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Capa

Deus, a terra e o homem


No princípio...
A terra que o Senhor Deus criou é “um magnífico lugar para se viver”, diria Michael Collins, observando-a a uma distância de 384 mil quilômetros, a bordo da Apollo-11, em julho de 1969. Deus também viu tudo quanto fizera e concluiu que “era muito bom” (Gn 1.31). A terra foi colocada a uma certa distância do sol (149.500.000 quilômetros) e gira em torno dele. Cada volta aumenta um número no velocímetro do tempo. Além deste movimento e da rotação da terra em volta de seu próprio eixo, o complexo todo — o sistema solar — move-se a uma velocidade de 800 mil quilômetros por hora dentro do espaço sideral.

O homem foi criado aqui na terra, à imagem e semelhança de Deus, e recebeu instruções para enchê-la e sujeitá-la (Gn 1.26-30). Ele habita na superfície deste planeta, que mede mais de 500 milhões de quilômetros quadrados, dos quais cerca de 70% são água e somente 30%, terra seca. “A terra nunca foi menor e nunca será maior” (Robert Plant). A longevidade é enorme, mas a duração média da vida humana há de baixar para 70 a 80 anos, dentro de alguns séculos, já na época de Moisés (Sl 90.10). A vida é difícil por causa das relações humanas e das relações do homem com Deus. Deus se exime de qualquer responsabilidade nas tragédias que começam a ocorrer, mas não se afasta nem deixa o homem a sós. Registra-se, logo no início, o assassinato de Abel, por seu irmão Caim, por motivo de inveja e ira descontrolada. A terra vai-se enchendo de violência. “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.29). 


Há 2.000 anos (Ano 1)...
Aterra tem 250 milhões de habitantes. As pirâmides do Egito já existem há quase 30 séculos e a grande muralha da China, há 200 anos. Buda morreu há cerca de 500 anos e Júlio César foi assassinado há menos de 50 anos. O Velho Testamento já está composto e, há mais de 200 anos, traduzido para o grego (a Septuaginta). Praticamente o mundo inteiro está dentro do Império Romano, inclusive a Palestina. O imperador é sobrinho-neto e filho adotivo de Júlio César, tem 63 anos e chama-se César Augusto. O poeta Ovídio tem 43 anos e o historiador Tito Lívio, 59. Ainda faltam 37 anos para Nero e o historiador Flávio Josefo virem ao mundo.

Boa parte das profecias está-se cumprindo de maneira irreversível, sem o conhecimento nem o aplauso da opinião pública. Esta é “a plenitude do tempo”, na opinião de um observador da época chamado Paulo (Gl 4.4). De fato, nasce de uma mulher, em Belém da Judéia, aquele que sempre agiu de maneira estranha, sob o ponto de vista meramente humano. A morte de Jesus, 33 anos depois, não é acidental e tem profundas implicações teológicas. Outro observador, um médico chamado Lucas, atesta que Jesus, “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante 40 dias”, ao cabo dos quais foi, à vista de todos, assunto ao céu (At 1.3 e 9). O pequeno grupo que se rende à verdade destes fatos inicia, pela palavra e pelo testemunho, no poder do Espírito Santo, a evangelização do mundo. Surge o cristianismo. Inicia-se uma nova contagem do tempo. O que se deu antes de o Verbo se fazer carne, diz-se que aconteceu no ano tal antes de Cristo. O que se deu depois, diz-se que aconteceu no ano tal depois de Cristo. 


Há 500 anos (1500)...
Aterra ainda não está cheia. A população mundial é de 450 milhões de pessoas. A maior concentração acha-se na Europa. Inicia-se o século XVI. Começa-se a ter noção do verdadeiro tamanho do “ajuntamento das águas” e da “porção seca” do planeta. Estão todos surpresos com as recentes descobertas de Henrique, o Navegador (ilhas de Madeira, Cabo Verde, Canárias, Açores e a costa do Senegal e Guiné), Bartolomeu Dias (o outro lado do Cabo da Boa Esperança), Cristóvão Colombo (o outro lado do Atlântico) e João Cabot (Canadá e Terranova ). Pedro Álvares Cabral acaba de descobrir mais “porção seca” ao sul do Trópico de Câncer (Colombo e Cabot investigaram a parte norte). Daqui a 13 anos, Balboa atravessará o istmo de Panamá e comprovará a existência de mais um grande “ajuntamento de águas”, o Oceano Pacífico. Seis anos depois (1519), Fernão de Magalhães contornará a América do Sul e encontrará, junto à Terra do Fogo, uma passagem para o Pacífico, o Estreito de Magalhães. Outras surpresas virão com as descobertas científicas de Copérnico, Galileu e Kepler. O primeiro está com 27 anos e dentro em breve lançará as bases da astronomia moderna, afirmando que a terra desenvolve os movimentos de rotação (em torno de seu eixo) e circunvolução (em torno do sol). O médico Ambroise Paré escreverá Método de tratar feridas feitas por arcabuzes e Anatomia universal do corpo humano, graças aos quais será chamado “O Pai da Cirurgia Moderna”.

