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Colunas — Arte e cultura

Por que ler os escritores brasileiros

Mark Carpenter

O mercado editorial cristão do Brasil é idêntico ao mercado norte-americano: em ambos os países, os autores mais difundidos são os americanos.

Nos Estados Unidos, explica-se o fato pelo etnocentrismo dos leitores, pela ausência de obras traduzidas e pela abundância de bons livros nacionais. No Brasil evangélico, observa-se o apatriotismo literário, a abundância de livros traduzidos e a escassez de boas obras de autores nacionais.

Mas este quadro está começando a mudar. As editoras evangélicas do Brasil estão se animando com a possibilidade de publicar mais livros originários de autores brasileiros. As razões são das mais diversas, e passam por questões ideológicas e econômicas. Uma editora já montou uma “editoria de obras em língua portuguesa”. Outra adotou o slogan “A Editora do Autor Nacional”. Certo editor estreante declarou que trabalharia só com autores nacionais, “porque é mais barato que pagar os tradutores”. Sejam quais forem as razões, a abertura do setor editorial para a nacionalização trará ganhos para a comunidade de leitores.

Embora as listas dos mais vendidos das revistas Consumidor Cristão e Mercado Gospel ainda apontem autores estrangeiros nas primeiras posições, não são poucos os escritores nacionais que vendem bem e que já ameaçam a predominância dos americanos. Isto sem contar com os autores que vendem milhares de exemplares dos seus livros feitos por encomenda para os públicos cativos de suas igrejas e denominações.

Os leitores mais atentos têm criticado a qualidade editorial de alguns desses livros. E de fato muitos são lançados apressadamente sem os rigorosos critérios das melhores editoras evangélicas e de casas como a Companhia das Letras e da Editora Record. Poucas editoras brasileiras estão aptas a editarem essas obras, por uma simples razão: a maioria não possui competência para captar textos que ressonem com as necessidades do público, nem para assessorar os autores no árduo trabalho de escrever. Quando muito, fazem uma revisão ortográfica e sugerem alterações cosméticas que deixam o texto mais “leve”, mas quase sempre ignoram as pragas de texto mais graves: falhas lógicas, asserções insustentáveis, exegese existencial, tangentes descartáveis e conclusões questionáveis. Estes livros acabam deixando os leitores um tanto confusos e frustrados. Alguns voltam correndo para os braços acolhedores dos Philip Yanceys e John Stotts.

No entanto, há livros excelentes de autores brasileiros no mercado, e estes merecem uma chance. E mesmo os escritores menos talentosos, ou aqueles que ainda não encontraram acolhida satisfatória numa boa editora, precisam ser ouvidos e lidos. Há motivos de sobra para lermos livros nacionais:

Linguagem. Os livros traduzidos têm sotaque — construções de frase que seguem a sintaxe do inglês mas que soam estranho ao ouvido nacional. O escritor brasileiro fala a linguagem do coração, com direito ao compasso, ao coloquialismo e aos ritmos naturais que contribuem emotivamente para a compreensão integral.

Perspectiva. A percepção da realidade a partir de uma vivência brasileira força uma reordenação das prioridades espirituais delimitadas por muitos autores americanos. A trajetória histórica compartilhada com os leitores facilita a interlocução e a compreensão natural do texto.

Cultura compartilhada. Ao ler uma tradução, o leitor brasileiro procura distinguir entre (1) sabedoria transcultural e (2) elementos culturais pouco relevantes no cenário brasileiro. O leitor corre o risco de descartar um insight fundamental por considerá-lo “coisa de americano”. A leitura de livros nacionais reduz este risco, pois a cultura compartilhada entre escritor e leitor instala um pano de fundo familiar sobre o qual focaliza-se o que interessa, sem distrações.

Contextualização do estrangeiro. Os escritores nacionais, ao discutirem idéias originárias do exterior, ajudam os seus leitores compatriotas a classificarem e utilizarem o melhor na experiência estrangeira. Conseguem captar conceitos e exemplos do exterior e traduzir o que de melhor existe.

Fórum nacional. Livros nacionais que focalizam a sociedade e a igreja acabam contribuindo para o cânone brasileiro de literatura cristã que registra e articula os momentos singulares que atravessamos juntos. Mesmo os livros nacionais de qualidade técnica inferior podem contribuir para uma compreensão maior da psique espiritual nacional.

Se há razões para os leitores procurarem livros nacionais, há então razões ainda maiores para as editoras cuidarem dos elementos básicos da assessoria editorial e da boa edição. Um investimento em qualidade editorial ampliará a demanda por livros nacionais e alastrará o impacto do escritor brasileiro sobre a igreja e a sociedade.


Mark Carpenter é diretor presidente da Editora Mundo Cristão, e mestre em letras modernas pela USP.

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