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Especial — O Mineiro com Cara de Matuto com a pulga atrás da orelha na PUC de Minas Gerais

Um congresso missionário católico de âmbito nacional em Belo Horizonte! O Mineiro com Cara de Matuto não poderia perder essa oportunidade. Mas como entrar na “sala de festa” sem ser convidado e sem o “traje da festa” (Mt 22.11)? Os convidados eram poucos para o tamanho da Igreja Católica brasileira — apenas uns 400 representantes dos Conselhos Missionários Diocesanos e de instituições e organismos missionários engajados na animação missionária de suas igrejas. Por seu ardor evangelístico e por seu envolvimento missionário, o Mineiro queria ver, queria ouvir e queria conhecer essa elite não protestante que se envolve seriamente com a Grande Comissão. O jeito era apelar para um amigo católico que é redator de uma publicação trimestral das Pontifícias Obras Missionárias (POM), chamada Serviço de Informação Missionária, com sede em Brasília. De fato, João Bosco Nogueira Fontão, além de gentil, foi mais eficiente que aquela secretária da fábrica de chocolate: por meio dele o Mineiro recebeu um convite do padre Daniel Lagni, diretor nacional das POM e presidente executivo do Primeiro Congresso Missionário Nacional, realizado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte, de 17 a 20 de julho de 2003.

Mais da metade dos 420 participantes (incluindo a equipe executiva e os assessores) eram mulheres (52,6%). Quase a metade exata eram leigos (49,6%). Havia 97 padres, oitenta religiosas, quinze seminaristas, onze bispos e oito diáconos. O Mineiro não sabe dizer em que grupo teria sido incluído (só pode ser entre os tais leigos). Havia gente dos quatro cantos do Brasil.



Santidade, ousadia e um pouco mais de pressa

O tema do congresso era bastante abrangente e sério: Enviados aos Confins do Mundo para Anunciar o Evangelho da Paz, a Partir da Pobreza, da Alteridade e do Martírio no Meio de Nós. Os objetivos do congresso eram: fomentar a reflexão missionária, acolher práticas missionárias significativas, partilhar o testemunho do engajamento missionário, fortalecer os conselhos missionários em âmbito diocesano e regional, articular melhor os organismos e as forças missionárias no país e celebrar o caminho da dimensão missionária da Igreja Católica brasileira. O programa foi dividido progressivamente em Dia do Caminho (a caminhada histórica da igreja desde que ela acordou para missões além fronteiras, em 1979, até agora), Dia do Encontro (o aquecimento do fervor missionário com o encontro com Jesus, à semelhança da experiência dos dois discípulos de Emaús), Dia da Partilha (oportunidade para ouvir o testemunho das vivências e dos projetos missionários) e Dia do Envio (como decorrência do encontro com o Jesus ressuscitado, os discípulos partem imediatamente para anunciar as boas novas).

Na abertura do congresso, leu-se a mensagem do cardeal Crescenzo Sepe, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, do Vaticano, com o seguinte recado, entre outros:

Suscitar um novo ardor de santidade — eis aqui o grande desafio pastoral que temos diante de nós, se quisermos ser fiéis aos desígnios de Deus e responder também aos anseios e esperanças dos povos da América e de todos os povos da terra.

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Odílio Scherer, lembrou as palavras do papa Paulo II, segundo as quais é preciso levar “a barca de Pedro para o alto-mar e lançar as redes em águas mais profundas”. O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Serafim Fernandes de Araújo, questionou:

Será que não estamos um pouquinho atrasados? Se tivéssemos corrido um pouco mais, andado um pouco mais, talvez já estivéssemos muito à frente do CONLA 7 [7º Congresso Missionário Latino-Americano, realizado quatro meses depois na Guatemala]. Nós vamos ter de correr atrás do prejuízo: vamos fazer nestes dias, de nossa casa, a casa de todos, uma casa de comunhão.



