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Colunas — Ponto final

Eu gostaria que você me amasse

Rubem Amorese

E gostaria que você me amasse, embora você diga que já me ama. Talvez você não perceba os sinais que emite, quando as coisas não estão bem entre nós. É por isso que aproveito esse início de ano para externar os sonhos que tenho sobre nós dois, na forma de esperanças de Ano-Novo. Quem sabe você os transforma em resoluções pessoais, íntimas, para o ano que entra? Eu gostaria muito. Se, em algum ponto, você achar que estou sendo injusto, desconsidere; estou falando genericamente, para toda a família. Leia isto com um coração generoso.

Eu gostaria de sentir segurança no seu amor; que você fosse só minha, que você quisesse ficar o tempo todo comigo, mas você tem tantos compromissos...

Eu gostaria que você amasse as coisas simples que criei para sua alegria; conversas, cheiros, sensações que falam de mim.

Eu gostaria que você sentisse saudades de mim, dos meus lugares, dos meus altares, das minhas coisas, da minha gente.

Eu gostaria que você fosse carinhosa, e que não ficasse olhando o relógio, quando estamos juntos, mas você prefere ser litúrgica.

Eu gostaria que você desligasse o celular quando eu estou lhe falando do meu amor ou fazendo planos com você.

Eu gostaria que a doce expectativa de nosso encontro dominical a levasse para a cama mais cedo no sábado — e que as festas, bailes, filmes, namoros perdessem a graça.

Eu gostaria que você quisesse me levar em suas viagens, em suas reuniões de negócio, ao cinema, às rodinhas de amigos, e que isso não fosse “coisa só sua”.

Eu gostaria que você se indignasse por mim, ao presenciar algo que abomino; ao ver a injustiça, a mentira, a opressão, a pobreza, a vida desregrada, o alcoolismo, as drogas.

Eu gostaria que você não achasse graça em piadas indecentes (que sempre banalizam as coisas boas e santas que criei, como o sexo, o casamento, a fidelidade), que não gostasse de falar palavrões, que abominasse filmes pornográficos, que não flertasse com incrédulos, que não invejasse sua violência, suas mentiras, suas taras.

Eu gostaria que você procurasse nos bolsos e encontrasse os presentes que lhe tenho dado – meus dons para você – e que os usasse com orgulho e carinho, como se fossem colares e pingentes de valor sentimental.

Eu gostaria que você me servisse sem precisar de cargos ou funções oficiais – sem esperar outra recompensa que meu olhar de aprovação.

***

Você ainda é tão menina! Só sabe me chamar de pai, pedir e agradecer coisas – a maioria das quais eu já lhe dei mais de uma vez, e estão espalhadas no seu quarto de brinquedos.

A insegurança do seu amor por mim transforma-se em insegurança sua, a respeito do meu amor; não sabendo amar, você não se deixa amar inteiramente por mim.

Mas eu tenho esperado por você. E quando estiver crescida, talvez venha a ter olhos para mim. Então, quem sabe, queira e possa corresponder a essa forma integral, passional, desmedida, com que você é amada.

Quando isso acontecer, você passará a ver a vida com os olhos de uma adolescente apaixonada: sem temores, sem medos, sem inseguranças ou desânimos (porque o amor lança fora o medo). Ao contrário, você terá a energia da alegria, a força e o desassombro da certeza; e os sonhos da esperança – os sonhos dos meus sonhos. Você será indestrutível, e prevalecerá contra as portas do inferno.

E quando a dor vier (porque virá), você a enfrentará com os olhos sempre nos meus; sabendo que essa leve e momentânea tribulação não se compara com o que temos construído juntos, aqui e no porvir – e entenderá, finalmente, sobre alegria na tribulação.

Idosa e vivida, você ainda dará frutos; e falará aos seus filhos e netos sobre a minha paz. A paz incompreensível que terá encontrado no meu amor.




Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Igreja e Sociedade – o desafio de ser cristão no Brasil do século XXI e Icabode – da mente de Cristo à consciência moderna.
rubem@amorese.com.br


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