Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Ponto final

Estou aqui

Rubem Amorese

Uma propaganda assim não vai vender nada, pensei. Não tem louras, nem sexo, nem escândalo. Talvez por isso me tenha chamado a atenção: pessoas jovens, bonitas e alegres se encontrando no shopping. A cena muda e as pessoas se encontram no trabalho. Corta. Agora, o grupo jovem está numa festa. Começo a perceber um padrão, que vai ser o fio condutor da história que venderá o produto: encontros. Ou, melhor, “quase-encontros”. O toque intrigante é que a peça publicitária chega ao fim e os protagonistas, um rapaz e uma moça, que estiveram várias vezes lado a lado, que chegam a se olhar algumas vezes, acabam não ficando juntos. “Encontraram” o produto, mas não um ao outro.

E o pensamento voa, com a singela constatação de que você tem me encontrado, sempre, aqui.

Puxa, isso parece um balde de água fria no glamour da propaganda, que enche esses “quase-encontros” de charme, vida, juventude, beleza, sensualidade e perfumados sonhos de consumo. Sim, você não vai me encontrar no shopping, nas festas ou nos corredores de uma multinacional. Muito menos casualmente. A não ser que, como no sonho publicitário, a gente tenha um “quase-encontro”. Você sabe onde estou, porque sabe onde tenho estado. Aqui. Sempre.

Talvez não seja muito a lhe oferecer. Não sei, diga-o você. Como marketing de mim mesmo, não dá para competir com o charmoso “ficar” dos jovens de hoje, cheio de aventuras e de frenética renovação. Nesse “modelo relacional”, nenhum encontro é igual ao outro, a não ser pela marca “quase”, porque acontecem na antecipação ansiosa do próximo. E sobre o próximo encontro há poucas certezas: não será com a mesma pessoa, mas será erótico, com pouca conversa, fulminante e… fugaz. De tão excitante, esse “borboletar relacional” já contaminou esta geração. Até mesmo os da nossa geração. E passou a ser compreendido como sinal de modernidade, de mente aberta, de juventude. De modo que é quase envergonhado que lhe ofereço esta versão antiquada, quase esquecida, do “ficar” moderno: ofereço-lhe minha permanência. O “ficar” de quem ficou.

Mas, se a oferenda não enche os olhos acostumados às vitrines de néon, quero dizer algo em sua defesa. Não seria elegante dizer o preço, mas não foi barato. Não se trata, portanto, de inércia ou acomodação. Fosse assim, não teria havido luta. Sim, eu confesso que fui tentado. De muitas formas. Houve momentos em que sair seria o caminho mais fácil para nossos desencontros. E quem sabe a gente se encontraria, algum dia, num shopping da vida. Ou então a gente viveria o glamour de um “quase-encontro”, com música de fundo. Houve momentos em que o chamado veio de fora, no convite a uma louca virada de mesa, apenas sugerida por olhares promissores.

Veja como são as coisas: surpreendo-me usando de confissões para minha defesa, dizendo que estive em perigo para valorizar minha oferenda. Preciso me explicar, pois poderia parecer vanglória. Ou que estivesse a dizer que “desta água não beberei”. Longe de mim.

Na graça não há vanglória, mas gratidão. Se nestes vinte e cinco anos aqui tenho estado, é porque você, aqui estando, fez do seu o meu lugar; e aqui quero ser encontrado por você. E se você, em algum momento, me procurou num shopping, numa festa ou no trabalho, uma coisa me tranqüiliza o coração: terá sido um “quase-encontro” de propaganda, pois quem você procurava estava aqui.

É para cá que eu volto sempre; é para cá que eu atraio você. Se, eventualmente, nos perdemos um do outro na multidão, aqui tem sido nosso ponto de encontro.

Realmente, talvez não seja grande a oferenda. Mas paciência; com tantas limitações pessoais, talvez não haja nada de maior valor em meu tesouro. Nada maior do que este “aqui” que você me deu. E se precisar de mim, não saia procurando. Sabe onde me encontrar. Estou onde sempre tenho estado: aqui, em casa.




Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal. É autor de, entre outros, Icabode — da mente de Cristo à consciência moderna.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.