Um italiano, um austríaco e um alemão

Em sua mensagem, Dom Franco Masserdotti, missionáro italiano há 31 anos no Brasil, bispo de Balsas, no Maranhão, e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), lamentou a primitiva evangelização, comprometida com o colonialismo e com a escravatura (o que aconteceu também com missionários protestantes). Lembrou que “a religião reduzia-se a batizar o escravo, com pouca ou quase nenhuma catequese, e a ensiná-lo a fazer o sinal da cruz”. Citou o exemplo dos “doze apóstolos do México”, missionários franciscanos que foram para lá em 1524 e que batizaram 4 milhões de indígenas naquele país. Os missionários, declarou Dom Franco, devem ser “abelhas de Jesus, que procuram as flores em todos os povos e, no contato, recebem o pólen, para trabalhá-lo com os outros, em favor da vida”.

O preletor seguinte, Dom Erwin Kräutler, missionário austríaco radicado no Brasil há 38 anos e naturalizado brasileiro, bispo de Xingu, no Pará, e presidente do Centro Cultural Missionário, em Brasília, discorreu sobre as bem-sucedidas Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s). Trata-se daqueles “grupos de cristãos, em nível familiar ou em ambientes restritos, que se encontram para a oração, a leitura da Sagrada Escritura, a catequese, a partilha dos problemas humanos e eclesiais, em vista de um compromisso comum” (algo parecido com os grupos familiares de algumas igrejas evangélicas para promover a evangelização). O orador não conseguiu esconder sua tristeza e até mesmo sua revolta com o enfraquecimento das CEBs: “Em São Domingos [por ocasião da IV Conferência Episcopal Latino-Americana, em 1992] ouvi tantas vezes esta palavra [“la ideologización” das CEB’s] saindo da boca de alguns bispos e cardeais que acabou por causar-me náuseas”.

O terceiro orador do Dia do Encontro foi o missiólogo alemão Paulo Suess, coordenador do Núcleo de Pós-Graduação em Missiologia da Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção (em São Paulo) e presidente da Associação Internacional de Missiologia. Naturalmente foi muito mais fácil entender a história do peixinho que tinha boas notícias, contada pelo bispo de Balsas , do que acompanhar o discurso acadêmico do padre Paulo Suess, o que não diminui a importância de sua mensagem.

A missio Dei da Trindade histórico-salvífica aponta, numa primeira instância, para a presença de Deus no mundo mediante o Logos e o Pneuma. Como se relacionam nesta “missão de Deus” a missão do Verbo e a missão do Espírito Santo? A missão do Verbo (Logos) que se fez carne na pessoa de Jesus de Nazaré se prolonga na história, no mundo, na igreja e em cada pessoa através do Espírito Santo. A revelação da presença do Deus-Trino, a sua morada na pessoa que vive no amor (na graça), é uma das finalidades da “missão de Deus.

Depois Paulo Suess acrescentou:

A presença de Deus no mundo por meio de Jesus Cristo e do Espírito Santo não deve ser compreendida como deslocamento ou parcelamento de Deus. Nas pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo está sempre o Deus-Uno e Trino inteiramente presente.



As pérolas das reflexões

Dos mutirões de reflexão havidos no Dia da Partilha, o Mineiro com Cara de Matuto recolheu as seguintes pérolas:

1. Evangelizar constitui a vocação própria da igreja, a sua identidade mais profunda e a sua missão específica. O núcleo vital da nova evangelização é o anúncio claro da pessoa de Jesus Cristo, sua vida, seus ensinamentos e anúncio do reino que Ele conquistou para nós mediante o mistério pascal. O anúncio de Jesus Cristo deve ser o resultado de um encontro pessoal com Ele, pelo testemunho da própria vida (Equipe da Conferência dos Religiosos do Brasil).

2. Quando a espiritualidade se traduz em práticas que trazem benefícios imediatos ou se reduz à observância dos preceitos e devoções, trata-se de uma espiritualidade que não leva à conversão e ao seguimento de Jesus. Resume-se na falta de compromisso, no individualismo e na superficialidade, sem a ligação fé-vida. É também desvinculada de uma consciência social transformadora da realidade. Volta-se para um aspecto da promoção humana, e não para o advento do reino (Equipe do Conselho Missionário Regional Nordeste 4).

