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Entrevista — Psicologia com teologia e teologia com psicologia

Por que uma pessoa se vicia em pornografia pela internet de tal modo que não consegue superar o problema? Talvez essa fascinação reflita problemas pessoais mal resolvidos, incluindo tensões conjugais, solidão, depressão e letargia espiritual. Pelo menos essa é a opinião do psicólogo americano Gary R. Collins, Ph.D. em psicologia clínica, autor de cinqüenta livros e editor da revista Counseling Today, por muitos anos professor do Trynity Seminary, em Chicago, e um dos fundadores da Associação Americana de Aconselhamento Cristão. Conferencista internacional e uma das maiores autoridades em aconselhamento cristão, Collins já veio ao Brasil várias vezes, para falar ora nos encontros nacionais do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), ora nos congressos da Associação Brasileira de Aconselhamento Cristão Evangélico (ABRACE). Esta entrevista começou em Belo Horizonte por ocasião do 1º Congresso Nacional da ABRACE e terminou via internet.



Aconselhamento Cristão, lançado em 1984 no Brasil, é o melhor de todos os seus livros, como o senhor gostaria que fosse?

Em cada livro que escrevo dou o melhor de mim mesmo, mas numa segunda leitura sempre descubro que poderia melhorá-lo. Fiz uma revisão do livro em 1988 e tenho solicitado com certa insistência uma terceira edição (que poderá ser traduzida para o português). Os princípios básicos de aconselhamento permanecem os mesmos, mas uma pesquisa constante nos possibilita um entendimento mais alargado dos problemas, e sempre há assuntos novos, emergentes, que precisam ser tratados. Um exemplo é a questão do aconselhamento para portadores do vírus da Aids e suas famílias. Outro é o aconselhamento para as pessoas viciadas em pornografia pela internet.



É necessário que o pastor tenha algum conhecimento básico de psicologia para que seja um conselheiro bem-sucedido?

O aspecto mais importante no aconselhamento é a personalidade do conselheiro. O conselheiro cristão precisa ter compaixão e respeito para com as pessoas, desejo de compreendê-las e, acima de tudo, um caminhar consistente com Cristo. Do contrário, ele não será um conselheiro que honre a Cristo, sensível às orientações do Espírito Santo. Mas há outras ferramentas que podem melhorar a prática do aconselhamento. Por exemplo, treinamento em habilidades básicas de aconselhamento pode ser muito útil, pois o conselheiro aprende como escutar, como responder, como lidar com a ira ou resistência dos aconselhandos e como focalizar a atenção naquilo que é mais importante. Um conhecimento básico de psicologia também pode, por exemplo, ajudar no trato com depressão, conflitos, tensão matrimonial, situações de abuso e ira. Mas, como toda ferramenta, a psicologia secular tem suas limitações, e seu valor depende da pessoa que a usa. Um pastor que conhece as Escrituras, ora e busca a orientação do Espírito de Deus pode se beneficiar do conhecimento da psicologia e da técnica de aconselhamento, bem como de outras ferramentas úteis para o seu ministério.



A psicologia deveria ser incluída no currículo de um seminário que forma pastores?

Sim. Quando eu ensinava no seminário, preparávamos para os seminaristas cursos de técnicas básicas de aconselhamento (abordando aconselhamento de casais e aconselhamento de jovens e adolescentes) e de psicologia da religião, incluindo uma discussão de como a igreja pode causar problemas de instabilidade psicológica. Também lecionei o que chamamos de “Integracionismo”, disciplina que versa sobre o relacionamento entre a psicologia e a teologia bíblica.



A teologia deveria ser incluída no currículo de uma escola que forma psicólogos cristãos?

Sim. Alguns anos atrás, foi-me solicitado lecionar teologia para conselheiros porque os alunos não viam na teologia relevância alguma para os cursos que faziam. Procurei um livro texto que fosse teologicamente relevante para conselheiros cristãos, e não encontrei um sequer. Então resolvi escrever, com a ajuda e o acompanhamento de alguns respeitados teólogos evangélicos, The Biblical Basis of Christian Counseling, for People Helpers (A Base Bíblica do Aconselhamento Cristão).



Muitos acham que a igreja está precisando cada vez mais de conselheiros cristãos em seu quadro de ministros. O sr. concorda?