Os grandes artistas estão todos vivos. O arquiteto Donato Bramante está com 56 anos e dentro de dois ou três anos construirá a nova Basílica de São Pedro, em Roma. O engenheiro, inventor e pintor Leonardo da Vinci está com 48 anos, os pintores Alberto Dürer, Lucas Granach e Miguel Angelo ainda não atingiram 30 anos e Rafael é um adolescente de 17. O ambiente de bruxaria permitirá que o médico francês Michel de Nostre-Dame (Nostradamus), filho de judeus convertidos ao cristianismo, se dedique à astrologia e publique as suas Centúrias daqui a 55 anos, contendo profecias que englobam vários séculos.

É verdade que a peste negra matou, em um ano, um terço da população da Europa. Mas a morte por mãos humanas apresenta um índice bem elevado. Pico Della Mirandola, autor de Oração sobre a dignidade do homem, foi envenenado por seu secretário há seis anos. Savonarola, o monge que tentou impor o cristianismo em Florença, foi queimado há dois anos. No final do século passado, o dominicano Tomás de Torquemada, “em nome da unidade da fé espanhola”, ordenou a morte na fogueira de 2 mil pessoas. E as coisas continuarão neste pé por muito tempo. Nos próximos 50 anos o navegador Balboa, o chanceler do reino, Thomas More (autor de Utopia) e Ana Bolena (a segunda esposa de Henrique VIII) serão decapitados. Só no ano de 1555, 75 pessoas serão queimadas na Inglaterra, entre elas os notáveis bispos Hugo Latimer e Nicolau Ridley. Em 1572, só na França, serão mortos 8 mil huguenotes em Paris e várias vezes esse número no resto do país, entre eles o Almirante Coligny (Noite de São Bartolomeu). Talvez Maquiavel, agora com 31 anos, com a sua tese política de que “os fins justificam os meios”, explique parte da razão de todos esses crimes.

A imprensa com tipos móveis foi inventada por João Gutenberg há 62 anos. O primeiro livro impresso foi a Bíblia (180 exemplares). Desde então já se fizeram 92 edições da Vulgata. Os principais países da Europa já têm a Palavra de Deus em suas próprias línguas. As traduções são recentes, de 30 anos para cá. Processa-se uma redescoberta da Bíblia.

Os cristãos estão divididos em ocidentais (romanos) e orientais (ortodoxos) há 446 anos (desde o Grande Cisma, em 1054). O papa é um espanhol chamado Rodrigo Bórgia. Tornou-se papa depois de exercer o cardinalato de 1456 a 1492. O mínimo que se pode dizer dele é que é “um soberano mais temporal que espiritual”. Reina sob o nome de Alexandre VI. Lucrécia Bórgia, sua filha, está com 20 anos e já se casou duas vezes. O segundo marido acaba de ser estrangulado por ordem do cunhado César Bórgia. Ela vai se casar de novo no próximo ano. O papa seguinte será Júlio II, o mais profano de todos.

O ambiente exige uma reviravolta religiosa, o cristianismo encontra-se deformado e a corrupção se generalizou. Há insegurança e perigo, a igreja precisa mudar. O elemento humano, que não se conforma com a situação reinante e sente-se na obrigação de fazer alguma coisa, encontra-se espalhado em quase todos os países da Europa. Antes, porém, João Wycliffe, na Inglaterra, conhecido como a “Estrela Dalva da Reforma”, e João Huss, na Boêmia, já haviam dado uma excelente contribuição. Agora, Martim Lutero está com 17 anos, Ulrico Zwinglio com 16, Guilherme Farel com 11, William Tyndale com 5 e Filipe Melanchthom com 3. João Calvino nascerá daqui a 9 anos, João Knox, daqui a 14 e Teodoro Beza, daqui a 19. Estes homens — todos com cursos universitários e vários deles com cursos de pós-graduação — hão de assentar as bases da Reforma Religiosa do Século XVI. Deste reavivamento de religião de duplo aspecto, doutrinário e espiritual, surgirá a segunda grande cisão do cristianismo, que muito há de afetar o futuro das nações. 


