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Reflexão — Robinson Cavalcanti

Vale a pena “qualquer maneira de amar”? — O presidente, os gays, os cristãos e a Bíblia

O governo

O presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, informou a imprensa nacional o teor de sua carta enviada aos organizadores da Parada Gay de Brasília, citando trecho de uma música de Milton Nascimento, que diz: “Qualquer maneira de amar vale a pena”. É óbvio que a expressão “qualquer” é uma figura de retórica — ou um exagero — pois o vocábulo é de absoluta inclusividade. Algumas “maneiras de amar” estão, até, tipificadas em nosso Código Penal e na legislação penal dos países civilizados. A ausência de ilícitos ou de limites da frase poética denota o hedonismo ou o pansexualismo da cultura ocidental contemporânea, que, tragicamente, já adentrou a igreja.

Para a teologia, a ética e o direito, nem todas as maneiras de amar valem a pena — em alguns casos, valem uma pena(lidade) e, em outros, denotam desvios de condutas, patologias, pecados. O “amar” da frase pode ser entendido apenas como atração físico-afetiva, estrito senso, sem outras considerações maiores. Diante da “celebração” da Parada do Orgulho Gay da cidade de São Paulo — a “maior do mundo”, com estimados 1,5 milhão de participantes —, em que as “autoridades menores” já subiram nos trios elétricos com a mensagem da “autoridade maior”, percebe-se que há algo de podre não só no Reino da Dinamarca, mas também na República Federativa do Brasil.

Nos últimos anos, por orientação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), a delegação brasileira junto à Organização das Nações Unidas (ONU) vem insistindo na proposta de inclusão da expressão “orientação sexual” entre os direitos inalienáveis. O Vaticano, os países islâmicos e a maioria dos países do hemisfério sul se manifestaram contrários à proposta, que recebeu o apoio dos países pós-cristãos do hemisfério norte. Os desdobramentos na legislação civil e penal dos diversos países, caso tal proposta fosse aprovada, poderiam incluir o casamento de homossexuais, o direito à adoção por homossexuais e a criminalização de qualquer opinião contrária, inclusive na esfera religiosa. Por sua vez, a Secretaria Nacional pelos Direitos Humanos acaba de anunciar uma campanha institucional “Por um Brasil Não-Homofóbico”. Como se pode constatar, aqui também o fenômeno mundial chamado lobby gay se afigura com crescente poder e influência.



Pão e circo

Como fui cobrado publicamente por uma respeitável ONG evangélica, incluído em uma lista de pastores que votaram no atual presidente da República nas últimas eleições (no meu caso, em todas as eleições presidenciais em que ele concorreu), venho, também de forma pública, desassociar-me desses posicionamentos do governo federal, expressando a minha discordância e veemente condenação a tais procedimentos.

Como os leitores de Ultimato sabem, não estou mais filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1997, em razão da minha eleição para o episcopado anglicano. Tenho memórias positivas de um passado de lutas pelo Estado democrático de direito, pela soberania nacional e pela justiça social. Tenho também percepções cada vez mais negativas da ruptura ideológico-programática desse partido, o seu pacto com as elites, os seus acordos com as oligarquias regionais e o seu aprisionamento pelo sistema nacional e pelo sistema internacional. A miséria, a fome, a falta de saúde, de educação, de saneamento, de oportunidade de trabalho, a opressão e a exclusão continuam inalteradas em um país socialmente pecaminoso, para o que também concorre a omissão ou cooptação das igrejas, por parte de suas lideranças. Ao que parece, o realismo governamental tem incorporado a máxima romana: “Pão e circo”. Na falta de pão, mais circo...

Os inúmeros acordos, nem sempre éticos, mas clientelísticos, entre lideranças eclesiásticas e políticos evangélicos com a atual (e qualquer outra) administração têm resultado em um silêncio culposo nada profético diante do continuísmo da esgotada política econômica (macro e micro), da tibieza das políticas sociais e do neo-empreguismo no aparelho do Estado. Essa promiscuidade política tem, de certo, concorrido para a inexplicável omissão dessas lideranças, tanto diante da proposta do Itamaraty, como da defesa das “formas de amar”.



Ideologias

O vazio das utopias políticas, os resquícios da revolução cultural dos anos 60 e do movimento pelos direitos humanos, o deslocamento filosófico da “razão” para a “experiência”, com a pós-modernidade, resultaram, entre outros fatores, na nova utopia do pansexualismo e na ideologia pró-homossexual, como a mais poderosa ideologia mundial, depois do nazi-fascismo e do marxismo-leninismo. Pobre mundo... Triste geração... O Executivo, o Legislativo, o Judiciário, a academia, a mídia e as igrejas são palcos desse novo embate ideológico, do qual ninguém consegue escapar.

