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Cartas Entre Freud e Pfister

Um diálogo entre a psicanálise e a fé cristã

Sigmund Freud & Oskar Pfister

Páginas 200
ISBN 978-85-7779-027-2
Formato 14x21
Assunto Apologética, Ética, Liderança
Ano 2009
Editora Ultimato
Código 41.35
Preço
sugerido
49,40   (INDISPONÍVEL NO MOMENTO)
Avise-me Quando Estiver Disponível
R$ 49,40
 
É fascinante acompanhar o diálogo e a construção da amizade entre Freud e Pfister. Pouco a pouco trocam idéias, textos e, acima de tudo, compartilham vida. Visitam-se, presenteiam-se, fazem confidências e influenciam-se mutuamente.

Ao mesmo tempo, parecem cão e gato. De um lado, um cura de almas mundano — Freud era judeu e ateu. De outro, um “cura de almas espiritual” — Pfister era pastor protestante —, que se refere a Freud como “o amado adversário”. O que havia de comum entre eles era, acima de tudo, a busca pela compreensão do homem. Essa busca resultou num fecundo diálogo sobre temas como o complexo relacionamento entre psicanálise e religião, a psicanálise como técnica a serviço da cura analítica de almas, os primórdios da análise laica, a análise de crianças e adolescentes e a análise de pessoas “não doentes no sentido clínico”.
Prefácio à Edição Brasileira

Prefácio
Ernst L. Freud
Heinrich Meng
Anna Freud

Cartas

Apêndice

O QUE DISSERAM

O amigo discreto de Freud
Célia de Gouvêa Franco

Durante quase 30 anos, entre 1909 e 1938, Sigmund Freud manteve estreita amizade com um personagem -hoje pouco conhecido mesmo entre psicólogos e psiquiatras- que destoava do perfil do círculo de amigos e seguidores do "pai da psicanálise".

O suíço Oskar Pfister era diferente de Freud em muitos aspectos, a começar pela religião. Enquanto Freud se definia como "um herege incurável", Pfister não apenas era religioso, mas também teólogo e pastor da Igreja Reformada Suíça, além de professor e psicanalista -por influência de Freud.

Apesar das diferenças na questão religiosa, os dois se corresponderam durante quase três décadas e se tornaram amigos, visitando um a casa do outro e trocando presentes e confidências sobre a família, os amigos e mesmo os pacientes. Um exemplo da intimidade que se estabeleceu entre os dois: numa carta, Freud escreveu que conhecia, sim, L., um tradutor sobre o qual Pfister queria informações, e depois o descrevia como "um sujeito bastante limitado e rude, na verdade um completo burro".

As cartas tratam de tudo, das várias correntes de idéias sobre psicanálise e ética até os fatos rotineiros, como as férias em família e a doença -eczema- do cachorro da filha de Freud.

Talvez por causa do seu temperamento cordato, Pfister acabou sendo um dos poucos seguidores de Freud a não ter atrito sério com ele ou que não romperam a amizade -como ocorreu, por exemplo, com Carl Jung.

Ele se tornou, gradualmente, amigo de toda a família Freud.

"No ambiente doméstico dos Freud, alheio a toda vida religiosa, Pfister, com seus trajes religiosos e aparência e atitude de um pastor, era uma aparição de um mundo estranho. No seu modo de ser não havia nada da atitude científica quase apaixonada e impaciente com a qual outros pioneiros da análise encaravam o tempo passado à mesa com a família como uma mal-vinda interrupção das suas discussões teóricas e clínicas", recorda-se a filha de Freud, Anna, num depoimento de 1962.

Pfister se aproximou de Freud por intermédio de Jung, que foi seu supervisor quando Pfister começou a estudar seriamente os princípios da psicanálise.

Pfister começou a escrever para Freud e a partir daí passaram a trocar cartas regularmente. Sobreviveram 134 manuscritos de Freud -cartas, bilhetes, cartões-postais.

A maior parte dessa correspondência e algumas cartas de Pfister foram publicadas em vários países na década de 60, mas só agora aparecem em português.

