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Colunas — O Mineiro com Cara de Matuto

Três dias e três noites no ventre do Logos II


2.800 anos depois de Jonas
Jonas morreria de inveja. Enquanto o profeta escorregava de um lado para outro no ventre de um grande peixe no Mediterrâneo, lá pelo oitavo século antes de Cristo, pelo espaço de três dias e três noites (Mt 12.40), o Mineiro com Cara de Matuto passou o mesmo período de tempo a bordo do navio Logos II, na Lagoa dos Patos (280 quilômetros de comprimento) e no Oceano Atlântico, na altura dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. O percurso todo foi entre Porto Alegre e o porto de Santos, cerca de 778 milhas marítimas. Enquanto o profeta orava ao Senhor numa posição extremamente incômoda e com a cabeça enrolada de algas marinhas (Jn 2.5), o Mineiro orava de joelhos em seu pequeno camarote. Enquanto Jonas foi vomitado na praia pelo peixe, o Mineiro educadamente se despediu da tripulação do Logos II e desceu pelas escadas no navio da Operação Moblização (OM) no píer de Santos.

Além das conversas e das refeições a bordo, o Mineiro aproveitou o tempo para ler quatro livros. No primeiro deles — Náufragos, traficantes e degredados, de Eduardo Bueno — encontrou, por coincidência, a revelação de que o litoral do Rio Grande do Sul, desde Punta del Este, no Uruguai, até Laguna, em Santa Catarina, numa extensão de 600 quilômetros, é o maior trecho de costa retilínea do planeta. Por ali passaram vários navios portugueses e espanhóis na primeira metade do século XVI em busca de uma passagem para o outro lado do continente, o que só aconteceu em novembro de 1520, com a viagem de Fernando de Magalhães. Aliás, falar no Estreito de Magalhães, que liga o Atlântico ao Pacífico, dá arrepios no pessoal do Logos II, pois foi ali perto, no extremo Sul da Patagônia, no Canal de Beagle, que seu irmão mais velho, o Logos I, por volta da meia-noite de 4 de janeiro de 1988, encalhou numa rocha submersa, com 139 pessoas a bordo.

Os outros três livros que o Mineiro leu foram-lhe oferecidos em Porto Alegre por Iugo Haake, diretor da Actual Edições: A história do Logos (239 páginas), O ano 2000 e as previsões da volta de Cristo e Os sinais dos tempos.

Antes da viagem, o Mineiro conseguiu, pela Internet, a relação de todos os navios brasileiros afundados por submarinos alemães e italianos entre 1942 e 1945. O número de baixas é assustador, mesmo levando em conta que a maioria dos 33 navios postos a pique era formada de cargueiros. Foram ao todo 1.036 vítimas fatais, especialmente por causa do afundamento dos navios de passageiros Baependy (com 270 mortes), Annibal Benévolo (150) e Araraquara (131). Os três foram torpedeados nas costas de Sergipe, em agosto de 1942 (dias 15 e 16), pelo mesmo submarino alemão U-507, que afundou outros três navios. Cinco meses depois, o U-507 foi afundado ao largo da costa do Brasil por um avião da marinha norte-americana. As informações foram dadas por Rudnei Dias da Cunha.

No mesmo dia em que o Logos II atracava no porto de Santos (30 de julho), o Jornal do Brasil publicava um artigo do engenheiro naval José Celso de Macedo Soares sob o título Poder marítimo. Ali o Mineiro leu duas denúncias muito sérias. A primeira diz respeito aos nossos portos: “Todos que labutam na orla marítima sabem quão vergonhosa, quão ineficiente é nossa estrutura portuária”. A outra fala sobre a nossa negligência com a navegação: “Apesar de seus 8 mil quilômetros de costa e 40 mil quilômetros de vias fluviais — a maior extensão do mundo — vê-se que o Brasil jamais cuidou seriamente de seu poder marítimo”.

Escola de comunhão
O que o Mineiro estava fazendo no Logos II, ao lado de 190 pessoas de 35 nacionalidades, quase todos jovens (80%)? Bem, ele estava ali a convite do pastor Humberto Aragão, diretor da Operação Mobilização no Brasil, com sede em São José dos Campos, SP, para conhecer de perto o ministério realizado por esta agência missionária fundada por George Verwer em 1970, cujo objetivo é mobilizar a igreja de Jesus Cristo para levar a cabo a chamada Grande Comissão, isto é, o anúncio do evangelho a todo o mundo (Mc 16.15).