3. Percebemos que ainda há pessoas que consideram a missão como sendo responsabilidade dos padres, bispos e religiosos. É hora de reavaliarmos essa situação e percebermos estas presenças vivas da evangelização: criança evangelizando criança, jovem evangelizando jovem, família evangelizando família (Equipe do Conselho Missionário Regional Norte 1).

4. [Precisamos] reforçar a consciência de nossa identidade missionária. O cristão é missionário por natureza: é sua razão de ser. Nenhuma igreja particular, nenhuma paróquia, pode afastar-se da sua responsabilidade diante da missão (Equipe dos Organismos Missionários).

5. A missão não se move por puro idealismo ou por um certo voluntarismo apaixonado. São necessários projetos bem definidos, oração incessante, disponibilidade e coragem (Equipe do Conselho Missionário Regional Sul 3).

6. Uma igreja que não partilha nem com seu vizinho, que contribui com menos de três centavos por ano e por pessoa, que envia menos de 2% do seu clero e apenas 3,2% de suas religiosas e religiosos, e praticamente nenhum leigo ou leiga, será uma igreja que reza com sinceridade o “Venha a nós o vosso Reino”? (Equipe das Pontifícias Obras Missionárias).

7. A mulher na igreja não tem ainda o seu devido espaço. Ela é parte fundamental do processo de evangelização [79% dos 1.813 missionários católicos brasileiros no exterior são do sexo feminino], embora o seu papel não esteja suficientemente reconhecido. É mais considerada como instrumento de trabalho, do que valorizada naquilo que ela pode dar. É preciso aprender a caminhar juntos, homens e mulheres, tanto nas tomadas de decisões quanto na execução (Equipe da Imprensa Missionária).

8. Preocupamo-nos com o surgimento de alguns movimentos religiosos que parecem não assumir postura crítica diante da globalização, vivendo uma espiritualidade de tendência individualista, massificadora, comercial ou negociada, e que facilmente podem ser arrebanhados pelas novas igrejas que surgem a todo momento. Preocupamo-nos com a formação de alguns padres e seminaristas sem a desejável sensibilidade missionária, pastoral e social. Preocupamo-nos com o egoísmo e a indiferença em relação ao pobre. Não nos indignamos mais com a pobreza. A indignação deve levar a atitudes concretas, e não ser apenas um sentimento que logo passe. Sentimos a necessidade de valorizar os momentos de reflexão da Palavra de Deus em família ou em pequenos grupos (Equipe do Conselho Missionário Regional Leste 1).

9. Os fiéis de outras tradições cristãs não são destinatários da missão católica, mas nossos irmãos e irmãs no Senhor pela fé e a graça batismal, e, portanto, nossos companheiros de missão. [...] sem dúvida alguma, não são somente os católicos os missionários latino-americanos no continente e em outros continentes, mas um número grande de cristãos e cristãs das diferentes denominações são ardorosos evangelizadores nas Américas e além-fronteira. O que nos une é a nossa condição cristã [...]. O crescimento evangélico e a diminuição de católicos induzem, muitas vezes, os católicos a imitar as iniciativas de evangelizadores não-católicos. Mas será que o caminho da evangelização é a competição? (Equipe do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil).



Força missionária católica brasileira

Durante o Primeiro Congresso Missionário Nacional, o Mineiro colheu os seguintes dados sobre o contingente missionário católico:

1. Há 1.813 missionários no exterior — 559 na África, 485 na Europa (a maior parte em três países de rica tradição católica: Itália, França e Portugal), 476 na América do Sul, 120 na América Central, 89 na Ásia, 61 na América do Norte e 15 na Oceania.

2. O grupo é formado de 1.432 religiosas, 273 sacerdotes, 52 religiosos, 12 sacerdotes diocesanos e 9 leigos e leigas.

3. Em 2002 a coleta missionária levantada em todo o país rendeu 2.785.740 reais e 64 centavos. Parece muito dinheiro, mas se esse total for dividido por 100 milhões de católicos que mantêm algum vínculo com sua igreja, o valor será baixíssimo: “Teríamos”, assegura o padre Francisco Sales Teixeira, das POM, “o decepcionante resultado de menos de três centavos por católico, por ano”.