Uma coisa é o Estado laico (sem igreja oficial) e o pleno direito civil de todos os cidadãos, em igualdade perante a lei, e cuja defesa, diante das discriminações da Constituição Imperial de 1824, foi uma bandeira histórica de lutas do protestantismo brasileiro. Uma coisa, também, é a defesa da dignidade de toda pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, e que não pode ser vítima de preconceitos, fobias nem violências. Uma coisa, ainda, é a atitude de compreensão pastoral e de amor cristão dirigida a todos os penitentes, de todas as fraquezas e pecados, com a igreja realizando sua missão de ser uma comunidade terapêutica. Outra coisa, contudo, é o revisionismo teológico e o relativismo ético, a erosão de princípios, o abandono do ensino bíblico e da tradição apostólica, que são permanentes e inegociáveis em qualquer lugar e cultura. As religiões semíticas de revelação, ou religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo), têm afirmado a normatividade erótico-afetiva heterossexual desde sempre.

A separação entre igreja e Estado não significa omissão sociocultural das religiões, uma fé intimista privatizada nem o silêncio ético no espaço público, nem o declinar na afirmação doutrinária e disciplinar para os seus fiéis, nem, o mais importante, qualquer abandono da busca do bem comum de toda a sociedade. Por um lado, distorções teológicas, adesismo, medo ou troca de interesses têm levado as igrejas a abdicarem do seu dever profético diante de estruturas sociais e poderes iníquos. Por outro, o tabu da sexualidade — com um permanente silêncio e desinformação — torna as igrejas despreparadas e fragilizadas para enfrentarem a presente e grave crise da civilização.



Condicionamentos

Um problema adicional, por parte dos cristãos, tem sido — em todas as épocas e culturas — as leituras seletivas dos textos bíblicos (“esquecidos” uns, “deslocados” outros) para fazê-los de suporte das respectivas interpretações, morais, usos, costumes e instituições, sejam elas inovadoras ou conservadoras. O que a cultura secular está fazendo é uma repetição pelo lado esquerdo (com a agenda homossexual) do que a cultura tradicionalista (aristocrática católica romana ou burguesa protestante) já fizera e continua a fazer pelo lado direito (com a agenda heterossexual).

Na tarefa exegética e hermenêutica, devemos, como cristãos, considerar o valor das contribuições das ciências naturais e das ciências humanas, notadamente da biologia, psicologia, história e antropologia, “examinando de tudo e retendo o bem”, conforme o ensino paulino. Precisamos também ser mais humildes e mais honestos em reconhecer os nossos condicionamentos culturais e de classe, a nossa confusão entre ética e moral, ou entre Revelação e costumes. Apesar de todos os estudos disponíveis, a maioria das igrejas foi omissa ou sempre adiou para o futuro (“empurrando com a barriga” ou “varrendo para debaixo do tapete”) uma questão existencial tão básica quanto a sexualidade humana, que, agora, vem nos afetar tão violentamente.

Ao longo dos anos, respondendo a demandas (tantas vezes desesperadas) dos fiéis, tenho me dedicado a essa temática e feito um apelo para que se estude a história do povo de Deus e a história da vida privada de todos os povos. Mas, principalmente, e acima de tudo, tenho feito um apelo para que se estude sinceramente a Bíblia, com um valor singular para a ótica dos reformadores. É preciso deixar a Bíblia falar por ela mesma, sob a iluminação do Espírito Santo. É preciso ouvir os textos bíblicos, seus autores e personagens, relacionando os seus contextos com os nossos contextos (segundo o princípio da equivalência dinâmica, preconizada pelo antropólogo cristão Charles Kraft). Eles falam a verdade. Mas essas verdades tantas vezes nos atingem, nos incomodam, nos ameaçam em nossos medos, mitos, tabus e inseguranças.

Vivemos, diante das Sagradas Escrituras — nessa e em outras questões — o eterno dilema: instrumentalização ou submissão? Como protestante, como anglicano evangélico, creio firmemente que não há outra saída, tanto para o enfrentamento da ideologia GLST (gays, lésbicas, simpatizantes e transgêneros), como para a devolução da sanidade da nossa gente, e de todas as gentes, senão o retorno da aplicação atualizada do velho e básico princípio da Reforma:

Sola Scriptura!


Dom Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br


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