Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Especial Brasil — Isaac Costa de Souza

Missionário pega mulher

Acusação
Quem assistiu ao programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, do dia 19 de março deste ano [2000], deve ter ficado assustado com estas palavras do indígena Kuru, da tribo dos Zo’é: “Missionário não bom, missionário pega mulher”.

Embora esse tipo de acusação contra missionários evangélicos não seja uma novidade (em 1994, a televisão apresentou indígenas louros como sendo filhos de missionários), parece ter sido a primeira vez que uma denúncia desse teor é emitida por um indígena.
Devido à gravidade da acusação e ao fato de ela ter sido proferida por um representante indígena, é de nosso interesse analisar esses fatos.


Pano (sujo) de fundo
Os missionários acusados foram expulsos da área indígena Cuminapanema (dos Zo’é) em 1991, por meio de manobras políticas do chefe da Secretaria de Índios Isolados (SII), da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Sidney Possuelo.

A antropóloga que assumiu os trabalhos de pesquisas etnológicas com os Zo’é foi Dominique Tilkins Gallois. Essa pesquisadora tem, sistematicamente, emitido acusações contra os missionários evangélicos, tanto nos meios de comunicação especializados como na mídia em geral. Como resultado, os missionários que trabalham entre os Waiãpi, no Amapá, encontram-se impedidos de retornar à aldeia onde desenvolviam seus trabalhos. Além disso, essa pesquisadora, por meio da Procuradoria Geral da República, moveu processo contra um ex-presidente da FUNAI, acusando-o de ter permitido que os missionários expulsos em 1991 invadissem a área Zo’é. Nesse bojo, a própria Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) está passível de processo porque teria sido a invasora.

Tanto os Zo’é como os membros da aldeia Waiãpi protestaram veementemente contra a retirada dos missionários. No entanto, não foram ouvidos.

Infelizmente, o juiz responsável pelo processo iniciado por Gallois acatou a petição. E um de seus argumentos era que seria anticonstitucional evangelizar os indígenas, pois o artigo 231 da Constituição reza que: “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.”

Esse magistrado não tem consciência da dificuldade que gerou ao interpretar a lei de forma tão tendenciosa. Se os indígenas não podem ter acesso a outra religião, eles não podem também ter acesso a outra língua. Ou seja, esse juiz está abrindo o flanco para a proibição do ensino do idioma pátrio aos silvícolas nacionais.

Sobre Dominique Tilkins Gallois e a organização não-governamental (ONG) da qual faz parte (Centro de Trabalho Indigenista — CTI), o Procurador Geral de Macapá, João Bosco, assim se pronuncia:

A experiência da FUNAI é omissa, ela é refém das ONG’s, pois não dispõe de recursos, nem econômicos nem humanos. Quem define as prioridades atualmente são as ONG’s. No caso do Amapá, quem define as prioridades são a Dominique e o Estado (...) Sobre os missionários, Márcio Santilli, presidente da FUNAI, sofreu pressão de Dominique (...) Há indícios de ligação entre os projetos de mineração (de Dominique — explicitação minha) e a expulsão dos missionários. Ficou evidente que o projeto previa caminhões e mecanismos de extração de ouro que não combinavam com o projeto de recuperação de áreas degradadas (...) Descobriu-se que havia um desmatamento para a construção de uma pista de pouso de 800 metros de comprimento por trinta metros de largura. (CPI - FUNAI, Câmara dos Deputados - DETAQ, N° 1354/99. 1/12/99:60-1)

Mais alarmante ainda é o parecer de Kaubi Waiãpi:

Nós temos medo da senhora Dominique. Ela quer acabar com nossa cultura, nossas tradições e costumes. Garimpo grande só traz mudança da cultura, bebidas, prostituição, doenças, malária, divisão de poder e desrespeito dos mais velhos pelo jovens. (...) Waiãpi não faz roça daquele jeito, comprida (uma roça de proporções inusitadas para o povo foi derrubada sob orientação de Dominique; na verdade, o objetivo era construir uma pista de pouso - elucidação minha). Queremos que CTI pague pelos danos ambientais. (...) Nunca vi uma antropóloga dividir um povo indígena. É a primeira vez que isso acontece no Brasil. Povo Waiãpi tá dividido: parente com raiva dos parentes. É muito ruim isso. Só problema mesmo. (CPI - FUNAI, Reunião realizada na área Waiãpi, 22/11/99.59)

Este é o pano (sujo) de fundo que está por trás da acusação da Globo.


