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Colunas — Missões

Ronaldo Lidório

Chomsky, um dos maiores lingüistas vivos na atualidade e expositor da semiótica, defende que o mais influente elemento na comunicação do homem de hoje é o hedonismo, a busca da felicidade individual.

Esse fenômeno social é bem visível ao nosso redor tanto no individualismo proposital como na quebra dos valores morais em favor da auto-satisfação. O “ser feliz” tornou-se a finalidade maior da existência na terra. Infelizmente essa influência social também pode ser encontrada na Igreja. Não raro crentes e líderes, confrontados com a proposta do evangelho que condena o pecado, defendem-se, argumentando: “Não tenho o direito de ser feliz?” Nas palavras de C.S. Lewis, o crente “não nasceu para ser feliz, mas para amar”. Ou seja, a razão de existir da Igreja vai além da auto-satisfação. Não é meramente ser feliz, mas fazer Deus feliz.

Quando estudamos a dinâmica da missão não nos distanciamos dessa terrível influência hedônica. Em lugar dos valores do reino estamos sendo invadidos por paradigmas hedônicos como o crescimento numérico, a visibilidade personalista e a celebração da nossa própria capacidade, títulos e diplomas. O contraposto desse movimento que cultua a carne e celebra o homem é o evangelho, que nos lembra aos brados que o centro da missão é a pessoa de Jesus Cristo.

Precisamos compreender que a ação missionária não deve ser definida em termos de resultados, mas, sim, pela fidelidade ao Senhor.

Precisamos resgatar uma missiologia escriturística que induz a igreja mais à fidelidade e menos ao aspecto empresarial.

A obra missionária deve ser norteada por uma igreja que cuida do seu caráter e não o negocia perante a demanda dos resultados rápidos.

Ao longo da história do cristianismo, vemos nitidamente aqueles que buscaram basear seus ministérios na própria capacidade humana e aqueles que o fizeram na graça de Deus.

Paulo faz parte do segundo time e deixa isso bem claro quando apresenta os apóstolos, incluindo ele próprio, como fracos, desprezíveis, lixo do mundo e escória de todos (1 Co 4.9-13).

Vem à minha mente a história do Sr. João, que encontrei em uma região isolada, quatro dias de caminhada na selva amazônica, entre as tribos Kambeba, Miranha e Kokama. Para nossa surpresa aquelas comunidades indígenas haviam sido alcançadas, tendo nascido ali igrejas maduras. O missionário? Foi este pescador voluntário, crente da Assembléia de Deus. Apesar das suas limitações de estudo e preparo, era tremendamente apaixonado por Jesus. Vivia em um paupérrimo flutuante sem sustento nem cobertura de oração. Jamais teve seu nome mencionado nos relatórios missionários nem foi apresentado como tal em um congresso. Entretanto irradiava felicidade ao apresentar-nos às tribos e afirmar: “Isso é o que Deus pode fazer”.

Tenho sido impactado pelo valor da graça de Deus na obra missionária. Isso porque, perante os incríveis desafios que temos perante nós, tais como os 2.227 povos sem o evangelho, as mais de 3.500 línguas sem a tradução bíblica e as 103 tribos indígenas brasileiras sem presença missionária, a pergunta mais óbvia nos leva a pesar nossa capacidade em relação à seara. E quando eu meço o meu ministério por aquilo que sou capaz de fazer, então tenho sonhos limitados e a minha equação ministerial torna-se proporcional ao que sou capaz de realizar — e isso é nitidamente pouco. Mas, quando cremos que a expansão do reino se dará impulsionada pela graça de Deus, então podemos sonhar e olhar além do horizonte.

Precisamos reacender a chama missionária no Brasil. Devemos priorizar o caráter em detrimento da reputação, tornando fiel nosso compromisso missionário. Quando asseguramos a Missio Fidelis em nossa dinâmica missionária e dependemos não da nossa mera capacidade, mas da graça do Pai, podemos crer no impossível. Vamos pôr a mão no arado e sonhar com a explosão na transmissão de um evangelho autêntico e responsável até aos confins da terra — que não é tão longe de nós.


Ronaldo Lidório, doutor em antropologia cultural e missiologia, é missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e da Missão AMEM. Com a esposa Rossana trabalhou em tribos africanas nos últimos nove anos e atualmente atua entre indígenas na Amazônia.

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