Uma das finalidades do congresso de Belo Horizonte era mudar o quadro atual mediante a necessária animação missionária em todas as paróquias e dioceses, com o apoio logístico do Conselho Missionário Nacional (COMINA). Para alcançar esse resultado o Primeiro Congresso Missionário Nacional propôs aos Conselhos Missionários Diocesanos (COMIDIS) que, dentro de cinco anos, em todas as dioceses, “promovam Escolas de Formação Missionária para leigos e leigas, padres, religiosos e religiosas visando uma maior conscientização missionária nas dioceses” e que “revitalizem a consciência missionária nos seminários”. Aos Conselhos Missionários Paroquiais (COMIPAS), o Congresso propôs a criação de cursos de verão de missiologia para leigos e a remessa de certa porcentagem do dízimo às atividades missionárias.

O Mineiro está acostumado a ouvir os alunos do Centro Evangélico de Missões (CEM), em Viçosa, Minas Gerais, dizerem: “Meu chamado se deu no dia tal e no lugar tal”. Lá na PUC de Belo Horizonte, ouviu a mineira Aparecida Alves Gonçalves, missionária leiga, de Ipatinga, Minas Gerais, testemunhar: “Meu chamado se deu no dia 18 de setembro de 1979, em um hospital...”



A pulga do padre César

Como sempre acontece, o Mineiro deu um fora muito feio ao comentar na fila do almoço que nunca vira a figura de Jesus de bigode. Ele se referia a um quadro que estava na entrada do auditório, ao lado de outro que era de Maria. Uma leiga ou religiosa explicou que aquele de bigode não era Jesus, mas São Francisco Xavier...

No salão onde estavam os estandes de várias organizações missionárias, o Mineiro comprou alguns livros: A Alegria de Evangelizar, Espiritualidade e Missão, Papo Descontraído sobre Vocação Missionária, Os Confins do Mundo no Meio de Nós (do missiólogo Paulo Suess), os três volumes de Profetas do Reino (notas históricas e informações de 133 congregações missionárias, inclusive a Congregação dos Adoradores do Sangue de Cristo, fundada em março de 1.834 na Itália) e outros. No livro de Suess, o Mineiro encontrou o texto do pastor luterano Roberto Ervino Zwetsch, diretor da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, intitulado Um Caso de Amor, dedicado às irmãs e irmãos do movimento carismático na Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil.

O Mineiro perguntou à irmã Clarícia Gramarim, das Irmãs de Caridade de Otawa (Canadá), por que ela era missionária. A religiosa respondeu de pronto: “Porque sou cristã”.

Além dos já conhecidos Sem Fronteiras (dos missionários cambodianos), Mundo e Missão (do Pontifício Instituto das Missões) e Serviço de Informação Missionária (das Pontifícias Obras Missionárias), o Mineiro conheceu mais um periódico missionário: Missões (dos Missionários de Nossa Senhora Consoladora).

Por que há tantos missionários com sobrenome italiano? Alguém explicou ao Mineiro que era por causa da forte tradição missionária da Itália. De volta à casa, o Mineiro leu a história do renascimento missionário católico na metade do século 19, quando o padre Ângelo Ramazzotti fundou em Milão, na Itália, o Seminário Lombardo para as Missões Exteriores (1850), que, mais tarde, em 1926, deu origem ao Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME).

No último dia do congresso, o padre César Serrau, coordenador do Conselho Missionário da Diocese de Belo Horizonte, contou a história de uma casa sonolenta, onde todos viviam dormindo numa cama aconchegante. Em cima da cama estava a avó; em cima da avó, o menino; em cima do menino, o cachorro; em cima do cachorro, o gato; em cima do gato, o rato; e em cima do rato, uma pulga. De repente, a pulga picou o rato, que assustou o gato, que arranhou o cachorro, que caiu sobre o menino, que deu um susto na avó, que quebrou a cama, numa casa sonolenta, onde ninguém mais ficou dormindo. Então o padre César atacou: “Que este congresso, que cada um de nós, voltando às nossas paróquias, às nossas igrejas, possa ser como essa pequena pulga, para animar missionariamente a nossa igreja!”

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