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Reflexão — Valdir Steuernagel

Uma túnica a cada ano!

Pouco tempo atrás, ainda no mês de outubro, o país vivenciou eleições para prefeito e vereadores. Em vários lugares a eleição só foi decidida em segundo turno, estendendo o período de campanha e discussão.

Interessante que, na semana após as eleições, uma revista semanal fez da “explosão evangélica” a sua capa e respectivo artigo de fundo. Ou seja, ela considerou a realidade evangélica suficientemente importante para fazer a sua capa, numa semana em que o país vivia o resultado das eleições. Algo inimaginável ainda ontem. De fato as coisas estão mudando.

É sintomático ainda que, numa das maiores cidades brasileiras, um dos candidatos em segundo turno deu entrevista numa rádio evangélica afirmando a sua dita identidade cristã. Ao afirmar tal identidade ele negava, implicitamente, esta qualificação a outro candidato, procurando, assim, cortejar o voto dos evangélicos. Estes, afinal, já são tantos que vale a pena buscá-los com intencionalidade e intensidade.

O fato é que a igreja evangélica brasileira cresceu enormemente nas últimas décadas. Hoje não apenas os cristãos evangélicos são muitos, mas as suas igrejas são, em muitos lugares, grandes, importantes e imponentes. Os evangélicos estão em todos os setores da sociedade e têm chamado a atenção nos campos de futebol, no mundo político e artístico. Este é um novo cenário no qual a igreja está precisando aprender a se movimentar e inclusive se avaliar.

Não é minha intenção fazer tal avaliação neste artigo. Gostaria apenas de abordar umas poucas coisas que me parecem fundamentais neste momento. São coisas que brotaram diante dos meus olhos ao conversar com a história bíblica de Samuel e de sua mãe.



É importante cumprir as promessas

Os episódios da vida dessa amada e pobre mulher chamada Ana –– a mãe de Samuel – são conhecidos. Cansada e amargurada em função da sua esterilidade, ela enfim decide derramar a sua alma perante Deus. A oração que ela faz constitui um dos mais comoventes exercícios de transparência que a Bíblia registra. A intensidade da sua oração se transforma num voto: “E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida,...”(1 Sm 1.11).

Sabemos que Deus se lembrou dela e a sua alegria foi imensa e indescritível. Ela ria, pulava e cantava como há tempo não se via! Como uma grávida orgulhosa, ela não queria esconder a sua barriga. E assim, grávida, ela se sentia acalentada por Deus.

Mas o dia do parto chegou e o período de amamentação se transformou num misto de riso e lágrima. Ana sabia que, quando esse período terminasse, ela tinha um voto a cumprir. Um ato de obediência a realizar. Foi assim que ela começou a arrumar a mala de Samuel e a prepará-lo para uma mudança fundamental de vida. E quando reencontrou o velho profeta Eli ela disse: “Pelo que também o trago como devolvido ao Senhor por todos os dias que viver; pois do Senhor o pedi”. E diz o relato que “eles adoraram ali ao Senhor” (1 Sm 1.28).

Ana foi uma mulher que cumpriu o seu voto. Não apenas devolveu ao Senhor o que dele tinha recebido, mas presenteou o povo de Deus com o seu filho Samuel, que viria a ser um dos líderes chaves no processo de solidificação da história do povo de Israel.

É importante sermos conhecidos como um povo que sabe cumprir os seus votos. Que devolve a Deus o que dele recebe e enriquece o outro com a bênção recebida por Deus. A tentação que nos cerca nesta hora, contudo, não caminha nessa direção. Ela nos leva a ver na bênção uma graça egoísta. Um favor particular. Até um objeto de consumo. Assim a bênção de Deus passa a ser um produto de consumo particular e religioso. É contra essa tentação que Ana nos adverte e nos pede que lembremos o seu exemplo de vida, por mais que os seus olhos estivessem marejados de lágrimas ao despedir-se do seu Samuel.