Os missionários
Conheço pessoalmente a maioria dos missionários acusados na reportagem da Globo. Com exceção de um, eles continuam na MNTB, desempenhando funções administrativas ou docentes.

A propósito da afirmação de Kuru, Carlos Alberto L. Carvalhodesabafa, em carta à rede Globo:

Sou BRASILEIRO DO RIO DE JANEIRO, CASADO, temos dois filhos que moravam lá naquele tempo conosco e que estavam chorando, movidos de profunda tristeza, ao fim da reportagem no mínimo maldosa e caluniosa que foi levada ao ar pelos senhores neste dia. (...) Eu conheço o Kuru, o moço que falou que ‘missionário não bom’ ... ‘Pega mulher’... Eu os respeito tanto, que jamais acreditaria que o Kuru diria coisas como aquelas de nós se isso não lhe tivesse sido encomendado... quero registrar aqui minha indignação e revolta, nem tanto como missionário, mas como homem e cidadão, chefe de família, que ouviu alguém dizer na frente dos meus filhos que eu ‘pegavamulher’ de um Zo’é...

O atual presidente da MNTB, Edward Gomes da Luz, também movido pela emoção e indignação, replica:

Foram só 75 segundos que se referiram a nós, mas o estrago tem valor eterno, e a indignação não tem medida. Dormi molhando o meu travesseiro com lágrimas e acordei soluçando. Ao digitar essas linhas as lágrimas correm pelo meu rosto. (...) Sempre estive entre os Zo’é. Fui o primeiro a entrar e o último a sair (...) Não sabiam o que era ‘missionário’, pois esta palavra nãotinha sido traduzida para eles. É visível que ele foi instruído, induzido a falar aquelas mentiras contra nós.(Edward Gomes da Luz)

Até por questão de conseqüência judicial, não se pode arriscar a mencionar aqui a pessoa responsável pela elaboração da mensagem emitida por Kuru — em um português trôpego e ensaiado. De qualquer modo, um dia, quando realmente dominar a língua portuguesa de forma independente, Kuru saberá que foi usado de maneira perversa por quem colocou essas palavras em sua boca. Então separará o joio do trigo, os bodes dos carneiros, a hombridade da velhacaria.


A rede Globo
Embora não se possa atribuir diretamente à Globo a autoria das palavras de Kuru, as investidas dessa emissora contra os evangélicos não constituem novidade e podem ser identificadas tanto por meio do apagamento ideológico como da divulgação — de noticiário malicioso.

Quanto ao apagamento, a Globo silencia diante dos eventos evangélicos que reúnem multidões. Outras manifestações religiosas de menores proporções são amplamente projetadas.

Quanto à divulgação, meses atrás, em seu programa Linha Direta, a Globo acusou de pedófilos dois evangélicos que se vestiam de palhaço para evangelizar menores. Por causa disso, ambos passaram oito meses detidos em um presídio. Além de nada ter sido provado contra eles, houve conversão em massa de seus colegas de sela. Durante rebeliões, foram protegidos por seus amigos de prisão. Concernente a esse testemunho positivo, a rede de televisão acusadora usou a estratégia da omissão.

O caso Kuru ilustra também o ranço antievangélico da Globo. Quando se imaginou que, pelo número de protestos recebidos, ela faria justiça aos acusados, em edição posterior do Fantástico manipulou ainda mais as informações contra os missionários, pois não apenas reapresentou o depoimento de Kuru, como também o projetou por duas vezes, no mesmo programa.

Infelizmente, em sua prática de desinformação, essa rede de televisão não seguiu este conselho do jornalista Armando Antenore: “O leitor perdoe a expressão vulgar, mas a Globo vai cuspir no prato que comeu... ‘Decadência’ quer revisitar o Brasil sob um ponto de vista que os telejornais da Globo preferiram desprezar no calor da hora, no momento em que os fatos aconteciam de verdade. ‘Decadência’ deverá encerrar a onda revisionista — que de resto se mostra inócua. O melhor caminho para a emissora apagar a fama de imparcialnão é remexer no passado. É deixar de corromper o presente.”(Folha de São Paulo de 3 de setembro de 1995, TV folha, p. 5)

Como se pode ver, o presente continua a ser cinicamente corrompido pela Globo.


Isaac Costa de Souza, missionário, é mestre em lingüística pela UNICAMP, com especialização na mesma área pela University of North Dakota, EUA, e tradutor da Bíblia para as línguas Kamã e Tembém, no Amazonas e no Pará. É professor e diretor do Curso de Lingüística e Missiologia (CLM) da Associação Lingüística Evangélica Missionária (ALEM), em Brasília.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.