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Opinião

O filho pródigo na pele do bom samaritano

Por Eduardo Velasco

Se você acha que este artigo é uma maneira delicada de pedir sua ajuda financeira ao projeto MISSÃO VIDA por meios oblíquos, você dançou.

Se imaginar que estou ‘vendendo’ projeto da MISSÃO VIDA, sua situação mental nem conserto tem. Não é por aí, portanto.

Dê a você um ‘derrière’ e encare a coisa como se você visse um filho pródigo vestido na pele de um samaritano pela frente.

Aqui você pode saber o que é esta obra fantástica! Aproveite, e depois de ler o que vou escrever, leia de ‘cabo a rabo’ o que é o trabalho da MISSÃO VIDA aqui: www.mvida.org.br

À propósito, pessoas com quem não tenho a menor afinidade editorial e muito menos política, como por exemplo, Ariovaldo Ramos, este é amigo do ‘peito’ do Rev. Wildo, o que dá a dimensão da amplitude e abrangência do presidente da instituição. Esquerda e direita para Wildo são siglas.

Conheci Wildo por volta da década de 80 quando lecionei por quase 7 anos no seminário da Igreja Cristã Evangélica (Anápolis, Goiás).

Confesso que como professor não vi muito futuro nele. A questão é que Wildo era o que se pode chamar de homem de ‘outra natureza’, excepcional, e não se encaixava no sentido tradicional tanto de ministério como de ensino.

Em um bom português, ele se revelaria maior do que a instituição (seminário), tanto a acadêmica como a eclesiástica (a igreja que o acolhia). A MISSÃO VIDA é fruto desse gênio tomado pelo Espírito de Deus. Élben e Wildo foram muito amigos um do outro! Mundo pequeno, não?

Wildo seria tido por ‘louco’ por alguns ‘mandachuvas’ eclesiásticos, mas encarnava o papel do bom samaritano no sentido real do termo.

Pensemos assim.

Suponha que você está indo ao cinema com o Wildo e na volta ele vê um mendigo dormindo debaixo de uma marquise. Ele pedirá a você que dirija o carro e ficará por lá cuidando do dito cujo pela madrugada afora. Leiam a história do mendigo “Poeta”, em um dos 18 livros que Wildo já escreveu, e me entenderão.

Coisa de um ano atrás precisei de uma documentação que estava em Anápolis, GO e só um advogado poderia me ajudar. Tentei com dois colegas. Nada. Angustiado e frustrado, escolhi aleatoriamente 4 escritórios de advocacia e usando o ‘sacrossanto’ sistema de ‘a-mamãe-mandou-buscar-foi-esse-aqui’, disquei o primeiro número da esquerda para a direita que vi.

Atendeu uma gentil senhorita. Alguns meses depois, findo o que eu buscava, pedi sua conta bancária para fazer o depósito pelos seus serviços profissionais.

Quando se fica mais velho, o passado a gente lembra, o presente a gente esquece. O sobrenome da advogada que me atendeu tinha no final, ‘Gomes dos Anjos’. Lembrei-me de um aluno com esse nome e passo seguinte indaguei dela se era ‘crente’ e se conhecia um certo ‘Wildo’.

A partir daí é história.

Wildo entrou em contato comigo, e fui convidado para proferir três palestras na MISSÃO VIDA. Um doutor falando para ex-mendigos, drogados, quiçá homicidas, internos em busca de recuperação e por aí vai!
Dizer o quê? Abordar qual tema?

A minha experiência de vida, pessoal, acadêmica, e por ter nascido em ‘berço de ouro’, contrastava radicalmente com homens rudes (mas educados), mendigos (ex-) bem vestidos (e ‘cheirosos’), ex-pedreiros (tinha até um ex-contador!), gente que também tinha nascido em berço de ouro (um professor), gente com pouco conhecimento acadêmico (maioria) e muito conhecimento de vida.

Era um choque cultural, fio desencapado!

Recusei o convite do Wildo por um mês e o ‘enganei’ com as respostas mais esdrúxulas possíveis, até ao ponto em que lhe disse, “se minha esposa for, aceito!”. As passagens aéreas chegaram ao final daquela semana!

Se gostei de ter ido? Foi impactante! Vai demorar um bom tempo para ‘digerir’ tudo aquilo.

Wildo é uma dessas pessoas que a fé evangélica mistura-se com a genética (família, a mãe dele foi uma mulher extraordinária) de maneira que nasce daí um crente ‘integral’ (não confundir com teologia!) onde se você tentar convencê-lo de que há algo melhor do que aquilo que o representa em termos cristãos, melhor desistir. Como o Élben o foi.