Exercer fidelidade cotidiana

É claro que Ana não se esqueceu de Samuel. Pode, afinal, uma mãe esquecer-se de seu filho? À medida que se aproximava o tempo de ir ver Samuel, o que ela fazia anualmente, Ana parecia se transformar. Ela se tornava uma pessoa expansiva e “avoada”. Elcana, seu marido, só faltava entrar em desespero e, perturbado, murmurava: “Vá entender essa mulher!”

Um dos rituais inegociáveis nesse período que antecedia a subida ao templo e a visita ao filho era o tempo que Ana passava diante da máquina de costura. Pois era ali que ela não apenas costurava uma nova muda de roupa para o seu Samuel, mas colocava naquela peça um pedaço do seu amor. O texto diz assim: “Sua mãe lhe fazia uma túnica pequena, e de ano em ano lha trazia, quando com seu marido subia a oferecer o sacrifício anual”(1 Sm 2.19).

Aquela era, pois, uma túnica muito especial, tanto para Samuel como para Ana. Para ela, porque colocava no processo da costura da túnica um pedaço de si, e o fazê-la lhe dava um sentimento de participação na missão de Deus e na vocação de Samuel. E este olhava para a túnica, sorria e sabia-se amado e doado pela sua mãe; e vestir a túnica atenuava um pouco da saudade que ele sentia dela dia após dia.

Eu sei como é isso, pois minha mãe é costureira. Ela faz a maioria das calças que eu visto; elas têm o toque, o feitio e a cara dela. E eu sei que cada uma dessas calças vem acompanhada de um pedacinho dela, da saudade dela. Assim é com a minha mãe, e assim era com a mãe de Samuel.

Mas tudo isso por causa de uma túnica, que afinal nem aparece muito?! Mas era uma túnica a cada ano – e é isso eu quero destacar. Aquela túnica se constituía um passo de fidelidade e um gesto de continuidade. E isso é muito importante: que a nossa igreja e nós, como parte do povo de Deus, caminhemos na direção da continuidade fiel. Nas pequenas coisas. Ano após ano.

A tentação que nos acompanha é a da experiência grandiloqüente e do resultado imediato. Nós gostamos e queremos experiências fortes e conseqüências imediatas. Coisas para o consumo instantâneo. Assim queremos viver a nossa vida cristã e essa imagem damos à igreja.

O que o exemplo de Ana nos mostra, no entanto, é a importância das pequenas coisas que se enraízam no ritmo da nossa vida: uma túnica a cada ano... mas a cada ano uma túnica. Viver a fé cristã com fidelidade é fundamental para a saúde da igreja e o estabelecimento de uma boa continuidade generacional. Algo assim como Ana e Samuel.



Buscar intimidade com Deus

E assim Samuel ia crescendo e a sua túnica encurtando. Até que no ano seguinte ele ganhava uma roupa nova e, sorrindo, abraçava a sua mãe, com a nova túnica entre os braços.

Mas a vida de Samuel não se resumia a vestir e tirar túnicas. Sua vida era muito mais intensa que isso: diz o texto que ele “servia ao Senhor” (1 Sm 3.1). E, à medida que ele crescia, se intensificava a sua intimidade com Deus (1 Sm 3.19), num período em que “a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes” (1Sm 3.1).

A imagem que o texto bíblico nos transmite é a de uma época em que o temor a Deus não estava na agenda das pessoas. Samuel, no entanto, crescia na intimidade com Deus e no serviço a Ele, em meio a esse deserto da Palavra e esse cerco de infidelidade a Deus.

E assim são os nossos dias. Marcados pela desobediência a Deus e por um caos vivencial. O crescimento do individualismo e da violência parece apontar para o risco da desintegração social. E a igreja precisa clamar para que Deus não nos abandone com o seu silêncio.

Se a igreja quiser ter uma presença de impacto nessa sociedade, ela precisa vivenciar o caminho da intimidade com Deus e do serviço a Ele no mundo. Samuel continua a nos mostrar o caminho, numa longa vida de fidelidade a Deus e serviço ao seu povo. Em obediência ele viveu os seus anos, conclamou para uma vida na presença de Deus e para a construção de uma sociedade que expressasse a glória de Deus e a qual Deus queria continuamente enriquecer com a sua palavra.

Sera que é essa a marca que transmitimos à nossa sociedade e que deixaremos à geração futura?

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