Depende do pastor, da igreja e sua localização. À medida que viajo, percebo uma necessidade crescente de se ter um conselheiro treinado trabalhando em tempo integral nas igrejas. Isso liberaria o pastor para executar outras tarefas pastorais, como a preparação de um sermão. Mas há pastores que se sentem ameaçados pelos conselheiros. Outros não acreditam na importância do aconselhamento, ou são resistentes porque vêem o aconselhamento muito ligado à psicologia secular, ou, porque gostam, preferem eles mesmos atuarem nesse ministério. Há também casos de pastores que gostariam de ter em sua equipe de trabalho um profissional de aconselhamento, mas não encontram um conselheiro qualificado, ou a igreja não pode pagar mais uma pessoa. Tenho um amigo, crente comprometido com o evangelho, que é conselheiro profissional, mas atende em seu consultório apenas pacientes enviados por pastores — geralmente pastores preocupados com suas ovelhas, mas que são de igrejas pequenas ou que estão sobrecarregados com suas múltiplas funções pastorais.



Há seminários que formam pastores e pregadores, outros que formam ministros de música e educadores religiosos, e ainda outros que formam missionários e missiólogos. O senhor acha que deveria haver seminários para formar conselheiros cristãos, ordenados ou não?

Existem muitos programas assim nos Estados Unidos e Canadá. Outros estão sendo desenvolvidos na Romênia, Guatemala, Croácia, Filipinas, Coréia e outros países. Porém a maioria dos países não tem professores qualificados para programas de aconselhamento. Alguns seminários aproveitam professores estrangeiros para iniciar programas de aconselhamento, mas o ideal é que houvesse professores locais qualificados. O Brasil tem muitos profissionais qualificados em aconselhamento, mas muito poucos desses professores em potencial estão treinados nas duas áreas: aconselhamento e teologia bíblica.



Por que muitos cristãos ainda têm um certo preconceito contra a psicologia?

A psicologia é fundamentada em pressuposições seculares e não é considerada cristã em sua essência. Assim, os psicólogos muitas vezes chegam a conclusões e usam métodos de aconselhamento não consistentes com o ensino bíblico. Alguns são contra a religião e preconceituosos contra o cristianismo. Freud, por exemplo, enxergava a religião como ópio e as pessoas religiosas, como instáveis que precisam de bengalas. Não me surpreende que os cristãos que ouvem tais exemplos cheguem a conclusões precipitadas de que toda psicologia é má. Mas a maioria das psicologias e, eu diria, a maioria dos psicólogos não são opositores da religião. Pesquisas realizadas por psicólogos não cristãos com freqüência são úteis. Mediante essas pesquisas, sabe-se, por exemplo, que a depressão pode ser causada por perdas mal trabalhadas, quando as pessoas se iram (muitas vezes sem consciência de sua ira) ou quando há mudanças fisiológicas em seu organismo, como fadiga ou falta de exercícios físicos. Nenhuma dessas conclusões são contrárias às Escrituras e são úteis aos cristãos. Quando jogamos fora toda a psicologia, descartamos um campo de conhecimento que Deus nos permitiu descobrir e usar em nosso benefício. Não sei quanto ao Brasil, mas nos Estados Unidos há poucos que advogam verbalmente que a psicologia provém do diabo e pregam contra ela, e se levantam contra cristãos que trabalham com psicologia. Esses críticos cristãos têm um entendimento errado sobre a psicologia. Alguns não conseguem perceber que mesmo em teologia, interpretação bíblica, arqueologia bíblica, educação cristã, métodos de pregação e em outros campos do cristianismo há líderes que são tão liberais, anticristãos e não bíblicos quanto alguns psicólogos seculares. Em todas as áreas, incluindo a psicologia, precisamos clamar ao Espírito Santo para nos capacitar a discernir o que é e o que não é de valor e consistente com as Escrituras. Com freqüência descartamos o campo inteiro da psicologia por causa de algumas partes perniciosas. Contudo, não fazemos isso com a teologia nem a erudição bíblica.



No confessionário, além de ouvir confissões e “perdoar” pecados, o sacerdote católico tem oportunidade de exercer o aconselhamento pastoral?

Não tenho familiaridade suficiente com o ministério dos padres católicos para comentar sobre o trabalho deles. Creio no valor terapêutico e espiritual da confissão. Devemos confessar a Deus, que nos perdoa graciosamente pelo sangue de seu filho Jesus Cristo. Mas, sendo coerente com Tiago 5.16, creio também que há cura quando confessamos nossas faltas a outro crente. Não sou católico romano, portanto não creio que a confissão deva ser feita somente aos padres. Se um homem foi infiel à sua esposa, por exemplo, é mais producente que ele confesse a sua falta a ela e a um irmão em Cristo que possa ajudá-lo a encontrar o perdão e apoiá-lo para que vença o seu pecado. Há um movimento novo na psicologia chamado psicologia positiva, que estuda e promove a importância do encorajamento, do otimismo, da esperança. O perdão tem sido tema de freqüente discussão dentro desse movimento, e alguns dos líderes nessa discussão são cristãos que entendem que o perdão só pode ser encontrado em Cristo. Quando ajudamos as pessoas a confessarem seus pecados e falhas, e a mudar seu comportamento, estamos promovendo aconselhamento pastoral, mesmo que isso não seja chamado de aconselhamento.