Há 100 anos (1900)...
Surge o século XX. Agora há 1 milhão e 650 mil habitantes na terra. Os países mais populosos são China (350 milhões), Índia (294), Rússia (146), EUA (76), Alemanha (56) e Grã-Bretanha e Irlanda (41). O Brasil tem 15 milhões de habitantes. As maiores cidades são Londres (mais de 4 milhões), Nova York, Paris, Berlim e Tóquio. Inaugura-se a primeira linha do metrô de Paris. A torre Eifel foi concluída há 11 anos e o canal de Suez, há 12. As descobertas médicas dos últimos anos aumentam o período de vida do homem. O físico Pierre Curie está com 41 anos e sua esposa, com 33. Ambos vão ganhar o Prêmio Nobel de física dentro de três anos. Sigmund Freud, com 44 anos, já publicou Estudos sobre histeria (1895) e acaba de publicar a Interpretação dos sonhos. Santos Dumont, com 27 anos, reside em Paris e prepara-se para circunavegar a torre Eifel. A rainha Vitória é uma anciã de 81 anos e terá mais um ano de vida. O maior império do mundo é formado pela Grã-Bretanha, com territórios em todos os continentes, mas já apresenta sinais de decadência. Karl Marx morreu há 17 anos e Friedrich Nietzche acaba de morrer. Cometem-se uma série de assassinatos: um jovem jardineiro mata a madre superiora de um convento em Marselha (1884), um anarquista italiano mata o presidente Carnot, da França (1893), um jovem operário também italiano mata a imperatriz Elizabeth, da Áustria (1898) e outro anarquista mata o rei Humberto, da Itália (1900). No próximo ano será morto o presidente McKinley, dos EUA. É o despertar da violência, que será uma das fortes características deste século. Há de ser também o século das guerras: a Guerra Russo-Japonesa dentro de quatro anos, a Primeira Guerra Mundial dentro de 14 anos e a Segunda Guerra Mundial dentro de 39 anos. Adolf Hitler é um adolescente de 11 anos.

A. H. Strong está com 64 anos. Os treze volumes de sua Teologia sistemática foram publicados há 14 anos. Charles Hodge morreu há 22 anos, cinco depois de publicar os três volumes de sua Teologia sistemática. W.G.T. Shedd também já morreu. No ano de sua morte (1894) saiu o último dos três volumes de sua Teologia dogmática. Mas Emil Bruner está com 11 anos, Karl Barth com 14, Rodolf Bultmann com 16 e Oscar Cullmann só nascerá dois anos mais tarde. Os dois primeiros são suíços e os dois últimos, alemães. Eles serão os grandes e discutidos teólogos protestantes deste século.

O reavivalista Charles Finney morreu há 25 anos, o famoso pregador Charles Spurgeon, há 8 e o evangelista Dwight Moody, há um ano apenas. Mas Billy Sunday está com 38 anos e realiza um grande trabalho de evangelização em massa. O místico indiano Sundar Singh é um menino de 11 anos, Miguel Rizzo, de 10 e Martin Niemoller, de 8. Os três realizarão trabalhos de vulto na Índia, Brasil e Alemanha, respectivamente. William Booth, de 71 anos, fundador do Exército de Salvação, acaba de perder a esposa Catherine. Apesar da idade, daqui a 4 anos, vai realizar uma viagem evangelística de automóvel de 1.958 quilômetros pela Grã-Bretanha — 164 reuniões em 29 dias. E, antes de morrer (1912), visitará mais uma vez os EUA e vários países da Europa. 