A obra foi lançada na Bienal do Livro como "Cartas entre Freud e Pfister (1909-1939) - Um Diálogo entre a Psicanálise e a Fé Cristã", traduzido pela psicanalista Karin Hellen Kepler Wondracek, numa edição conjunta do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos e da Editora Ultimato.

Algumas das cartas tratam da possibilidade de conciliar religião e psicanálise. Em 1927, Freud publica seu livro "O Futuro de uma Ilusão", em que trata "da minha posição totalmente contrária à religião -em todas as formas e diluições".

Na carta em que anuncia o livro, Freud confessa que adiou o máximo que pôde o seu lançamento exatamente por causa do amigo -temia que a situação fosse constrangedora para Pfister.

Da Suíça, Pfister responde que "sua rejeição da religião não me traz nada de novo. Um adversário de grande capacidade intelectual é mais útil à religião que mil adeptos inúteis". E, no ano seguinte, escreve um livro -"A Ilusão de um Futuro"- para rebater as idéias de Freud.

Folha de São Paulo, Caderno Mais!


Psicanálise e fé

Com 200 páginas, "Cartas entre Freud & Pfister - Um diálogo entre a psicanálise e a.fé cristã" traz a correspondência entre Freud e Pfister no período de 1909 a 1939. A troca de cartas se dá em clima de amizade e, pouco a pouco, trocam idéias e textos. Oskar Pfister nasceu em Zurique, Suíça. Estudou teologia e filosofia em Zurique, Basiléia e Berlim, tendo trabalhado na educação e orientação de jovens. Na obra, lançamento da Ultimato, são tratadas com simplicidade e profundidade surpreendentes questões da técnica psicanalítica, além do registro de comentários sobre questões pedagógicas e educacionais. O aspecto religioso também é abordado. Freud é judeu e ateu. Pfister, um pastor protestante que se refere a Freud como o "amado adversário". "Cartas" é de grande importância para profissionais-de-ajuda, como psicanalistas, psicólogos, sacerdotes e educadores.

Estado de Minas, Recomendamos, 20/05/1998


Dúvidas de um ateu e certezas de um pastor
Editora evangélica publica cartas trocadas durante 30 anos entre Sigmund Freud e o teólogo protestante Oskar Pfister
Waldo César

Biografias e autobiografias, memórias e romances históricos periodicamente voltam às editoras. Chegou-se a falar, entre nós em boom da história romanceada, .onde realidade e ficção, fonte documental e invenção, se atropelam numa intrincada correlação, não importa quão deliberada ou o quanto possam confundir o leitor - pois, afinal, não depende a “verdade histórica” da posição dos que a escreveram, e dos. que a interpretam? O fenômeno não é apenas nosso. Indianos que pretendiam reaver a história do seu país a partir do ponto vista nativo, tiveram uma dificuldade primordial: eram britânicos os que haviam redigido os documentos, como lembra o historiador inglês Peter Burke (Idéias/Livros, 14/l/95). E aí, certamente, o terreno é fértil para uma construção narrativa onde ficcional e real se interpõem e se cruzam indistintamente.

Estas considerações vêm a propósito de outra fonte documental extraordinária: a troca de cartas em vários campos do conhecimento, como um legado cheio de implicações pessoais, familiares, profissionais, históricas - por certo menos voltadas para a ficção e mais, como nos diários, inseridas no mundo turbulento e fascinante da confissão. E ainda a referência a outros, amigos ou inimigos - revelação ou confirmação daquilo que mal se sabia ou jamais chegado ao conhecimento público. De repente o véu se rasga, a intimidade e a verdade (de cada um) transmuda-se num cenário aberto à curiosidade ou à reprovação.

