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Reflexão — Valdir Steuernagel

Uma nova visão, um novo coração, um chamado renovado — Fórum Mundial de Evangelização

Achando uma âncora

Eu me sentia perdido em meio a tanta gente desconhecida. Estar fora do ninho sempre me traz desconforto. Aliás, quando embarquei em Curitiba rumo a Pattaya, na longínqua Tailândia, eu não estava muito animado. Fui por “cargo do ofício” e não esperava muito de um evento que não parecia mobilizar setores significativos da Igreja mundial. Quem, afinal, no Brasil, ouvira falar de um novo encontro patrocinado pelo Movimento de Lausanne? Haveria ali setores representativos da Igreja na América Latina?

Ao tentar localizar o meu quarto no enorme hotel, vi os participantes do congresso já ativos nos seus respectivos grupos de trabalho, que representavam o coração do encontro. A mim tinham dado o status de Senior Advisor, com a liberdade de meter o nariz no grupo que considerasse interessante e adequado.

Acabei me integrando num grupo de trabalho que me pareceu fascinante e se intitulava O impacto na missão global do nacionalismo religioso e a realidade após o 11 de setembro. Havia ali gente da Índia e do Cazaquistão, de Cingapura e dos EUA, da Malásia e de Bangladesh, e percebi logo que tratavam de um assunto que lhes era extremamente significativo e que nós, os brasileiros, não conseguimos identificar no radar das nossas preocupações.Veja algumas coisas que eu notei:

— Os efeitos do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, concretizado na destruição das torres gêmeas em Nova York, são enormes e avassaladores. Não só o mundo já não é o mesmo, como já não são os mesmos a realidade da Igreja e o contexto em que ela vive. Ser igreja tornou-se mais sensível e difícil em vários lugares do mundo, especialmente onde impera forte tensão religiosa.

— A guerra do Iraque não apenas tornou os americanos bastante suspeitos, como também colocou a fé cristã sob a suspeita de estar identificada com as forças agressoras.

— A afirmação da identidade nacional em vários países está sendo associada a uma respectiva expressão religiosa. Ser cidadão da Índia, então, significa ser hindu. Alguém da Sri Lanka deve ser budista; do Cazaquistão, muçulmano; e da Rússia, ortodoxo. Essa tendência torna a existência da igreja cristã e de outros grupos minoritários nesses lugares extremamente difícil e conflitante.

O fato é que nós, mesmo distantes dessa realidade, não podemos ficar alheios dela.



Um pouco do Movimento de Lausanne

Fiquei surpreso com o expressivo número de participantes do Fórum Mundial de Evangelização, que juntou 1.500 pessoas provenientes de 130 países. Mesmo que poucos brasileiros e latino-americanos estivessem presentes, as muitas faces indianas e as distintivas roupas africanas davam testemunho da internacionalidade do encontro.

O Movimento de Lausanne tem uma história bonita, mas também uma inegável dificuldade, nos últimos anos, de manter seu significado e sua convocatória. Nesse Fórum, a pergunta pela continuidade do movimento e acerca da sua capacidade de reinventar-se, retomando a agenda da evangelização mundial, estava uma vez mais sobre a mesa. A nova liderança do Movimento será chamada, muito logo, a dar resposta a essa inquirição e expectativa.

O Congresso Mundial de Evangelização realizado em Lausanne, na Suíça, em 1974 gerou um momento e um movimento de grande importância para o evangelicalismo e para a Igreja mundial. Algumas das suas afirmações continuam a ser significativas:

a) A missão da Igreja precisa ser integral e modelar-se pela vida e pelo ministério de Jesus;

b) A missão da Igreja precisa ser contextual, e a emergente igreja no sul do mundo precisa ser abraçada, integrada e fortalecida;

c) A missão da Igreja precisa ser e representar um esforço comum de toda a Igreja universal;

d) A Igreja nunca pode esquecer-se da sua tarefa evangelizadora nem de acentuar a prioridade da evangelização em seu meio, resistindo à tentação de ser uma igreja voltada para si mesma;

e) A igreja é chamada para a missão pelo Deus triúno, que, como Pai, Filho e Espírito Santo, a inspira, desafia e envia, conforme o claro e imperativo testemunho das sagradas Escrituras.

