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Colunas — Entrevista

É preciso encanar a Água Viva

Embora tenha nascido 467 anos depois do primeiro rei da Inglaterra da dinastia Tudor, Henrique VII, de quem é descendente direto, o americano John Edmund Haggai herdou dele a veia diplomática. Haggai já viajou 85 vezes ao redor do mundo e se encontrou com presidentes de muitos países, não como político, mas como hábil construtor de pontes entre o evangelho de Jesus Cristo e os governantes. Talvez tenha se valido dessa “honra dúbia”, como ele mesmo chama para falar até ao Parlamento Britânico (“honra dúbia” por causa de alguns traços de caráter de Henrique VII).

Filho de um imigrante sírio casado com uma americana e nascido em Louisville, no Kentucky, Haggai tornou-se conhecido internacionalmente quando fundou, em 1969, a organização que leva o seu nome (Haggai Institute for Advanced Leadership). O que o levou a isso foi a óbvia descoberta de que a obra missionária mundial tinha de romper corajosa e definitivamente com qualquer traço colonialista, tal como disse o famoso cristão indiano Sudar Singh em 1922: “Se você desejar dar a água da vida para o povo da Índia, faça-o em um copo indiano”.

Até julho de 2004, o Instituto Haggai treinou 51.072 líderes de 172 nações por meio dos seminários realizados em Mauí, no Havaí (EUA) e em Cingapura, e dos seminários nacionais realizados em diferentes países.

A propósito do 35º aniversário da organização, realizou-se em Águas de Lindóia, SP, de 25 a 27 de junho, o 8º Congresso do Haggai, com a presença de 900 participantes e do próprio Haggai. A entrevista começou no Hotel Monte Real e terminou pela internet.



Seu pai, nascido no Líbano, era cristão?

Meu pai nasceu em Damasco, Síria. Cresceu em um lar cristão, mas seu encontro com o Senhor foi aos 10 anos.



O sr. teve um experiência marcante de conversão a Cristo? Ou sua fé pessoal em Jesus é resultado de uma educação cristã recebida no lar e na igreja?

Cresci em um lar religioso. Minha conversão foi tranqüila e particular até que, aos 4 anos e meio, declarei minha fé.



Sua dupla visão de que as pessoas mais indicadas para evangelizar um povo são pessoas deste mesmo povo, e que a evangelização é também tarefa dos chamados leigos é formidável. Como chegou a ela?

Durante quase 20 anos de minha vida, de 1945 a 1964, dediquei-me 110% ao ministério, com apoio total de minha esposa Christine. Quando meu filho Johnny nasceu, foi acometido de paralisia cerebral, por irresponsabilidade de um cirurgião bêbado. Essa situação exigiu cuidados contínuos, mantendo Chris em casa. Meu coração estava dividido entre cuidar do meu filho e o ministério, deixando-me arrasado. Ao perceber isso, Christine me incentivou a dar uma pausa em minha agenda e fazer uma visita à terra dos meus pais no Oriente Médio. Cheguei ao Líbano e encontrei uma comunidade cristã próspera. Os líderes locais me confrontaram com uma alegação muito séria: “John”, eles disseram, “amamos os missionários, mas eles nos tratam como crianças. Não estamos satisfeitos em ser marionetes guiadas por cordões ocidentais. Isso nos ofende. O trabalho de Deus sofre, pois não somos tratados como iguais. Os missionários nos amam; eles estão prontos a morrer por nós, mas não querem compartilhar o ministério conosco”. Aquelas palavras doeram! Três dias depois, as lideranças das treze maiores agências missionárias no Líbano, incluindo a minha missão, Batista do Sul, se reuniram e me convidaram para dar um testemunho. Esperava participar de uma reunião alegre, mas encontrei um ambiente muito sério: “Haggai”, disseram-me, “diga aos seus primos que andam de camelo, que não podemos simplesmente entregar todo o ministério nas mãos deles. Temos de prestar contas às denominações em Nashville, Springfield e Dallas”. Aqui estava o dilema. O nacionalismo estava se espalhando pelo Oriente Médio. Aliás, estava se espalhando por todo o globo. Em 19 anos, depois da Segunda Guerra Mundial, mais de uma centena de novas nações haviam surgido e o zelo patriótico era grande.