Ultimameme muita correspondência, completa ou incompleta, está ampliando a pesquisa sobre o pensamento e obra de importantes nomes da literatura ou das ciências. Como as Cartas entre Freud & Pfister, 1909-1939, produção primorosa de uma editora evangélica. A elegante tradução do original alemão nos põe diante de mais uma significativa contribuição no campo da psicanálise - e da religião - complementando outras coleções, como cerca das 1.500 cartas trocadas entre Freud e seu discípulo húngaro Sandor Ferenczi (1908-1933), nas quais se expõem as complicadas relações afetivas entre ambos (no Brasil em edições pela Imago). Ou as 350 cartas trocadas com Jung, como entre “pai” e “filho”, desde 1906 até o conhecido rompimento em 1913. Ou ainda com Einstein, publicadas em alemão, francês e inglês, cuja venda foi oa época proibida na Alemanha. A novidade, de certa forma, da correspondência entre Freud e o suíço Oskar Pfister está no fato de ser este um pastor protestante (e igualmente analista), na qual se destaca interessante (e cordial) debate sobre a "cura secular de almas" no campo “religioso-espiritual” trabalhadas por um ateu e por um teólogo. O subtítulo da obra, talvez mais amplo do que sugere a sua ieiiura, fala de “Um diálogo entre a psicanálise e a fé cristã”.

Mas os assuntos abordados durante 30 anos, em quase 100 cartas, não ficam por aí. Sem nenhuma ordem precisa, como acontece na espontaneidade de uma correspondência entre amigos, há muitos outros temas, que bem poderiam constituir um rico índice remissivo; teologia e teólogos, milagres, Deus, Cristo, o diabo, glossolalia, ateísmo. sexo, velhice e morte, sofrimento, guerra (1914-1918). E, claro, psicanálise. Nomes conhecidos da época, quando as teorias de Freud despertavam curiosidade e acalorados debates, aparecem com freqüência. Carl Jung, que levou Pfister a Freud, é o mais citado (cerca de 35 vezes), ora com certo carinho, ora com ironia e desprezo. A correspondência, intensa, por vezes tocante, revela amizade profunda e mútuo respeito apesar das marcantes diferenças sobre o .sentido da vida e o destino humano. O intercâmbio de artigos e livros entre um e outro eram comentados com a maior franqueza. Pfister está convicto de que a psicanálise oferecia melhor instrumentação para entender a alma, enquanto Freud dizia invejar o pastor “quanto à possibilidade de sublimação em direção à religião”. Porém complementa: “Mas a beleza da religião certamente não pertence à psicanálise. É natural e pode permanecer assim que, na terapia, nossos caminhos se separem. Bem à parte, por que nenhum de todos estes devotos criou a psicanálise, por que foi necessário esperar por um judeu completamente ateu?" Ao que Pfister replica... “o senhor não é ateu, pois quem vive para a verdade vive com Deus, e quem luta pela libertação, segundo 1 João 4, 16. permanece em Deus.” Freud, a cena altura, chega a classificar-se como um "mau ateu". E Pfister, no belo estilo que ambos cultivavam, conclama Freud a experimentar uma inserção em processos mais amplos, o que seria como “a síntese das notas de uma sinfonia bethoveniana para formar a tonalidade musical” - e assim poderia dizer que “jamais houve cristão melhor”. E enquanto um lamenta que “os teólogos permaneçam atrasados e fracassem de modo tão lamentável”, envolvendo-se “demais numa tola disputa por princípios”, a resposta insiste na abertura de sua teologia para o mundo, para a qual “um adversário de grande capacidade intelectual é mais útil à religião do que mil adeptos inúteis”. A polêmica toma corpo com o famoso livro de Freud sobre a religião - 0 futuro de uma ilusão -, ao qual Pfister rebate com A ilusão de futuro, e também ao discutirem a contribuição da ciência e da técnica na solução dos problemas da vida; ou sobre a visão pessimista de Freud em confronto com uma interpretação ético-otimista do mundo, quando o pastor cita Nietzsche e seu amigo teólogo e filósofo Albett Schweitzer (também médico e organista notável).

Freud queixa-se, logo nas primeiras curtam, que “os tempos estão muito inquietos”; e mais tarde reclama da velhice e da morte. O pastor tenta reanimá-lo assinalando sua concepção “progressista” da “pulsão da morte”, para ele apenas um declínio da “força vital” (... “mesmo a morte dos indivíduos não pode deter o desenrolar da vontade universal, mas apenas fomentá-la”). A intensidade da época em que viveram, presente incerto e futuro duvidoso, está fortemente dimensionada numa incansável correspondência, fruto de vocações inequívocas voltadas para uma vida mais plena, apesar de divergências tão marcantes. Freud diz a certa altura: “Somente gosto de ler suas cartas; tudo nelas é vida. calor, êxito.” E mais uma vez termina com palavras de afeto e respeito, “na esperança de que o senhor permaneça fiel.”

