Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Ponto final

A verdadeira adoração

O ser humano não pode amar a Deus como Ele quer e espera ser amado. Não pode incorporar-se à comunhão da Trindade e ser um com ela, de alma, coração e pensamento, como parece ser o pedido de Jesus ao Pai, em sua oração sacerdotal de João 17. Tem de haver algum interesse humano, seja o “tesouro no céu”, seja a “glória futura”, seja “o que jamais penetrou em coração humano”, seja o medo do inferno ou castigos já nesta vida. É desanimador o mandamento de Deuteronômio 6, que recomenda um amor integral a Deus. É cruel, portanto, o ensino de 1 João 4, quando diz que só aprenderemos alguma coisa de Deus se o amarmos, pois Ele é, em essência, puro amor.

Muito além de pensamentos diabólicos, que vez por outra acometem todo cristão, estamos resumindo um terrível desafio espiritual, sutilmente apresentado por Satanás no livro de Jó: “Retira seus interesses e seguranças e ele, ressentido, te amaldiçoará na tua face” (Jó 1.11, paráfrase).

Pascal dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Sábio, ele quis penetrar no jardim das emoções humanas. Em especial, em sua busca de compreender e expressar o belo; de saber por que Deus nos deu tão perigosas e sublimes capacidades.

Tenho pensado sobre o assunto. Louvor, Adoração e Liturgia, livro que a Editora Ultimato está lançando, procura refletir sobre as razões do coração do adorador. Por exemplo, dou o nome de “síndrome de Jonas” ao fenômeno do louvor sem adoração. Isso é possível? Entendo que sim. Jonas, ao contrário de Jó, diz coisas teologicamente corretas — a Deus e sobre Deus —, mas com um coração ressentido. Como adorar em plena ira? Como adorar estando “de mal”? Como adorar a Deus em discordância com o que Ele é e faz? Como adorá-lo enquanto me doem a solidão, o desemprego, a doença sem cura, o casamento adoecido?

Trata-se de um livro de pensamentos. Portanto, sem rigores acadêmicos. Nem ao menos como pretendeu ser o Celebração do Evangelho. Pensamentos edificantes, espero. Consoladores, quando dirigidos aos novos ministros de louvor, que lutam diariamente com os problemas da culpa verdadeira, a ser tratada com contrição, confissão e fé, e da “denúncia vazia”, falsa acusação do inimigo. Muitos, de tão jovens, não sabem o tamanho do desafio que enfrentam, ao ministrar louvor em suas igrejas. Tento ajudá-los. Queira Deus que se sintam estimulados a olhar para as razões de seus próprios corações e levar para esse jardim secreto o sobrenatural amor de Deus, que é derramado pelo Espírito Santo (Rm 5.5) e que faz nascer a esperança que não confunde, parecida com uma pérola em sua concha; resultante de um doloroso cisco que penetrou na ostra. De um lado, está a carcaça da fé, que vê o invisível e se orienta por ele; de outro, a do amor, dom inefável de segurança e significado. A concha é forte e resistente, para abrigar em seu íntimo, frágil e preciosa, a pérola da esperança.

Veja do que estou falando: tente vislumbrar, pela revelação bíblica, as “razões do coração” de Jó, que, coberto de cinzas e vestido de saco... adora, do fundo de sua dor. Permanece “de bem” com Deus (e não lhe atribui falta alguma).

Não será esse o pensamento de Jesus, na conversa com a mulher samaritana, em João 4? Fico a pensar que havia uma missão de resgate e reconciliação a cumprir em Samaria. Resgatar os samaritanos de seus corações amargurados e “de mal” com Deus. Instaurar um tempo de verdadeira adoração. Uma hora que viria — sem, no entanto, ainda haver chegado —, em que não haveria liturgia (Sicar ou Jerusalém) necessária para isso. Uma hora que já havia chegado, em que Deus, em Cristo, mudaria seus corações, libertando-os para adorar em espírito e em verdade: curados da “síndrome de Jonas”; íntima e verdadeiramente “de bem” com Deus. Tempo de profunda e inexplicável alegria. Tempo de paz.


Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Igreja e Sociedade – o desafio de ser cristão no Brasil do século XXI e Icabode – da mente de Cristo à consciência moderna.
rubem@amorese.com.br


QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.