A tripulação do navio inclui a tripulação propriamente dita e o pessoal mais ligado ao ministério evangelístico. Ao primeiro grupo pertencem o capitão, o imediato, o chefe de máquinas, os oficiais de náutica e de máquinas, o médico de bordo, enfermeiros, comissários etc. São ao todo 62 pessoas. Os demais membros da tripulação estão sob a direção de John Satterly, um ex-bancário inglês de 35 anos, casado com uma alemã e pai de uma criança de 11 meses. O capitão é um americano chamado James Dyer, de 44 anos, casado e pai de quatro crianças, todas a bordo do navio. John Coleman Tyler, também americano, de 45 anos, casado, três filhos, é, ao mesmo tempo, o pastor da turma toda e o chefe de pessoal.

Antes de mais nada, o Logos II é uma escola de comunhão. Os 190 tripulantes aprendem a viver juntos e a adorar o mesmo Deus, apesar das tremendas diferenças raciais, culturais e lingüísticas. O Mineiro encontrou ali rapazes e moças da Coréia do Sul, Japão, Índia, Sudão, África do Sul, Nova Zelândia, Portugal, Áustria, Holanda, Alemanha, Suíça, Escócia, Inglaterra, Jamaica, Trinidad e Tobago, Argentina, Costa Rica, Guatemala, Colômbia, Panamá, Estados Unidos, México, Brasil etc. Quase todos os jovens são solteiros e têm o compromisso de permanecer no navio pelo espaço inicial de 2 anos. A língua adotada é o inglês, mas de vez em quando se ouve uma conversinha em espanhol, que é uma espécie de segunda língua, não só para os hispânicos. O tripulante mais velho completou 71 anos no dia 28 de julho durante a viagem de Porto Alegre a Santos. Das quinze crianças que vivem a bordo, a menorzinha tem 9 meses. Para elas há uma escola e um espaço para recreação na parte mais alta do navio.

Além das diferenças já mencionadas, a diversidade denominacional é muito grande. O capitão é congregacional, o diretor é batista, o pastor é anglicano, o sudanês Zamenfes Abraha é presbiteriano, a tobaguina Sherry Rampersad é pentecostal e assim por diante.

Todavia a diversidade mais difícil de enfrentar é a diferença de personalidades e temperamentos. Além do mais, todos são pecadores e estão sujeitos à inveja, ao ciúme, ao egoísmo, à explosão de gênio, ao mau humor. Uma vez, em Londres, uma jovem acordou assustada com o barulho da âncora do navio que estava sendo baixada paralela à parede de seu camarote. Certa de que tinha havido um acidente qualquer, a moça pegou o salva-vidas e correu em direção ao bote salva-vidas, sem se lembrar de acordar e chamar a sua companheira de quarto, comportamento que denunciou uma dose inconsciente de egoísmo. A história do Logos I registra um atrito feio entre os oficiais de cobertura e os oficiais de máquinas, que acabou terminando muito bem, por causa da obrigação a que todos se impõem de perdoar e de amar.

Por não se tratar de viagens curtas de um porto a outro ou de um país a outro, a tripulação precisa aprender a ter comunhão verdadeira e permanente por um longo prazo, não obstante as muitas e complexas diferenças. Eles conseguem viver em família. Comem no mesmo refeitório e a mesma comida, tanto o cozinheiro João Carlos Carvalho Martins, um português de 30 anos, convertido há menos de 3, como o capitão James Dyer.

O Mineiro teve curiosidade de conhecer a cabine do capitão, onde ficam os oficiais de náutica, ou de convés, e o compartimento das máquinas, onde ficam os oficiais de máquinas. Enquanto o primeiro é uma sala carpetada e muito iluminada, na parte mais alta do navio, o segundo é um conjunto de salas — oficina mecânica, oficina de soldas, sala dos compressores, sala do leme, sala dos geradores, sala dos motores — além de um grande depósito de livros, que supre a enorme livraria que está no convés, tida como a segunda maior livraria do mundo. O compartimento das máquinas fica na parte mais baixa do navio, sem iluminação natural, com muito barulho e cheiro de óleo. Os oficiais lá de cima estão com roupas acentuadamente limpas e os lá de baixo vestem macacões acentuadamente sujos de graxa. O navio depende de ambos os grupos.

Os navios de Deus
O primeiro navio da OM foi o Logos I, adquirido em 1970. Quatro anos depois, a organização comprou o Doulos. Com a perda do Logos I, que encalhou no Sul do Chile, em1988, surgiu o Logos II, que até então chamava-se Antônio Lázaro e fazia transporte de carros entre a Espanha e o Norte da África.