Enquanto isso, os missionários, muitos dos quais sabiam muito bem o que estava acontecendo, eram dirigidos por agências missionárias cujos métodos eram do século 19. Qual o resultado? Esses novos nacionalistas percebiam que os missionários estavam falhando em se adaptar às mudanças — e que a pregação do evangelho estava sofrendo com isso.



O sr. conseguiu levantar mais dinheiro para a obra do Senhor do que algumas denominações americanas. Essa capacidade de levantar recursos é um dom ou uma aprendizagem?

Levantar fundos requer: convicção resoluta de que isso é necessário, compreensão bíblica sobre mordomia, crucificação da carne, programa disciplinado de estudo sobre os grandes captadores de recursos — o apóstolo Paulo, Dwight L. Moody, John R. Mott, Han Kyung Chik, da Coréia —, profunda certeza de que você está oferecendo ao doador uma oportunidade sem igual, e muita oração, oração, oração! Raramente vejo essa disciplina exercitada, relacionando-a ao trabalho do Espírito Santo em identificar pessoas e liberar o dinheiro para o trabalho de Deus. É preciso também empenho em descobrir tudo o que puder sobre o doador: nome da esposa, dos filhos, aquilo que o atrai, seus interesses e hobbies, além de desenvolver o hábito de agradecer. Em média, procuro pelo menos treze ocasiões para dizer “obrigado” e condições de mostrar aos doadores tudo o que foi realizado com a doação deles.



Quantos milhões de dólares o sr. precisa levantar por ano para “encanar a água viva” dentro do ministério do Instituto Haggai?

Nosso orçamento passa de 27 milhões de dólares.



O sr. mesmo doou há pouco tempo 1 milhão de dólares em favor da Grande Comissão. O sr. é um milionário?

Pela graça de Deus, dou mais do que retenho.



Seu ministério tem experimentado alguma decepção com alguns dos milhares de participantes dos Seminários Internacionais do Instituto Haggai em Mauí e em Cingapura?

Não posso listar mais que uma dúzia de nomes nessa situação, entre 51 mil ex-alunos.



O sr. não acha arriscado facilitar o ingresso de novos alunos, prometendo-lhes viagem internacional, hospedagem e curso, mediante uma “oferta de gratidão” de 500 dólares, que significam apenas 5% do valor total do seminário (10 mil dólares)?

500 dólares é a contribuição mínima. Alguns dão 2.000. Outros, um pouco mais. Mas considere três coisas: Só aceitamos aqueles que se comprometem a treinar 100 pessoas num período de dois anos, e esse treinamento é todo sustentado localmente; muitos países na África e Ásia sofrem restrições quanto ao envio de dinheiro para o exterior; e o Instituto Haggai jamais envia dinheiro aos ex-alunos.



Que sistema o sr. emprega para verificar o aproveitamento do treinamento por parte dos ex-alunos?

Mantemos uma comunicação periódica com os ex-alunos, embora isso seja impossível nas áreas muçulmanas. Aqueles que participam do treinamento já são líderes reconhecidos.



Que resultados práticos poderiam ser destacados nesses muitos anos de preparo de líderes do chamado Terceiro Mundo na obra de evangelização mundial?

Posso citar o exemplo de três brasileiros. Alex Dias Ribeiro testemunha que elaborou seu plano ministerial em Cingapura em 1986; desde então, o tem aplicado no ministério dos Atletas de Cristo, que ele fundou e preside. Márcio Valadão, pastor da Igreja Batista da Lagoinha, admite que o ensino sobre visão e estabelecimento de metas modificou totalmente sua abordagem ministerial. Jorge Ziegler, empresário na área de combustíveis, testemunha que o treinamento impulsionou seus dons de evangelização, dando-lhe ousadia para fazer um apelo em favor da aceitação de Cristo em todos os seus esforços de evangelismo pessoal.