Jornal do Brasil, Caderno Idéias, 04/07/1998


O interesse do psicopatólogo, do psicanalista e do psicoterapeuta nas pesquisas de Freud e de Pfister iniciadas e mantidas em suas cartas
Prof. José Luiz Caon

Uma primeira leitura das cartas trocadas entre Freud e Pfister não permite ao leitor ordenar exaustivamente os múltiplos temas contemplados por esses dois grandes pesquisadores psicanalíticos. Mas, acredito que os psicanalistas e os psicoterapeutas, psicopatólogos ou não, não podem não ficar surpresos com a simplicidade e a profundidade com que são tratadas as questões da técnica psicanalítica. São questões de aprendizagem.

Outrossim, entremeando comentários sobre questões pedagógicas e educacionais, nas quais Pfister é exímio pesquisador, Freud situa o processo de transferência, processo inconsciente ou do inconsciente, com que o inconsciente é aprendente e ensinante. Então, são novamente questões de aprendizagem.

A aprendizagem eqüivale nos seres humanos àquilo que o instinto é nos animais. Aquela sempre construindo-se e deslocando os sujeitos humanos; esse sempre mantendo-se e retendo os sujeitos animais. Aquela, uma paixão sem destino final; esse um destino finalístico irreversível.

"Amar e trabalhar" era lema desses pesquisadores. Mas, o que fizeram eles durante todo o tempo de suas vidas senão aprender e aprender? As cartas de Freud a Pfister revelam suas pesquisas in statu nascendi, como quando escrevia a Fliess. Essas que Freud e Pfister trocaram ao longo de muitos anos são cartas de pesquisas em andamento, de descobertas compartidas e de um amor parecido àquele amor dificilmente concebido, pois que não busca recompensa, pois que ele já é a própria recompensa.

O enamoramento de alguns psicólogos, psiquiatras e pastores cristãos pela psicanálise produz agora a aparição, em luso-brasileiro, da correspondência completa entre Freud e Pfister. Se, para eles, esse enamoramento é a própria recompensa, o que não será o efeito desse enamoramento que, como chama e chamado, pode se acender em outras mentes? Era isso que Freud provocou em Pfister, e vice-versa. E é isso que as cartas provocaram nesses correspondentes, de tal forma que cartas de pesquisas, tornaram-se, como todas, ou quase todas, cartas de amor.


Cartas entre Freud & Pfister 1909 - 1939
Karin Wondracek

Foram lançadas, na Bienal de São Paulo, as Cartas entre Freud & Pfister 1909- 1939: Um diálogo entre psicanálise efé religiosa. Compiladas por Ernst Freud e Heinrich Meng, com prefácio de ambos e de Arina Freud.

Iniciando no apogeu da relação Freud — Jung, as Cartas constituem um tocante registro da história da psicanálise e dos últimos 30 anos da vida de Freud. Pfister, pastor e pedagogo em Zurique, chega a Freud por intermédio de Jung, e mostra-se fascinado com o potencial da psicanálise para a cura de almas.

A correspondência inicia com Pfister enviando um trabalho sobre Alucinação e suicídio de alunos. Desde as primeiras linhas das Cartas percebemos a ternura com que o criador da psicanálise acolhe o religioso que busca entender a alma. E acompanhamos como, pouco a pouco, os dois trocam idéias, textos e, acima de tudo, compartilham a vida. Visitarn-se, presenteiam-se, fazem confidencias e influenciam-se mutuamente. "Nenhuma outra visita, desde a de Jung, fez-me tanto bem", escreve Freud. "O lugar mais aprazível da terra? Informem-se na casa do Professor Freud" indica Pfister. O cotidiano da família Freud é delineado em tons róseos pelo amigo pastor; cenas domésticas partilham do conteúdo das Cartas ao lado de interessantes temas da teoria e técnica psicanalítica.

