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Coluna

Da descrença quase total para o ministério da palavra

Nasci em Bragança, Pará, e fui batizado na Igreja Romana, porém educado em lar evangélico, pois tinha apenas um ano quando meus pais se tornaram protestantes. Freqüentei a igreja desde criança e meus pais e pro-fessores da escola dominical contribuíram para a formação de minha personalidade cristã e a construção de uma fé pura e sincera.

Já adulto e depois de um período de investigações e questionamentos, entrei em crise e assisti aflito à implosão daquele monumento tão bonito da minha fé, construído com tanto amor. A densa nuvem de incertezas levaria muito tempo para se desfazer e me deixar vislumbrar os escombros, de onde eu teria de reunir os fragmentos para tentar reconstruir o que eu acreditava impossível ser reconstruído.

Havia me licenciado em pedagogia e meus sonhos de jovem professor seriam frustrados pela dura realidade de um país mergulhado na ditadura militar. Perplexo ante os acontecimentos político-econômicos e as injustiças sociais, esperava uma atitude corajosa daqueles que pregavam a justiça e a verdade. Porém as atitudes das igrejas e os exemplos de suas lideranças naquele momento histórico, bem como as respostas que ofereciam às minhas indagações conduziram-me para um desfiladeiro cujas encostas escarpadas e traiçoeiras me empurravam cada vez mais para o abismo. Era grave o meu estado, difícil minha situação, insuportável minha aflição de espírito.

Entretanto, apesar da minha revolta e descrença, algo dentro de mim me impulsionava para cima, fazendo com que às vezes eu me surpreendesse orando e clamando por socorro. Assim, eu cambaleava no terreno escorregadio da dúvida, caindo e me debatendo nas barreiras do crer e do descrer. Inconformado com a atitude de igrejas e líderes que emudeciam com medo de denunciar os pecados do sistema; nauseado com o comportamento de profetas que, como Jonas, fugiam para a Társis de suas conveniências; indignado com o comodismo de pastores que dormiam o sono da indiferença quanto aos seus irmãos índios, negros, camponeses, operários, estudantes e professores que gemiam debaixo da opressão política, econômica e social das oligarquias dominantes, decepcionando com a acomodação de ministros religiosos, que, pusilânimes, não se dispunham a exercer o seu ministério profético, afastei-me das igrejas, decidido a não mais pertencer a nenhuma delas. Tornei-me um cético, porém faminto e sedento de justiça. Participei de grupos considerados subversivos na época e quase fui preso por panfletagem e por escrever artigos que profligavam contra os atos de injustiça praticados pelos poderosos.

Conheci Ivonete, hoje minha esposa, e juntos começamos dar assistência a pessoas carentes, auxiliados por famílias cristãs de classe média. Criei uma escola onde todos os professores eram jovens como nós e demos aulas gratuitas durante seis anos.

Casei com Ivonete, mudamos para o Rio de Janeiro e depois para Brasília. Graduei-me em ciências econômicas e administração de empresas. Aprovado em concurso, abandonei o magistério e fui trabalhar no Ministério do Interior como economista e depois me transferi para o Ministério da Previdência Social. Fiz pós-graduação em administração e voltei ao magistério como titular das cadeiras de administração e economia de mercado.Tive de me afastar um pouco das pugnas ideológicas para me dedicar à família, que estava crescendo, principalmente à educação de meus filhos. Passei por novo período de reflexão para a tomada de novas decisões.

Distante da igreja e descrente de quase tudo, um dia fui a uma Igreja Presbiteriana assistir a um recital de uma artista famosa que se convertera. Enganei-me. Não houve recital naquela igreja. O pastor pregou sobre Hebreus 10.25: “Não abandoneis a congregação como é o costume de alguns”. A mensagem, simples e direta, cheia de espiritualidade e de verdade, me atingiu em cheio. Convenci-me de que Deus me falara naquela noite por meio daquele pastor que nem sequer me conhecia. Confortado e alimentado espiritualmente, voltei para casa decidido a retornar a Cristo e sua igreja. Foi o que aconteceu.

As respostas que eu buscava mediante a razão e não encontrava começaram a chegar por meio da fé. Experimentei momentos de indizível alegria em voltar à casa paterna. Tornei-me um servo, um trabalhador, um operário de Cristo, e não mais um ativista. Porém jamais abandonei a luta pela justiça, pela dignidade e pela paz.
Fiz bacharelado em teologia e ciências religiosas, me inscrevi como postulante às sagradas ordens em 1978 e, em 1979, fui ordenado sacerdote. Fundei a primeira Igreja Anglicana no Estado de Goiás, no município de Luziânia. Fundei também duas escolas e uma creche. Fui duas vezes presidente do Conselho Diocesano, secretário diocesano de Economia e Finanças, secretário de Arte e Expressão Litúrgica, professor de Introdução ao Novo Testamento no Centro Anglicano de Estudos Teológicos, membro da Junta de Capelães Examinadores, pároco da Paróquia do Espírito Santo, reitor da Paróquia da Ressurreição e deão da Catedral Anglicana de Brasília, onde estou desde setembro de 1999.

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