Apreciador de roupas finas, pintura (quadros a óleo de pintores nacionais e estrangeiros), uma coleção infindável de esculturas, sobretudo nordestinas (é detentor de uma raridade, uma estatueta do nordestino, o ‘mestre Vitalino’), amante de teatro, cinema, pai de família exemplar (a esposa dele é tão eletrizante quanto o marido), bom comerciante quando diz respeito ao projeto MISSÃO VIDA, amigo de políticos, pessoas ricas, gente pobre, de todo o tipo que se possa imaginar, frequente viajor à Europa e Estados Unidos (acabara de chegar de Madagascar e da África do Sul), onde pessoas importantes e amigos o convidam para contar de sua ‘façanha evangélica’ e o ajudam no projeto. Parece um matuto também!

Élben e ele, eu não sabia, eram muito amigos.

O MEMORIAL DA FÉ, um cantinho reservado em 33 alqueires goiano, chão doado por uma das herdeiras de Carlos Chagas, médico sanitarista, cientista e bacteriologista brasileiro que combateu a malária, tem lá um ‘cantinho’ dedicado ao Élben, e também ao recém-falecido Russell Shedd, figura que vivia se ‘escondendo’ por lá para carregar suas ‘baterias’, sendo o Rev. Wildo um dos oito escolhidos para eulogia em seu sepultamento.

A MISSÃO VIDA está, até onde eu sei, em sete Estados brasileiros. Deve abrir uma filial em Sapé na Paraíba, aqui ao lado.

No projeto MISSÃO VIDA, passei pela construção de um conjunto de residências (40 apartamentos) em construção para acolher algumas dezenas de pastores aposentados que não têm onde reclinar a cabeça na velhice e que serão acolhidos ali. Sem ônus, diga-se de passagem!

A instituição abriga também um hotel com 52 apartamentos (que dá lucro!), todos com ar condicionado, iguais aos 70 apartamentos para os internos (quatro internos por apartamento), com ar condicionado. Wildo leva a sério esse negócio de ‘talentos’.

A lavanderia é industrial, tem uma pocilga com mais de 200 porcos que mais cedo ou mais tarde vão para o ‘rolete’ servindo aos internos e, como ilustração de muitos viveram em pocilgas no passado como filhos pródigos, agora não mais. Tem até uma marcenaria enorme para suprir o mobiliário do projeto.

Não há luxo em nada do que vi, mas ninguém é tratado senão como filho de Deus no sentido real da palavra. Disciplina e autoridade reinam. Nunca vi, porém, tão pouco cadeado na minha vida onde pessoas que abusaram do ‘crack’ vivem, e portões permanecem abertos!

Como Wildo dá conta disso tudo? Não sei. Já sofreu um enfarto e quase morreu por conta de uma cirurgia simples que deu errado. Está preparando há dez anos seis substitutos que continuarão a obra. Homem de visão!

Sua equipe no Brasil inteiro tem mais de 200 servidores de tempo integral (a secretaria, Ivanete, é um dinamismo em pessoa), o que evita que ele exaure o corpo e a mente dando-lhe tempo para participar até de um programa com Jô Soares.

Como foram as minhas três palestras? Não sei.

Se pudesse, eu colocaria as mais de 350 pessoas que me ouviram no púlpito, e eu me deslocaria para a audiência a fim de ouvi-las. Não saberia dizer se servi ou fui servido.

São homens (o projeto MISSÃO VIDA não abriga mulheres) com uma experiência de vida que os fazem únicos, e não é qualquer ‘liçãozinha de moral’ que germinará naqueles corações. Usei o púlpito com isso em mente. Queriam ver a Jesus? Acho que mostrei como.

Antes que me esqueça: Philip Yancey será o conferencista para um encontro de líderes e pastores que acontecerá em 2018 na MISSÃO VIDA em Cocalzinho, na fazenda. Acho que ainda tem lugar para você, que tal tentar?

A propósito, Yancey usará os mesmos aposentos que eu usei e a mesma cama onde Élben descansou.

O meu foi um tremendo de um sono reparador, creia-me!

• Eduardo Velasco é advogado, foi professor de seminário e ex-pastor da Igreja Presbiteriana de Anápolis, GO. Reside em Natal/RN com sua esposa, Maria Goretti de Q. Soares

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