Pfister, membro fundador da Seção Zurique da Associação Psicanalítica Internacional, toma parte ativa no movimento psicanalítico. Na calidez da amizade são compartilhadas situações que envolvem Jung, Adler, Abraham, Rank e outros pioneiros. Os primeiros passos da psicanálise tingem-se dos tons vivos das alegrias e mazelas humanas. Após a cisão com Jung, Pfister permanece como único freudiano em Zurique. Em 1919, é co-fundador da Sociedade Psicanalítica Suíça.

As Cartas relatam de que forma a sin gular combinação dos campos de atuação de Pfister vai produzindo impacto nos círculos atingidos. Revelam a abertura de pedagogos e teólogos para com a psicanálise e também as discussões enfrentadas nestes campos. Como um dos primeiros analistas laicos e de crianças, Pfister enfrenta as polêmicas sobre estas questões, e, encorajado por Freud, produz textos e palestras.
O fato de ambos serem escritores também propiciou que comentassem muitos aspectos da produção textual em psicanálise. Assim, podemos acompanhar a gestação e o nascimento de várias obras, os bastidores da editora psicanalítica, e apre ciar o estímulo mútuo e os comentários críticos que a amizade franca proporcionava.
O auge da discussão teórica aparece nas cartas dos anos 1927 e 1928, em tomo do lançamento de O Futuro de uma Ilusão. Justamente a hábil combinação do relacionamento fecundo com a discussão de idéias proporciona uma visão mais abrangente do tema. É fascinante acompanhar o polêmico diálogo sobre o livro de Freud e o processo de geração do texto-resposta que Pfister denominou A Ilusão de um Futuro. "Eu o fiz com grande alegria, pois luto por uma atuada causa com um amado adversário" (Pfister, carta de 20.2.28). É comovente sentir a abertura e, mais, ainda, o desejo de Freud em escutar o amigo que pensa diferente: "...Alegro-me diretamente pelo seu posicionamento público contra minha brochura, vai ser um refrigério em meio ao coro desafinado de críticas, para o qual estou preparado. Nós sabemos que por caminhos diferentes lutamos pelas mesmas coisas para os pobres homens," (Freud carta 81). Caminhos diferentes, mas entremeados de consistentes pontes, que propiciaram este longo diálogo sobre psicanálise e visão de mundo, ética e religião. Troca fecunda que revitaliza questões novamente atuais.

O livro finaliza com a carta à viúva Martha Freud, na qual Pfister saudosamente discorre sobre a longa amizade e revela um desejo expressado por Freud a respeito do final da vida:

Nos líltimos anos eu pensava com freqüência num trecho emocionante da carta de 6.3.1910. Creio que é meu dever compartilhá-lo com a senhora. Eleéassim: "Não consigo imaginar como algo agradável viver sem trabalhar. Fantasiar e trabalhar coincidem para mim; nenhuma outra coisa me agrada tanto. Este seria um indicio de felicidade, se não se interpusesse o pensamento assustador de que a produtividade depende totalmente de uma disposição muito delicada. Que se pode fazer num dia ou num tempo em que os pensamentos falham e as palavras não querem comparecer? Não consigo livrar-me de um tremor diante desta possibilidade. Por issor mesmo rendendo-me inteiramente ao destino como convém a uma pessoa honesta, tenho um pedido secreto: de modo algum uma enfermidade prolongada, nenhuma paralisia da capacidade produtiva por um sofrimento corporal. Morramos dentro da armadura, como diz o rei Macbeth." Realizou-se, pois, pelo menos o desejo de acuidade intelectual, de uma morte no capacete régio do pensador.

Estudos de Psicologia, vol. 15, nº 1, 67-68.

Opinião do leitor

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#1

Susana Aamaral

Florianópolis - SC

A importância de se conhecer a ciência desperta-nos uma única curiosidade, até aonde ela pode ir sem a permissão do criador.

Postado em 07/10/2009 às 14:15:52