Em 17 anos, de outubro de 1970 a janeiro de 1988, o Logos I navegou 231.250 milhas marítimas (428.275 quilômetros) e fez 401 escalas em 258 portos de 103 países. Cerca de 7 milhões de pessoas visitaram a livraria a bordo do navio e 370 mil participaram das reuniões ali realizadas. Mais de 2 milhões participaram das reuniões em terra ministradas pelos membros da equipe. Mais de 4 mil rapazes e moças e alguns adultos participaram de treinamento a bordo. Aproximadamente 1,6 milhão de livros evangélicos e 3,5 milhões de livros seculares foram vendidos de porto em porto. O navio teve onze diferentes capitães nesse período, quatro do Reino Unido, dois dos EUA, e os demais da Alemanha, Finlândia, Índia, Noruega e Suécia.

De acordo com a edição de 1992 do Guiness Book of Records, o Doulos é o mais antigo navio ainda em serviço. Construído nos EUA em 1914, com 130 metros de comprimento e 16 de largura (maior que os dois Logos), o Doulos, de 1978 a 1996, percorreu 212.694 milhas marítimas (393.902 quilômetros) e ancorou 352 vezes em 231 portos de 83 países. Embora tenha viajado menos que o Logos I, recebeu quase o dobro de visitantes (13 milhões). O Doulos esteve no Brasil de 6 de julho a 17 de setembro de 1979 e foi visitado por mais de 300 mil pessoas. Possui um auditório com 600 cadeiras e a livraria ocupa uma área de 580 metros quadrados.

O mais novo dos três navios, o Logos II, já visitou 182 portos em 60 países. No momento, o navio está em Salvador (de 27 de agosto a 13 de setembro). Em seguida irá para Recife (de 15 de setembro a 5 de outubro). Então, depois de percorrer 2.388 milhas (mais de 4.400 quilômetros) da costa brasileira, atravessará o Atlântico e visitará sete portos da África Ocidental em Gana, Costa do Marfim, Camarões, Gabão, Libéria e Senegal. A tripulação vai comemorar o Natal e a passagem do ano de 1999 para 2000 em Abidjã, na Costa do Marfim.

Em 16 dias, só em Porto Alegre, o Logos II vendeu 15.807 livros e 255 vídeos sobre a vida de Jesus. Um terço dos livros eram evangélicos, entre os quais contam-se 1.040 Bíblias. O número de visitantes chegou a 47.184, quase 3 mil por dia.

O Mineiro com Cara de Matuto assistiu a sessão de encerramento, que eles chamam de Noite Internacional, realizada em terra, no Auditório Araújo Viena. Foi um programa descontraído dirigido por jovens e para jovens. Apenas os cânticos e a pequena mensagem de Humberto Aragão sobre a mulher samaritana não estiveram sob a responsabilidade do multinacional grupo do Logos II, que apresentou vários números de danças típicas da Áustria, Escócia, Argentina, Colômbia e outros países, e a dança das velas. Rapazes e moças trajavam roupas de seus próprios países. O suíço Boris Cretegmy, de 31 anos, contou que teve uma infância muito infeliz e, por esta razão, odiava os pais, até que conheceu o evangelho e mudou por completo de vida. Está no navio há 5 anos. Apesar do frio intenso, havia umas três mil pessoas no auditório. O brasileiro que dirigiu o louvor, lá pelas tantas, pediu que cada pessoa dissesse ao seu vizinho: “Estou sentindo a presença de Deus aqui”. O Mineiro ficou calado, não porque desaprovava o programa da reunião, mas por causa do volume do som que estava altíssimo...

Seis dias depois, já no porto de Santos, o Mineiro assistiu a singela cerimônia de abertura, realizada no principal auditório do navio, com a presença do prefeito e da vice-prefeita da mais importante cidade portuária do Brasil.

O bom samaritano no mar do Sul da China
Em cada porto, o pessoal do navio promove uma série de reuniões pela manhã, à tarde e à noite para diferentes auditórios: jovens, pastores, casais, idosos, homens de negócios, senhoras, líderes e crianças. Cobram-se ingressos que variam de 1 a 5 reais. As palestras são realizadas a bordo do navio com toda comodidade e com um serviço de som perfeito.

