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Missionária brasileira inicia capacitação para obreiros, em Angola

Por Priscila Mesquita e Dinah Joelly

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, muitas gostariam de receber flores, chocolates, sapatos e outros presentes inerentes ao universo feminino. Sim, muitas têm desejos tangíveis nessa data, mas nem todas. A missionária brasileira Eliane Gonçalves Machado, por exemplo, anseia por algo intangível em Angola: ver líderes preparados para ensinar. Residente em Luanda desde novembro de 2016, Eliane é a atual gestora do Seminário Teológico da Igreja Presbiteriana de Angola (IPA), uma denominação historicamente liderada por homens.

Além do desafio de estruturar a instituição, lidando com uma maioria de alunos e professores do gênero masculino, a teóloga e administradora também aceitou encarar as dificuldades diárias da capital do país, como a falta de segurança, de água encanada e energia elétrica em muitos locais, trânsito caótico e o alto custo de vida em Luanda, onde um quilo de carne custa 35 dólares.

Como se não bastassem esses entraves, há o fato de Eliane ser considerada “branca” pela população local (embora seja morena), o que aumenta sua visibilidade e o perigo de assaltos. Apesar de todos os aspectos contrários, ela sabe que está no lugar certo e em janeiro deste ano já concluiu a primeira fase da capacitação de líderes prevista pelo “Projeto Angola 2017-2019”.

“Quando me perguntam por que não mandaram um homem, eu falo que é melhor perguntar a Deus, porque eu tenho convicção que Ele me chamou pra essa obra”, afirma a missionária amazonense ligada à Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e à Igreja Presbiteriana de Manaus (IPManaus).

‘Intensivão’ para pastores, evangelistas e professores

A primeira fase do treinamento reuniu 47 líderes das províncias entre os dias 5 e 27 de janeiro, período de férias para os que exercem as atividades ministeriais em Luanda e outras localidades. As aulas começavam de manhã e terminavam à noite, uma dinâmica “puxada” que por si só já constituía um obstáculo a ser superado pelos participantes. Porém, a dificuldade era ainda maior para muitos alunos devido à ausência de base doutrinária. Eliane e o Pr. André Pimpão (responsável pela Comissão Teológica) organizaram o currículo e os pastores da própria denominação ministraram as disciplinas. Na lista de assuntos abordados, estavam inclusos Teologia Sistemática, Credos e Confissões, Preparação de Sermões, dentre outros.

De acordo com Machado, as próximas etapas da capacitação também serão realizadas nos períodos de férias, mas há uma série de outras ações planejadas para 2017 e direcionadas a públicos distintos. Uma delas é a formação de professores da Escola Bíblica aos sábados, com duração de três meses. Outra meta é a conclusão da grade de ensino da APMT para os pastores de Luanda que cursam os módulos do bacharelado. As disciplinas do curso são ministradas por professores e pastores residentes no Brasil que viajam à capital de Angola.

Para o próximo ano, o planejamento inclui o início de uma nova turma do bacharelado. “Nesse início precisamos primeiro estruturar e organizar todo o prédio. Estarei nesses dias começando o trabalho de organizar a biblioteca”, comenta Eliane.

A oferta do curso de bacharelado é uma prioridade na Igreja Presbiteriana de Angola, já que a maioria dos pastores não tem formação teológica. Tal realidade é resultado das restrições sociais impostas pela colonização e pelos 27 anos de guerra civil, que frearam o desenvolvimento do país.

Aproximação começou em 2013

A aproximação de Eliane Machado com a igreja angolana teve início em 2013, mesmo ano da inauguração do seminário, que foi construído com o apoio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Depois de formar-se no curso técnico de Eletrônica e graduar-se em Dança e Administração, Eliane cursava Teologia no Seminário Rev. José Manoel da Conceição (JMC), em São Paulo, com o desejo de servir na Índia. Mas desafiada pela igreja da qual é membro (IPManaus), começou a orar por Angola naquele ano e sentiu-se motivada a liderar três viagens de seminaristas (2013 a 2015) para dar aulas aos líderes, jovens, adolescentes e mulheres.

“Nossas viagens eram de dez dias, com aulas o dia todo. Os alunos estavam lá, muitos sem dinheiro pra se locomover e se alimentar. Alguns andavam quilômetros pra chegar, mas queriam estar lá pra aprender mais da palavra de Deus”, relembra.

Jovens angolanos no Amazonas

O trabalho desenvolvido pelos seminaristas do JMC entre 2013 e 2015 ajudou jovens angolanos a descobrirem sua vocação. Nos dois últimos anos, sete deles viajaram para o Amazonas para estudar no Centro de Treinamento Missionário (CTM) da Igreja Presbiteriana de Manaus.

“A vinda de estudantes é resultado do trabalho missionário da igreja naquele país. Temos concedido bolsas de estudo para eles e continuaremos com esta proposta nos próximos anos”, ressalta José João Mesquita, pastor titular da IPManaus.

Entrevista – Mulheres em Angola

Confira a breve entrevista concedida por Eliane Machado sobre o cotidiano da mulher angolana e as peculiaridades de uma estrangeira naquele país.

Ultimato – Como a mulher é tratada na sociedade angolana?

Eliane Machado – A mulher aqui trabalha muito. Eu as vejo como exploradas. Com a crise, muitos homens não trabalham e as mulheres saem às ruas (praças) para desenvolver trabalhos de vendedoras ambulantes e sustentar suas famílias. Penso que há muita diferença na questão de direitos e privilégios.

Ultimato – Há algum preconceito para com a mulher brasileira?

Eliane Machado - Acredito que não. Muito pelo contrário, o povo brasileiro é querido em muitos países e aqui não é diferente. Achei que também teria dificuldades no desenvolvimento do meu trabalho pelo fato de ser mulher, mas fui surpreendida pela liderança local e pela igreja com todo o apoio. Há respeito, carinho, admiração e apoio em tudo.

Ultimato – Quais as principais dificuldades encontradas por uma estrangeira com relação à infraestrutura básica do País?

Eliane Machado - No meu caso, pelo fato de estar sozinha (solteira ou sem equipes), há vários cuidados a serem tomados. Aqui minha cor é branca (mesmo eu sendo morena). Então nas ruas as pessoas ficam me olhando, observando. Não há seguranças nas ruas, é perigoso. O local onde estou morando tem seguranças na portaria do prédio, mas eu não saio à noite, tenho receio. O fato é que Deus tem guardado minha vida em todo o tempo.

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