Qual a sua opinião sobre a teologia da prosperidade?

Não concordo com ela, embora a Bíblia afirme claramente que a fidelidade nos dízimos e ofertas trazem resultados materiais visíveis.



Qual tem sido o impacto do crescente antiamericanismo no trabalho do Instituto Haggai?

O Instituto Haggai tem poucos americanos na supervisão geral. Isso é o que diferencia o ministério. Os nacionais lideram — e com autoridade. O diretor do centro de treinamento em Mauí é argentino, e o de Cingapura é chinês.



John Haggai, Billy Graham, John Stott e mais alguns líderes evangélicos notáveis já ultrapassaram a barreira dos 80 anos. O que se pode esperar a essa altura da vida?

“As misericórdias do Senhor renovam-se a cada manhã”. John Knox viveu até 86 anos, John Wesley até 88, Herbert Lockyer até 94 e Dr. Han até 96!



O sr. tem sangue árabe e sangue norte-americano. Um prevalece mais do que o outro?

Precisamente, é mais sangue inglês e sírio. Sempre me relacionei de perto com meus parentes sírios, embora agradeça a Deus pelos valores que herdei de ambos os lados. Sou descendente direto do rei Henrique VII (honra dúbia).



No território hoje ocupado por palestinos e israelenses deve haver um só Estado ou dois Estados?

Não discuto política nem geopolítica.



Em sua opinião, o que poria fim ao eterno conflito entre palestinos e israelenses?

Somente o Príncipe da Paz!



Sem contar a ilha de Chipre, o Líbano é o único país do Oriente Próximo que tem um bom número de cristãos (35%). O Instituto Haggai chegou alguma vez no Líbano?

Os alunos do Haggai vêm de praticamente todas as nações islâmicas do mundo. Por questões de segurança, não especificamos nenhum país. Cinco ex-alunos do Haggai já foram martirizados.



Tem havido muita celeuma entre os missiólogos se Alá, dos muçulmanos, é o mesmo Deus dos judeus e dos cristãos. O que o sr. diz?

A Bíblia em árabe, difundida centenas de anos antes do islamismo, usava a palavra “Alá” para Deus. Mas não quero me enredar numa discussão que considero sem propósito.



Costuma-se dizer que a igreja chinesa não subterrânea é controlada pelo governo. Há duas semanas, o sr. pregou para 4 mil pessoas pela manhã e para 1.600 jovens de uma igreja na China. Em que cidade? Numa igreja não-oficial?

O que eu disse foi verdade, embora tenha me arrependido de revelar isso. Novamente, prefiro não entrar em uma discussão geopolítica.



Em seus muitos encontros com líderes mundiais, alguma vez o sr. se encontrou com o papa João Paulo II ou outra pessoa importante da Igreja Católica Romana?

Nunca encontrei o papa João Paulo II, mas conheci vários líderes importantes da Igreja Católica Romana.



Naturalmente, o Instituto Haggai não se preocupa exclusivamente com os não-alcançados da chamada Janela 10/40. Se assim fosse, não estaria investindo da África, no sul do Saara, nem na América Latina, onde o evangelho mais cresce hoje. E o que se pode fazer para reevangelizar a Europa, a Austrália, a Nova Zelândia?

Essas nações já tiveram sua oportunidade. A pergunta do falecido Oswald J. Smith me inquieta: “Por que alguém deveria ouvir o evangelho duas vezes enquanto outros não ouviram nem uma sequer?”


O Instituto Haggai no Brasil tem como diretor executivo o pastor e administrador cristão Ebenézer Bittencourt, 50, casado, três filhos. Oferece seminários internacionais (em Mauí e Cingapura), nacionais (de uma semana) e locais (em finais de semana), além do Curso de Aperfeiçoamento para ex-alunos do Haggai. Endereço para correspondência:

Caixa Postal 5.685

13012-970 Campinas, SP. Telefax 19 3213-0797.

Site: www.haggai.com.br

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