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O pecado do lado de fora

Vivemos entre perversos, sendo nós mesmos perversos.
Sêneca



É preciso sobreviver frente ao pecado do lado de dentro e ao pecado do lado de fora. É bobagem querer saber qual dos dois é mais resistente. Um atiça o outro. Todavia, é bom lembrar a observação de William Barclay: “A carne é como o inimigo do lado de dentro que abre a porta para o inimigo [obviamente do lado de fora] que está forçando a porta”.

Se os que fazem a cabeça dos outros (na linguagem mais rude) ou os formadores de opinião (na linguagem mais elegante) são pessoas que carregam dentro de si tanto o bem como o mal, percebe-se de imediato que elas têm possibilidade e poder para incendiar tanto o amor como o ódio, tanto a virtude como o vício, tanto a beleza de caráter como as paixões vergonhosas, tanto a autenticidade como a hipocrisia.

No entanto, a teologia, a história e a experiência pessoal demonstram que a preferência em geral se inclina mais para o mal do que para o bem. Basta ouvir a confissão de Francisco de Assis Pereira, o motoboy acusado de violentar e matar nove mulheres no Parque do Estado, em São Paulo em 1998: “Eu tenho um lado bom e um ruim, que se sobrepõe ao bom”. O escritor João Ubaldo Ribeiro faz confissão semelhante. Depois de explicar que tem dentro dele o “grande Ubaldo”, que o deixa à vontade, e o “pequeno Ubaldo”, que o vigia e o acusa o tempo todo, o autor de Sargento Getúlio revela que prefere o primeiro, e não o segundo: “O grande Ubaldo é meu favorito, um sujeito simpático, boa-praça, despido de culpas, de preconceitos, enfim, um sujeito aberto, um camarada que todos gostariam de ser ou ter como amigo”.

Em virtude disso, os meios de comunicação alimentam mais a carne do que o espírito, mais o erro do que o acerto, mais o vício do que a virtude. Porque o discurso ético quase não tem audiência, é muito mais atraente fazer o discurso contrário, que rende muito dinheiro. Tudo isso nos conduz a um terrível e interminável ciclo vicioso — a mídia alimenta cada vez mais a carne e a carne sustenta cada vez mais a mídia.

É esse mundo “muito mal freqüentado” que tenta dificultar ou impedir a sobrevivência da fé e da ética naqueles que são ou deveriam ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5.13-16). A ordem clara e precisa é não amar esse mundo “nem o que nele há” (1 Jo 2.15), porque “o mundo todo está sob o poder do Maligno” (1 Jo 5.19).

A sobrevivência é difícil porque implica em nadar não a favor, mas contra a correnteza. É difícil porque não são muitos, mas poucos os que se dispõem a fazer isso. É difícil porque não são poucos, mas muitos os que entram pela porta larga e seguem caminho que leva à perdição (Mt 7.13). É difícil porque é preciso sair da multidão (Êx 23.2) e tornar-se alvo de escárnio, calúnia, discriminação e perseguição (Mt 5.11). É difícil porque o pecado nos assedia, nos encurrala, nos envolve, nos agarra e se enrosca em nossos pés — citando Hebreus 12.1 em algumas traduções da Bíblia.

Pelo fato de não ser um robô nas mãos do bem ou nas mãos do mal, o ser humano está sempre diante de um dilema. Ou come do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ou não come. Ou faz a vontade da carne ou faz a vontade do espírito. Se fizer a vontade da carne, ele permitirá que o inimigo do lado de dentro abra a porta para o inimigo do lado de fora e, então, a sobrevivência da fé e da ética ficará bem mais difícil. Mas se fizer a vontade não da carne, mas do espírito, outra pessoa muito diferente, que também está à porta, haverá de entrar. Qualquer pessoa sensível que quer mesmo sobreviver face ao pecado do lado de fora há de ouvir a voz de Jesus: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3.20)!

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