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Colunas — Missões

Missão transformadora e em transformação

C. Timóteo Carriker

Quando originalmente lançado em inglês, em 1991, Missão Transformadora foi amplamente aclamado como simplesmente a obra mais importante do século sobre a o caráter missionário de Deus e os empreendimentos missionários da igreja! É considerado o magnum opus de um dos mais importantes missiólogos (quem estuda “missão”) do nosso tempo. David J. Bosch era protestante, sul-africano, professor e chefe do Departamento de Missiologia da UNISA (Universidade da África do Sul), e respeitado pela liderança protestante mundial dentro do movimento ecumênico, bem como nos meios mais conservadores e “evangelicais”. Passou os últimos anos de sua vida desenvolvendo o campo da teologia de missão, promovendo a cooperação entre as diversas tradições cristãs mundiais e lutando contra o apartheid. Sua dedicação à luta contra o racismo no seu país de origem o levou duas vezes a abrir mão de convites para assumir um dos postos acadêmicos missiológicos mais prestigiosos no Seminário de Princeton, nos Estados Unidos.

Antes de tudo isso, no início de seu ministério, Bosch fez doutorado sobre a relação entre escatologia e missão no ministério de Jesus, sob a orientação de um dos maiores estudiosos da teologia do Novo Testamento deste século, Oscar Cullman. Ao retornar à África do Sul em 1957, trabalhou como pastor-missionário por 9 anos entre o povo Xhosa na área de evangelismo e plantação de igreja.

Tive o privilégio de conhecer David Bosch pessoalmente. A sua humildade e dedicação me impressionaram muito. Mesmo com todo o seu envolvimento, sendo procurado para falar no mundo inteiro, ele aceitou me orientar formalmente nos meus estudos doutorais. Encorajou-me a explorar a mesma relação entre escatologia e missão – o que ele havia feito 30 anos antes –, mas agora no ministério de Paulo, e não no de Jesus. Prontamente aceitei, não imaginando que ele participaria de forma tão ativa, escrevendo-me longas notas de orientação. Digo isso como testemunho do seu empenho para comigo e com outros doutorandos, com os quais ele investia tempo, orientando.

Depois dessas observações biográficas, é preciso apresentar o livro.



Propósito

O autor resume a maneira como a igreja, em seis épocas históricas, entendeu e exerceu a sua incumbência de testemunhar de Deus e estar a seu serviço no mundo. Abrange toda a história do povo de Deus, desde os períodos bíblicos até a alvorada do século 21. Mas não é uma revisão meramente histórica. A história traçada nas primeiras 415 páginas serve de pano de fundo para as próximas 200 páginas de exploração sobre os modelos de missão atuais e os modelos que estão começando a surgir para o futuro próximo. Tem-se a nítida impressão de que, com isso, o autor está querendo levar o leitor à seguinte pergunta: como a igreja cristã pode melhor exercer seu papel transformador no mundo e de quais maneiras tal empreendimento missionário é transformado por mudanças nos valores e perspectivas culturais do mundo?



Audiência

Confesso que até hoje a amplitude, a profundidade e o tamanho da obra ainda me assustam. Temo que muitos leitores em potencial – pastores, teólogos e candidatos ao ministério – desfaleçam diante do volume e da característica européia detalhista e às vezes repetitiva da leitura. Mas isso seria em detrimento do leitor. Pois não conheço outra obra que mais ajude na reflexão teológica sobre a tarefa missionária da igreja. Seria a primeira na minha lista de recomendações de leitura para as escolas de preparo para o ministério. Para pastores, eu diria que a obra fornece uma espécie de “revisão” histórica e teológica para o ministério da igreja na sociedade. Teólogos poderiam contestar alguns detalhes (é da sua vocação fazê-lo!); mas, depois de a lerem, dificilmente deixarão de fazer referência à obra de Bosch.



Resumo

Duas pessoas influenciaram definitivamente a estrutura de Missão Transformadora: o teólogo católico Hans Kung e o físico e historiador da ciência Thomas Kuhn. Do primeiro, Bosch deriva a delimitação das seis épocas paradigmáticas da igreja: a era apostólica (do Novo Testamento), a era patrística ortodoxa (séculos 3 a 6), a era católica romana medieval (séculos 7 a 15), a era da Reforma Protestante (séculos 16 a 18), a era missionária moderna (séculos 18 a 20), e a nova era emergente e atual. Thomas Kuhn cunhou a frase “mudanças de paradigmas” para se referir à maneira subjetiva e política (!) como perspectivas radicalmente diferentes na ciência ocorrem. Hans Kung havia aplicado o conceito de Kuhn ao desenvolvimento do discurso teológico pela igreja ao longo dos séculos. Bosch faz o mesmo, em relação às perspectivas missionárias da igreja.



Avaliação

Os elogios anteriores revelam meu entusiasmo com a tradução em português desta obra tão importante. As primeiras 440 páginas se destacam pela clareza, ao resumirem um vasto período de 2 mil anos. O longo capítulo 12, de 166 páginas, entretanto, é uma mistura das teologias missionárias atuais e a de Bosch. Portanto, o paradigma emergente é mais um ideal esperado do que o real nas suas multidimensões. Claro que paradigmas só se avaliam séculos depois, quando os críticos já fazem parte de outro paradigma. Assim, qualquer análise de um modelo emergente não passa de tentativa e por isso é precária. E aí permanece o maior desafio do livro, na forma de pergunta: quais são os modelos da igreja na tarefa de transformar o mundo, e de que maneira o mundo transforma os modelos que ela emprega para testemunhar?

Esta pergunta levanta o que considero uma decisão infeliz: a de traduzir o título original para Missão Transformadora. Tal tradução interpreta apenas um lado da ambigüidade proposital do título original, Transforming Mission. O uso do gerúndio “transformando” (transforming) produz a idéia tanto de uma missão transformadora do mundo quanto de uma missão transformada pelo mundo, como afirma o autor (p. 11). Por isso, apesar da ambigüidade e estranheza, creio que teria sido mais apropriado traduzir o título como Transformando Missão.



Outros recursos

Um livro de tal importância continua gerando diálogo. Os que desejarem mais recursos em inglês sobre esta obra poderão se referir a dois livros: Mission in Bold Humility, editado por Saayman, W. e K. Kritzinger, e publicado pela Orbis Books em 1996; e Classic Texts in Mission and World Christianity: A Reader’s Companion to David Bosch’s Transforming Mission, editado por Norman Thomas e publicado também pela Orbis Books em 1995. Professores que desejarem transparências baseadas no livro de Bosch podem encontrá-las, em PowerPoint, em www.carriker.org, link “Resources”.




C. Timóteo Carriker, missionário norte-americano no Brasil, é doutor em missiologia e autor de Trabalho, Descanso e Dinheiro – uma abordagem bíblica e outros livros sobre missões.

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