Os governantes cristãos deveriam ter por perto um conselheiro cristão? O presidente George Bush tem?

Não conheço o presidente Bush pessoalmente e não sei se ele tem um conselheiro ou não. Sabe-se que Clinton tinha conselheiros, principalmente no que concerne aos assuntos amorosos. Os líderes cristãos, incluindo os pastores, podem se beneficiar grandemente tendo conselheiros que lhes possam aliviar a carga de seus pesados afazeres. Há alguns anos, ouvi um pastor dizer à sua igreja que estava como um carro com a bateria fraca, que já não tinha energia para continuar. Então decidiu tirar umas férias e passar um bom tempo se encontrando com um conselheiro cristão, que o ajudou muito em sua retomada. Há outros pastores abertos a esse tipo de experiência. Já os políticos tendem a ser menos honestos nessa questão para não perder votos na eleição seguinte.



A revista Christianity Today (5/3/2001) conta a história de um pastor que enfrentou sérios problemas por ter se viciado em pornografia via internet e afirma que o problema atinge outros pastores e crentes em geral. Que tratamento o senhor dispensaria a esse pastor?

Eu ainda não soube de nenhuma pesquisa que confirme essa informação, mas muitos pastores, missionários e outros crentes têm me dito que são viciados em pornografia pela internet. Cada caso deve ser tratado em sua particularidade, mas o princípio básico para o tratamento é que a pessoa admita que está vendo pornografia pela internet. A confissão do pecado a Deus deve vir em primeiro lugar. Depois deve-se tomar uma decisão pessoal de não voltar a se envolver com pornografia. Mas todos sabemos que é muito fácil quebrar essa decisão quando se está sozinho ou tarde da noite. Por isso é bom confessar o problema à esposa — bem como a um outro irmão crente (nós os homens sabemos que é muito fácil cairmos nesse pecado) — para que ela possa ajudar, inclusive com oração. Há também medidas práticas a ser tomadas, como virar o monitor do computador para a porta e mantê-la aberta para que qualquer pessoa que entrar possa vê-lo. Resumindo, a confissão, a oração e a prestação de contas a alguém podem ajudar a inibir o acesso à pornografia e promover a cura. O aconselhamento também é muito útil para ajudar a pessoa a entender por que a pornografia é tão atrativa. Muitas vezes nossa fascinação por algo reflete problemas pessoais, como tensões conjugais, solidão e outros que já citamos no início desta entrevista. Quando tratamos dessas questões, geralmente o problema com a pornografia é reduzido.



Como o senhor vê a recente declaração do psiquiatra Robert Spitzer, da Universidade do Columbia, sobre a possível mudança de opção sexual, de homo para hetero?

A declaração do Spitzer é interessante porque contradiz sua posição anterior. Contudo devemos nos conscientizar de que esse é um assunto complexo e de que Spitzer é uma recente voz de um debate antigo. Pesquisas nessa área estão em pleno desenvolvimento, e muitas vezes as vozes opostas e alaridas dos pró-homossexuais e anti-homossexuais trazem mais confusão ainda.



Em sua última visita ao Brasil, o senhor falou muito sobre o Christian Coaching. O que é isso?

Coaching é um assunto novo que está causando grande impacto no mundo dos negócios e suas corporações, inclusive no Brasil. A palavra coach tem sua raiz na pessoa do condutor de veículos puxados por animais, que levava os passageiros de onde eles estavam para onde queriam ir. Todos nós conhecemos a proposta do aconselhamento, que se focaliza na resolução de problemas e na cura das pessoas. Normalmente está ligado às experiências passadas. O Coaching, ao contrário, se concentra no presente e no futuro. As pessoas são levadas a observar sua vida, incluindo o casamento, a carreira profissional, a vida espiritual, para descobrir os planos futuros de Deus para elas. Assim, o Coaching ajuda a pessoa a caminhar de onde está para onde pretende chegar. O Senhor permitiu que eu escrevesse um livro, o primeiro sobre esse assunto. Christian Coaching: Helping Others Turn Potential into Reality (Ajudando Outros a Transformar Pontencial em Realidade) acaba de ser publicado em inglês.

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