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Por Escrito

O retorno

Por Gabriele Greggersen

Era um fim de tarde fresco de inverno. Para as condições do Rio de Janeiro, 20°C é uma temperatura quase fria. O casal recém-casado perambulava pelo calçadão de Copacabana, despreocupado e curtindo os momentos de retorno de sua Lua de Mel.

Ela se chamava Liv e tinha traços nórdicos, pois seus pais eram escandinavos. O que ninguém no Rio desconfiava é que ela não era turista, mas brasileiríssima, carioca da gema. Por isso, seu marido, de nome João e também carioca, embora estivesse igualmente curtindo o momento, estava vigilante, pois sabia que sua esposa poderia chamar a atenção de ladrões de turistas.

E, de fato, não demorou muito para eles ouvirem ao lado de si um grupo de adolescentes que os estava observando e passou a segui-los, ao mesmo tempo em que vinha outro grupo pela frente.

João reagiu rápido e resolveu sair pela tangente, atravessando a rua, mas os dois grupos agora unidos, vieram atrás. Então, ele resolveu entrar em um estabelecimento mais próximo e ficar de olho nos marginais que os aguardava do lado de fora.

Mas mal sabiam eles que uma surpresa ainda maior os esperava dentro do local. Quando eles entraram, logo sentiram um aroma delicioso de velas perfumadas e uma música instrumental que tocava melodias de MPB, que ambos gostavam muito, acalentava seus ouvidos.

O que eles acharam que fosse um metre, que estava muito bem vestido, logo os recebeu, saudando-os:

- Entrem amigos, sejam bem-vindos! Estão à procura de alimento? Esse é o lugar mais adequado que vocês poderiam achar para saciar a sua fome. Mas não se trata da fome de comida material, mas de comida espiritual. Isso aqui é uma igreja. Teremos uma programação muito especial com música e pregação e no final, serviremos um lanchinho. Mas é claro que, isso, só se vocês toparem, pois ninguém é obrigado a permanecer na casa do Senhor, se não quiser.

João e Liv se entreolharam e, pensando no grupo de marginais que os esperava lá fora, decidiram ficar e tomaram lugar nos bancos mais do fundo do salão, enquanto outras pessoas entravam.

O louvor foi contemporâneo, com músicas cristãs tocadas em ritmos brasileiros, dotadas de letras que tocaram profundamente o casal. Na verdade, ambos tinham sido criados em lares cristãos, tinham desenvolvido vidas exemplares, com grande envolvimento nos trabalhos eclesiásticos, mas haviam sofrido decepções com a religião e os religiosos, abrigando uma amargura profunda contra todo tipo de igreja e até mesmo contra Deus. Essa experiência comum foi uma das coisas que os havia unido e os mantinha juntos.

Foi por isso que algumas das músicas lhes pareciam familiares e o ambiente lhes trazia recordações mistas. Afinal, nem tudo o que eles tinham vivido na igreja tinha sido negativo e a gentileza daquele “metre” os fazia lembrar-se de bons amigos que fizeram na época em que eram frequentadores.

E aquele ambiente todo, somado à situação sem saída em que se encontravam fazia com que estivessem mais abertos ao que aconteceria em seguida. Quando o que parecia ser mais um padre do que um pastor tomou a palavra, eles esperavam uma pregação tradicional. Mas assim que ele começou a falar, notaram que se tratava de algo diferente:

- Boa noite a todos aqui presentes. Peço licença de tomar alguns minutos de sua atenção para lhes contar uma história. Era uma vez um semeador que saiu a semear...

E contou a parábola do semeador de uma forma tão emocionante e envolvente que o casal ficou profundamente tocado.

No final, ele soltou seu apelo:

- E você, amigo ou amiga, que tipo de terra está sendo nesse momento? Aquela à beira do caminho, onde todos passam? Você não presta atenção a nada e fica só no seu celular, pulando de uma notícia a outra? Ou uma terra rasa que não permite a formação de raízes, porque você é superficial e gasta seu tempo com coisas fúteis e gosta de estar com pessoas igualmente levianas? Ou seria uma terra que dá espinhos os quais, como a raiz de amargura, sufocam tudo de bom que você já construiu e está construindo. Ou então será que é ou quer se tornar uma terra boa e produtiva que traz muita abundância ao seu semeador?

João e Liv se entreolharam de novo, com lágrimas nos olhos, sabendo muito bem, que tipo de terra eram.

Depois do culto, eles foram falar com o pastor e lhe contaram as suas respectivas histórias e que tinham a intenção de voltar à igreja. Ele fez uma oração simples de reconciliação com eles e lhes disse que Deus iria mostrar a eles que igreja deveriam frequentar.

Então, antes de sair, João e Liv também contaram o que havia acontecido no calçadão e que fez com que eles entrassem na igreja e o pastor lhes mostrou uma porta dos fundos para saírem. Mas, ao invés de ficarem com medo, eles estavam confiantes de que os anjos estariam ao redor deles, protegendo-os no caminho de retorno para casa, em todos os sentidos.

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É mestre e doutora em educação (USP) e doutora em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br
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