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A distância entre a teologia da evangelização e a prática moderna

Não há choque algum entre católicos e protestantes no que diz respeito à maneira como ambos os grupos entendem o que é evangelização. O que eles dizem é bíblica e teologicamente correto. São conceitos que enchem a alma de alegria e de entusiasmo.

Mas há três sérios problemas que uns e outros precisam enxergar com humildade e coragem.

O primeiro é o silêncio quanto ao anúncio de Jesus. Falamos muito pouco sobre Jesus. Nossa mensagem sobre o Senhor é superficial. Não anunciamos sua divindade, seu nascimento virginal, sua morte expiatória, sua ressurreição ao terceiro dia, sua ascensão aos céus, seu ministério atual de colocar sob seus pés todas as estruturas e todo o poder do pecado, sua volta em poder e muita glória. Deixamos o povo com a imagem de um Jesus coitadinho, bonzinho, ainda com a coroa de espinhos na cabeça e com os sinais dos cravos nos pés e nas mãos. O Jesus que a grande maioria das pessoas conhece é o Jesus histórico, que não é, em hipótese alguma, o Jesus dos Evangelhos. Temos medo de enfrentar a soberba dos soberbos e a ignorância dos ignorantes. Preferimos a comodidade de uma pregação que não nos imponha ao ridículo de anunciar um Jesus anterior à mãe, anterior a Abraão, que não tem princípio nem fim, que “estava com Deus no princípio” e sem o qual “nada do que existe teria sido feito” (Jo 1.1-3). Segundo as nossas próprias definições, as boas novas dizem respeito ao Jesus bíblico, ao Jesus que “não é Deus disfarçado de homem nem homem disfarçado de Deus” (John Stott). Será que nós mesmos já não acreditamos no Jesus Emanuel, aquele que é a imagem visível do Deus invisível (Cl 1.15)?

O segundo é a ênfase demasiada a Maria na teologia católica e na própria evangelização, que ofusca obrigatoriamente a pessoa de Jesus. Os católicos não negam que Jesus é a ponte entre Deus e o pecador (veja O que é evangelização na teologia católica, p. 29), mas colocam Maria como a ponte entre o pecador e Jesus: “Ad Christum per Marian” (A Jesus por Maria). Entendemos que “a preocupação com a fidelidade à Sagrada Escritura e à verdade cedeu lugar ao fervor de proclamar sempre novos títulos para a glória de Maria”, em parte por causa da máxima atribuída a Bernardo de Clavaral (1112-1153): “De Maria nunquam satis” (De Maria nunca se diz o bastante). Enquanto a elite católica pensante não dispensa Jesus, a grande massa certamente não dispensa Maria. O esforço da Igreja Católica para mudar esse quadro parece muito pequeno, se é que existe de fato. O principal ministério da Associação Milícia de Imaculada, fundada pelo padre polonês Maximiliano Maria Kol be, em 1917, por exemplo, é promover a consagração do mundo não a Jesus, mas “a Nossa Senhora”, por meio de 452 emissoras de rádio (262 no Brasil, 116 na Europa e 74 na América Latina). O teólogo protestante Karl Barth (1886-1968) coloca a mariologia católica entre os mais difíceis problemas no diálogo entre católicos e protestantes.

O terceiro problema é o abismo que existe entre a teologia da evangelização e a prática moderna, especialmente entre os protestantes. A palavra “evangelização” corrompeu-se mais do que qualquer outra. O que existe hoje, com raras exceções, não é evangelização propriamente dita, mas uma miserável concorrência entre as diferentes alas do cristianismo. Daí “o rodízio de batismo” (a constante troca de rótulos denominacionais), de que se queixa o missiólogo Antonio Carlos Barro, professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina.1 A paixão pelo poder, a paixão pelos números, a paixão pela grandeza, a paixão pelo dinheiro tomaram o lugar da inocente paixão por Jesus e pelas almas. Para conquistar o maior número possível de adeptos, usamos estratégias parecidas com as estratégias das grandes empresas. Passamos a exigir muito menos e a prometer muito mais. Transformamos cultos em shows. Alongamos o louvor, que nem sempre é mesmo louvor, e diminuímos a exposição da Palavra, que nem sempre é mesmo exposição da Palavra. Projetamos a nossa marca, com a mesma garra e com a mesma eficiência de uma marca de bebida.2 Se estamos perdendo membros para uma igreja que realiza cultos de libertação, obrigamo-nos a fazer o mesmo ou, quem sabe, com mais “poder” e com algumas novidades.3 A sociedade, em vez de nos reprovar, se aproveita de nós para obter também a sua fatia de lucro.4 Tudo vira mercado. A corrida é tão frenética que nem sequer ouvimos a voz de Jesus do lado de fora: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3.20).

Precisamos nos libertar desses anticristos, caso queiramos honrar e preservar nossos conceitos teológicos de evangelização!



Notas

1. O rol de adjetivos para definir ou caracterizar nossas igrejas parece não ter fim. Aqui está uma lista incompleta (em ordem alfabética): aberta, avivada, bíblica, carismática, conservadora, ecumênica, fechada, fervorosa, fria, fundamentalista, gelada, histórica, legalista, livre, misericordiosa, missionária, mundana, ortodoxa, pentecostal, puritana, quente, santa, seca, secularizada, tolerante e tradicional. Os nomes são dados ora pelos de dentro, ora pelos de fora.

2. Uma igreja brasileira cujo nome menciona o bairro onde está localizada tem uma filial nos EUA com o mesmo nome.

3. Em certa capital brasileira, uma igreja de grande porte “apenas” renovada, para não perder membros para a Universal do Reino de Deus, iniciou um ministério paralelo semelhante à sessão de descarrego do bispo Macedo.

4. Para entrar no mercado de produtos cristãos, acaba de surgir mais uma empresa, a carioca Tenha Fé, que vai lançar para este verão uma linha completa de t-shirts e babylooks, o que levou um repórter a acrescentar: “Ser fashion, definitivamente, não é pecado” (Jornal do Brasil, 9 nov. 2003).



Evangelização postmortem

O pequeno Dicionário de Teologia, publicado originalmente pela InterVarsity Press, explica que a chamada evangelização postmortem é a “crença de que a mensagem do evangelho de alguma forma está disponível após a morte para pessoas que nunca a ouviram durante a vida. Tais pessoas então são salvas ou se perdem dependendo de como correspondem ao evangelho, mesmo depois de ter morrido” (p. 53).

Essa crença é apenas uma conjectura sem comprovação bíblica. As passagens de Ezequiel 3.16-21 e 33.1-9 mostram que o transgressor não será poupado só porque não ouviu nenhuma advertência da parte de quem deveria exortá-lo. E Jesus declarou enfaticamente: “Se não credes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24). Na parábola do mau rico e o pobre Lázaro, Jesus confirma essa sentença ao não dar nenhuma chance ao rico, depois de sua morte, quando já havia um “grande abismo” entre ele e Lázaro (Lc 16.19-31). O abismo, diz a nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, “simboliza a impossibilidade, tanto para os eleitos como para os condenados, de modificar o próprio destino”.

A morte é como aquele cartaz que avisa o orador de que o seu tempo de discurso está esgotado: “Cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser julgada por Deus” (Hb 9.27, NTLH). Não há esperança de salvação depois da morte. Daí a formidável exortação de Isaías e o mote da revista Ultimato: “Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto” (Is 55.6).

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