente nacional da JOCUM, esclarece que no momento “um profissional de saúde naquelas áreas vale seu peso em ouro”. Ela está organizando dois tipos de força-tarefa: uma equipe de voluntários na área de saúde (médicos, enfermeiros, parasitologistas etc.) para passar de um a três meses na região, e outra de voluntários na área de construção (pedreiros, carpinteiros, bombeiros, eletricistas etc.) para permanecer de um a três anos. Já Margaretha Adiwardana, presidente da AME precisa muito de passagens aéreas para tornar possível o envio de voluntários médicos e enfermeiros. Uma das possibilidades é a doação de milhas aéreas.

Deus livre a igreja brasileira da omissão e da falta de sensibilidade com o sofrimento alheio. Afinal, temos uma grande dívida com as nações daquela região porque essas tragédias são freqüentes lá, e não aqui.

Para contato com:
AME – meiske@terra.com.br
JOCUM – brauliaribeiro@jocum.com.br

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