A livraria é imensa, com livros em português, inglês e espanhol. São 4 mil títulos e 300 toneladas de livros. Não se trata de uma livraria evangélica, pois, além de livros cristãos e de Bíblias, há muitos dicionários, enciclopédias, romances, livros científicos e infantis.

O Mineiro perguntou ao diretor John Satterly se, nesses quase 30 anos de ministério, houve algum acidente fatal. Na verdade até agora só uma pessoa morreu a bordo: o próprio médico do navio, um indiano de terceira idade chamado Arrawattigi, que teve um ataque de coração durante a noite, logo na primeira viagem do Logos I, à Índia, em 1971. Em compensação, uma criança nasceu a bordo do mesmo navio, na baía de Benin, nas proximidades de Lagos (Nigéria). A pequenina Ruth está beirando hoje os 30 anos.

Todavia, três jovens perderam a vida quando estavam a serviço da OM. Em 1978, o mexicano Abel Ventura Castro morreu afogado numa praia de Taiwan, num passeio para comemorar o aniversário de uma criança. O caso mais grave aconteceu em Zamboanga, no Sul das Filipinas, em agosto de 1991. Os jovens do Doulos estavam apresentando o programa de encerramento, a tal Noite Internacional, quando terroristas fundamentalistas islâmicos atiraram uma granada em pleno palco, o que levou à morte duas moças: Sofia Sigfridsson e Cynthia Smith. Detalhes desta triste história o Mineiro encontrou no 19º capítulo do livro que Satterly lhe deu de presente (The Doulos History).

Um dos mais emocionantes momentos do Logos I aconteceu no trajeto entre Hong Kong e Tailândia, no mar do Sul da China, em outubro de 1980. Embora tivesse orientação para não embarcar refugiados vietnamitas porque nenhum governo os queria receber, a tripulação, de comum acordo, resolveu acolher 93 deles que estavam morrendo de fome em duas ou três precárias embarcações. Passar de largo por aqueles barcos seria cometer o desamor que Jesus condenou na parábola do bom samaritano (Lc 10.15-27). Supri-los apenas de combustível, água, comida e roupa, deixando-os ao léu da sorte, não seria muito cristão. Apesar de toda complexidade da situação, sabendo inclusive que alguns portos não deixavam atracar navios que tivessem recolhido refugiados, o capitão Dennys Collins, do Reino Unido, e o diretor Allan Adams, da Austrália, deram abrigo àquelas sofridas criaturas. Uma vez a bordo do Logos I, cada um deles tomou banho, recebeu roupas limpas e comida, foi examinado pelo médico de bordo e ganhou um Novo Testamento na língua vietnamita. Depois de muitos contatos com o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, mediante o cônsul britânico de Bangcoc, o navio pôde desembarcar os 93 refugiados na Tailândia, de onde seguiram para a Grã-Bretanha e outros países. Um dos vietnamitas estava com 73 anos, outro tinha sofrido dois derrames e outro era um bebê de três meses.

Na história dos navios da Operação Mobilização há o nome de um brasileiro que tomou parte ativa na elaboração do projeto e na compra do Logos I. Trata-se de um funcionário da Varig que emigrou para os Estados Unidos e lá se casou e acabou trabalhando na torre de controle do Aeroporto J. F. Kennedy, em Nova York. Chama-se Décio de Carvalho. Ele e a esposa Olívia conheceram George Verwer e a ele se associaram logo no início da OM. Um sobrinho de Décio, que tem o mesmo nome e sobrenome, trabalhou no Doulos em 1982 e parte de 1983. Lá conheceu a porto-riquenha Elba, com a qual veio a se casar 6 anos depois. Hoje, o brasileiro Décio de Carvalho e a esposa servem ao Senhor num país distante como obreiros da OM.

Assim como o segundo Décio, vários brasileiros têm servido a Deus a bordo dos navios da OM. Um deles é João Batista dos Santos Filho, de 46 anos, da Igreja Batista Regular Filadélfia, em São Paulo. Depois de fazer o curso de ministério transcultural no Centro Evangélico de Missões (CEM), em Viçosa, MG, João Batista ingressou no navio Doulos em Bangcoc, na Tailândia, em 1987. Nos últimos 9 anos, o ministério de João Batista era o de coordenar o programa do navio em diferentes portos. Ele já perdeu a conta de quantos países visitou neste período em todos os continentes. Agora, no porto de Santos, ele se despediu de seus colegas e ficou no Brasil para um merecido período de férias. No próximo ano irá para a OM de Vancouver, no Canadá, para exercer outro tipo de ministério.

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