Há 25 anos (1975)...
Somos 4 bilhões de habitantes. A população cresceu mais que o dobro em relação ao início do século. Os quatro países mais populosos em 1900 conservam a liderança: China (815 milhões), Índia (564), União Soviética (250) e EUA (211). O primeiro deles detém um quinto da população mundial. A porcentagem dos que vivem no campo (zona rural) é de 60%, mas este número era bem maior há 50 anos (quase 80%). Há 75 anos havia onze cidades com mais de 1 milhão de habitantes, há 25 anos eram 75 e daqui a 10 anos serão 270. Estamos com 29 habitantes por quilômetro quadrado. A região mais espaçosa é a Oceania (3 habitantes por quilômetro quadrado) e a mais apertada é a Europa (97 habitantes por quilômetro quadrado). O Brasil, em um século, aumentou dez vezes a sua população e coloca-se atrás dos seis países mais populosos do mundo (107 milhões). Se, depois de 1850, não tivesse havido nenhuma guerra, nem terremotos e inundações, nem fome e epidemias, a população do globo teria ultrapassado a casa dos 3 bilhões e meio em 1960, e não em 1970. Não obstante, apesar desses desastres e dos 25 milhões de mortes provocadas pelo automóvel desde que este começou a circular, o homem tem vivido mais tempo. No início do século, a expectativa de vida era de 40 a 50 anos e hoje é de 70 ou mais (nos países desenvolvidos). Na Escandinávia este índice sobe a 76. Na América Latina desce para 60 e na África ainda é muito baixo (40). Nas três últimas décadas a mortandade infantil caiu de 106 para 27 por mil nas regiões mais desenvolvidas e de 230 para 140 por mil nas menos desenvolvidas.

O homem está sob tensão. A tensão da fome, por exemplo. Há dois anos, 50 mil pessoas morreram de fome na Etiópia e, em outros países ao norte da África (Mali, Mauritânia, Nigéria, Senegal e Chade), milhões se alimentaram de raízes e insetos e comeram até as reservas alimentícias e sementes. Apenas sete nações (EUA, Canadá, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Tailândia e Irlanda), com 8% da população mundial, produzem mais alimentos do que seus habitantes (320 milhões) podem consumir. Outros 75 países, com 2 bilhões e 300 milhões de indivíduos, são capazes de produzir ou comprar a comida necessária. Os demais cinqüenta países, com 1 bilhão e 300 milhões de seres humanos (um terço da população), não produzem e não podem adquirir o suficiente para permitir dietas adequadas aos seus cidadãos. Além da fome, a superpopulação está conduzindo o homem ao mesmo problema havido entre os pastores de gado de Abraão e os pastores de gado de Ló (Gn 13.1-13). O espaço tornou-se pequeno e a contenda fez-se mais fácil. Descobriu-se que há “uma relação estreita entre desintegração psicológica e a superpopulação”. A perda do espaço pessoal — “a área que cerca o corpo humano e na qual as pessoas não podem interferir” — pode levar o indivíduo a se tornar uma pessoa anti-social ou a adquirir doenças (estresse, ansiedade, frustração). Ora, este fato, somado com a capacidade pecaminosa do homem e com a sua eterna dificuldade na área das relações humanas, explica, em parte, o volume de violência deste final de século. O porte de armas veio agravar a situação: os 40 milhões de armas de fogo existentes nos EUA em 1973 ocasionaram 28 mil mortes, mais de 100 mil feridos, 160 mil roubos armados e 100 mil assaltos a mão armada. Ao mesmo tempo, “o número de potências nucleares dobra a cada onze anos” (Karl Deutsch, do Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Harvard). Por esta razão, “hoje quem começar uma guerra mundial sabe que ela será a última”. Joachim Fest, historiador e jornalista alemão, autor da mais completa biografia de Hitler, acha remota a possibilidade de uma nova guerra mundial, mas não exclui a possibilidade do aparecimento de um novo Hitler... Estas são as tensões do homem moderno.

O homem continua religioso, no sentido de ainda acreditar na existência de um ente supremo, como causa, fim ou lei universal. O fato é notável porque confirma a necessidade interior de Deus e indica a inutilidade das campanhas anti-religiosas. Porém o cristianismo, embora seja o maior grupo religioso do mundo (mais de um bilhão de adeptos), está perdendo terreno. Há tantos cristãos quantos hinduístas, confucionistas e budistas juntos. Ainda há meio bilhão de muçulmanos e judeus (monoteístas) e mais 1 bilhão de adeptos de outras religiões. Os cristãos são apenas 30% da população mundial. Neste número estão católicos (653 milhões), protestantes (280) e ortodoxos (152), cristãos nominais e praticantes, o trigo e o joio. Não se conhece a porcentagem de cristãos que nasceram “da água e do Espírito” (Jo 3.5). Os dois maiores países do mundo (China e Índia) não são cristãos. A terceira grande nação (União Soviética) deixou de ser cristã e incentiva o ateísmo, embora ainda haja muitos russos cristãos (15% da população urbana e 30% da população rural). Dos dezenove países com taxa de crescimento igual ou superior a 3% ao ano, doze não são cristãos e nove são católicos. A metade da população do globo constitui-se de 33 países que não vêem mais com bons olhos a figura do missionário cristão ou não o deixa entrar em seus territórios. Eis a relação: um na América Latina (Cuba), nove na Europa (Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Tchecoslováquia, Grécia, Hungria, Iugoslávia, Romênia e União Soviética), quinze na Ásia (Afeganistão, Arábia Saudita, Camboja, Birmânia, Butão, China, Coréia do Norte, Índia, Laos, Mongólia, Nepal, Qatar, Síria, Turquia e Vietnã) e oito na África (Argélia, Guiné, Líbia, Marrocos, Moçambique, Somália, Tunísia e Uganda). Outros países poderão juntar-se a estes. O único templo cristão existente no Afeganistão foi derrubado por ordem do governo em junho de 1973, três anos e um mês depois de inaugurado.