O FME endossou essas afirmações, acrescidas da convicção de que elas precisam ser integradas na Igreja de nossos dias a partir da realidade e dos desafios de hoje. Isso foi feito estabelecendo-se uma grande variedade de grupos de estudos, entre os quais se destacavam:

A missão integral da Igreja;
A realidade da igreja perseguida;
Povos e grupos em situações de risco;
Povos escondidos, esquecidos e incapacitados;
Famílias não-tradicionais;
Transformações de cidades e favelas;
A Igreja no mundo dos dois terços;
Espiritualidade religiosa e não-religiosa;
Nacionalismo religioso;
Oração no evangelismo;
Negócios como missão;

Essa grande quantidade de assuntos — apenas um extrato dos 31 temas que determinaram o andamento de consultas específicas durante a conferência — é um indicador da complexidade e dos desafios do mundo no qual vivemos.



O mundo mudou, e a Igreja também

Esse encontro proporcionou aos participantes um encontro com um mundo que se tornou mais complexo, tenso e conflitante. Não que as décadas passadas tenham sido fáceis, mas as faces de tensão se diversificaram e multiplicaram. As guerras tribais tornaram-se mais freqüentes e os nacionalismos religiosos, mais abundantes. O crescimento da fé muçulmana e a realidade da militância fundamentalista, em diferentes expressões religiosas, são hoje uma realidade inegável. O avanço da pobreza e a ausência de uma liderança política que lhe ofereça alternativa, bem como a crescente epidemia da aids, que mata diariamente milhares de pessoas, apontam para uma realidade de morte, violência, sofrimento e desesperança. O mundo não é feito apenas por aqueles que vivenciam o progresso, fazem negócios no nível global e são arautos de inovadoras e cativantes tecnologias. As ruas do mundo testemunham o andar cansado dos desempregados, o passo errante dos adolescentes que precisam dar conta de sustentar seus irmãos, os idosos abandonados, as famílias desencontradas e uma multidão assustadora de pessoas e grupos de povos pobres, desiludidos, irados e profundamente cansados.

É nesse mundo que o evangelho nos chama a viver igreja. Enquanto a igreja brasileira cresce e se expande no nível geográfico e social, o pequeno grupo de cristãos no Bangladesh busca por caminhos que viabilizem sua existência e sobrevivência. Enquanto nós aprendemos a enviar missionários, o pequeno grupo de irmãos no Vietnã enfrenta um governo que vai apertando o espaço de vivência dos cristãos. E isso em meio à grande surpresa de uma igreja chinesa que se dispõe a enviar 100 mil missionários para o Oriente Médio! De tudo isso fazemos parte e nada disso podemos ignorar, o que se constitui num grande privilégio e numa grande responsabilidade.



O desafio continua

O lema que acompanha Lausanne diz que a Igreja toda é chamada a levar o evangelho todo a todos os povos. O que se disse ontem, ainda se diz hoje e consiste num resumo bonito e intenso da vocação missionária da Igreja. Assim, o FME afirmou novamente:

— O evangelho de Jesus Cristo, impregnado de salvação e esperança, precisa ser compartilhado com todos e em todos os lugares;

— O privilégio e a tarefa desse compartilhamento, Deus dá à Igreja, que deve realizá-la com um sentido de urgência e integralidade;

— Essa missão precisa ser levada a cabo em conjunto, sob a palavra e a bênção do Deus Trino — Pai, Filho e Espírito Santo.

Foi bom ouvir essas afirmações e comprometer-se com tudo isso outra vez, num novo Fórum Mundial de Evangelização, que teve como tema “Uma nova visão, um novo coração e um chamado renovado”.


Valdir Steuernagel é pastor luterano, trabalha com a World Vision International e com o Centro de Pastoral e Missão, em Curitiba. É autor de, entre outros, Para Falar das Flores... e Outras Crônicas.

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