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Seções — Vamos ler

A igreja e a 7ª arte
Carlo A. L. Carrenho

Lembro-me de alguns filmes mais do que da maioria dos sermões que ouvi, provavelmente porque eles colocam ‘carne’ no ‘esqueleto’ das idéias abstratas sobre como a vida deveria ou não deveria ser vivida.” A afirmação é do roteirista de cinema norte-americano Brian Godawa no prefácio de Cinema e Fé Cristã: vendo filmes com sabedoria e discernimento, livro de sua autoria recém-lançado no Brasil. Para Godawa, é extremamente clara a importância das histórias e das narrativas. “Se você não tem uma boa história, não terá um bom filme”, afirma o autor. “Não é surpresa que Jesus tenha usado parábolas e histórias para ilustrar suas lições e explicar a natureza inexplicável do reino de Deus aos seus seguidores”, continua.

Apaixonado por histórias, Godawa obviamente defende o cinema em seu livro — “Rejeitar completamente qualquer uma das artes é rejeitar a imagem de Deus na humanidade”, sentencia. O autor, no entanto, parte de uma análise da relação que os cristãos têm com a sétima arte para construir a estrutura do livro. Na visão do roteirista, os cristãos tendem a ser glutões culturais ou anoréxicos culturais. Ou seja, parece que assumem uma dessas duas posturas radicais: ver todos os filmes ou evitar todos eles. Godawa, então, defende o equilíbrio e procura mostrar como podemos avaliar os filmes com sabedoria e discernimento.

A obra divide-se em três partes. Na primeira, “Histórias nos Filmes”, o autor analisa a importância das histórias, seus aspectos mitológicos e como elas refletem visões de mundo. Ainda nesta parte, o conceito de redenção ganha uma capítulo inteiro, já que Godawa acredita que “a narrativa de histórias nos filmes resume-se à redenção, isto é, à recuperação de algo perdido ou obtenção de algo necessário”.

Na segunda parte, “Visões de Mundo nos Filmes”, são apresentadas brevemente as filosofias que prevalecem no existencialismo e pós-modernismo para que o espectador possa entendê-las quando as vir retratadas nas películas atuais. Finalmente, na terceira parte, “Espiritualidade nos Filmes”, Godawa examina como os diferentes elementos do Cristianismo são tratados pela sétima arte. Esta última parte analisa como os cristãos e a fé cristã costumam ser retratados nos filmes — seja de forma positiva ou negativa —, discute como os filmes lidam com anjos, demônios, céus e inferno, e investiga como os filmes tratam da natureza da fé.

Além disso, há dois apêndices muito interessantes. No primeiro, Godawa avalia a presença de sexo, violência e linguagem obscena na Bíblia. Sua conclusão é que, assim como os filmes, as Escrituras não estão isentas de relatos detalhados e descrições de atos imorais. Após abordar a linguagem do livro de Cantares, Godawa escreve: “Alguns pregam que os cristãos não deveriam ver filmes com cenas de sexo. Porém, segundo os critérios de proibição desses pregadores bem intencionados, os membros de sua congregação talvez também não deveriam ler muito essa porção das Escrituras [Cantares].” É claro que o autor não está defendendo que os cristãos vejam filmes pornográficos, mas apenas lembrando que a existência de uma cena de sexo em um filme não significa necessariamente que o filme seja imoral. Tudo depende da mensagem que se quer passar e do contexto. O segundo apêndice aborda o filme “A Paixão de Cristo”.

Um aspecto negativo do livro é que são feitas poucas referências a filmes produzidos fora dos Estados Unidos e a filmes “de arte”, como o próprio autor já avisa em seu texto introdutório. Com isso, o cinema europeu, que tanto influenciou o cinema brasileiro, não é abordado. Muito menos o próprio cinema nacional. Fica aqui então a sugestão para a editora incluir um apêndice escrito por algum brasileiro sobre o cinema nacional em uma possível segunda edição. No entanto, bombardeados que somos por Hollywood, Cinema e Fé Cristã é sem dúvida uma obra de extrema relevância para a Igreja brasileira. Até porque a Igreja protestante nacional muitas vezes parece viver à margem da cultura e das artes produzidas no País, contrariando o espírito que permeia a obra de Brian Godawa. Afinal, a opinião do autor sobre a relação que os cristãos devem ter com a arte e a cultura é muito clara: “Não devemos apenas criticar a cultura. Precisamos transformá-la quando nos envolvemos com ela.”


Publicado originalmente no site www.teologiabrasileira.com.br

Carlo A. L. Carrenho é um economista que virou editor de livros que virou jornalista. É editor da Carrenho Editorial, do PublishNews e do portal Teologia Brasileira.





Cientistas nada científicos
Karin Wondracek

Acabo de ler um livro que muito me impactou — talvez ler não seja o verbo adequado, pois “devorei” as páginas à medida que percebia o quanto o tema é importante para nós. Trata-se de Ciência, Intolerância e Fé, de Phillip E. Johnson.

O livro faz uma abordagem séria e ao mesmo tempo acessível do conflito de fundo entre ciência e fé, mostrando que, mais do que ter respostas, é necessário aprender a fazer as perguntas corretas. Dessa forma, desmascara pressupostos tidos como “científicos”, mas que constituem crenças do materialismo ou naturalismo, e que, se não forem postos na mesa, dificultam a compreensão do que é crença e do que é ciência.

O autor faz uma hermenêutica da suspeita sobre pilares quase “sagrados” dos pressupostos, denunciando reducionismos tanto das ciências quanto das teologias. Ele convoca cientistas, teólogos e estudiosos das ciências humanas a repensarem os pressupostos que norteiam sua formação, convidando-os a encontrar os alicerces que podem embasar sua ciência e sua fé.

Para o materialismo, os pressupostos estão ancorados na crença — o autor explica o porquê de chamá-la assim — num início sobre partículas, dispostas ao acaso, e assim por diante. Phillip Johnson mostra a profunda racionalização oculta nesta assertiva e desmascara os mecanismos defensivos, como negação e ironia dos demais sistemas, usados para manter essa crença.

O autor amplia a compreensão científica de considerar o início do Universo sobre um relacionamento que Deus estabelece e a partir do qual Ele cria. Com muita propriedade e uma linguagem acessível, tece as conseqüências para a biologia, a psicologia e as demais ciências de se considerar esse pressuposto da teologia judaico-cristã e mostra que há motivos cientificamente aceitos para se atentar para essa hipótese.

Recomendo a leitura e a discussão de Ciência, Intolerância e Fé para:

Estudantes — desde o adolescente que estuda biologia, física, psicologia até o doutorando, pois todos são mergulhados em crenças materialistas, apresentadas de forma mesclada com as teorias científicas.

Profissionais e cristãos em geral — aqueles que entram em contato com a ciência, tanto pela mídia que a endeusa, como pela pesquisa acadêmica de ponta, e que por vezes se sentem sem condições de pensar logicamente e seguir crendo.

Pastores, teólogos e líderes de jovens — que queiram aprender a dialogar com gente que pensa e pergunta.

Phillip Johnson mostra que é possível, por meio da pesquisa e do pensamento científico sério, conhecer mais a Deus e louvá-lo pela sua criação.


Karin Helen Kepler Wondracek, psicanalista, é membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos. É autora de O Futuro e a Ilusão (Vozes) e tradutora de Cartas entre Freud e Pfister (Ultimato).

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