A igreja cristã sofre a influência da crise mundial e enfrenta uma série de interrogações que vão desde a ordenação de mulheres até o movimento carismático. Formam-se centenas de grupos que se chamam de conservadores, moderados, liberais, neopentecostais, ecumênicos, não-ecumênicos etc. Dentro desta igreja professa está a Igreja de Cristo e esta vai sobreviver, porque tem a promessa de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18).


Hoje (Ano 2000)...
Chegamos ao final do segundo milênio depois de Cristo com 6 bilhões de habitantes. A metade vive nos seis países mais populosos: China (1,2 bilhão), Índia (984 milhões), EUA (270), Indonésia (202), Brasil (161) e Rússia (146). Na pequena Macau há 23.111 habitantes por quilômetro quadrado. A expectativa de vida nos países desenvolvidos é de 78 anos.

A situação social é muito preocupante. Segundo a Cruz Vermelha, 25 milhões de pessoas foram expulsas de suas casas no ano passado por causa das catástrofes naturais (o furacão que assolou o Caribe, os terremotos do Afeganistão, o ciclone de Bangladesh e outros flagelos como seca, incêndios e inundações).

Outros 49 milhões abandonaram as suas casas por causa da guerra. Destes, 22 milhões são refugiados (foram para outros países) e 17 milhões são deslocados (foram para outros lugares de seu próprio país). Segundo o Banco Mundial, 3 bilhões de pessoas — a metade da população do planeta — vivem com dois dólares por dia. De acordo com o secretário-geral da ONU, são necessários 40 bilhões de dólares por ano para erradicar a pobreza ou reduzi-la à metade até o ano 2015. Essa quantia é inferior àquela que os europeus gastam anualmente na compra de cigarros, representa um décimo do dinheiro movimentado pelo tráfico internacional de drogas a cada ano e equivale a um terço dos gastos anuais dos países em desenvolvimento com armas.

Existem 119 milhões de minas escondidas debaixo de uma fina camada de terra em 70 países da Europa, Ásia e África, provocando milhares de mortes e mutilações (100 mil mutilados só em Angola).

Duas décadas de Aids já mataram 14 milhões de pessoas, dois terços na África Subsaariana. Há cerca de 33,4 milhões de infectados. A doença é responsável por uma enorme redução na expectativa de vida, especialmente em Butsuana (de 70 para 41 anos) e no Zimbábue (de 66 para 41).

O século XX chega ao fim com a fama de ter sido o pior século da história. Na avaliação do escritor mexicano Carlos Fuentes, “é difícil imaginar um século pior do que este que se vai”, não obstante nunca ter ocorrido um progresso técnico e científico tão grande como o dos últimos anos. “O problema é que junto com esse avanço científico, a barbárie, o atraso moral e político também nunca foram tão grandes”, declara Fuentes. O repórter político Villas-Bôas Corrêa diz que “o mundo é maluco” e há quem ouse perguntar: “O mundo não seria melhor sem os homens?” (Veja Seis bilhões de pecadores).

O homem continua religioso, mais religioso agora do que na metade do século. Apenas 21% da população se declara não religiosa. Todavia, mais de 35% dos que professam uma religião são politeístas ou não adoram deus algum. A religião que mais cresce hoje em dia é o islamismo, para a qual Jesus não passa de um profeta, inferior a Maomé. O cristianismo ainda é a maior religião do mundo em número de adeptos, mas a quantidade de cristãos nominais, sem convicções básicas, sem testemunho e sem entusiasmo, é enorme. A preocupação missionária reacendeu e muitos dos antigos campos missionários passaram a se envolver em missões. O grande alvo missionário deste fim de século é a evangelização dos povos não alcançados do norte da África e da Ásia e a reevangelização dos países nominalmente cristãos.

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