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Opinião

Fazendo as pazes com a cultura

Por Gabriele Greggersen

Vivemos numa encruzilhada cultural. Coexistem na nossa realidade os extremos da paganização da cultura e da “sacralização” da arte, principalmente da música, com o fenômeno gospel. Não querendo demonizar a cultura gospel, o que seria uma contradição, posso afirmar que, nessas tendências, muitas heresias, superstições e interesses outros, que não dão glória a Deus, passam despercebidos. Com isso, elas se tornam tão inimigas de Deus como as manifestações pagãs.

Vou dar um exemplo de cada extremo: Uma recente exposição apresentou um corpo humano nu, que poderia ser tocado, como se fosse arte. Um programa evangélico de TV mostrava uma porção de água numa viagem a Israel, a qual teria sido “fluidificada” – termo espírita – após uma oração.

Reconciliação, de acordo com 2 Coríntios 5.18, na versão da linguagem de hoje, é tornar “inimigos” de Deus em “amigos”. Isso envolve todo um ministério, não só levar a mensagem da reconciliação para a humanidade, mas tornar as coisas que o homem faz igualmente amigas de Deus. Essas coisas, que antes eram voltadas para si mesmas e, assim, eram concorrentes e oponentes de Deus na disputa pela atenção, mudam de perspectiva e passam a concentrar o seu foco em Deus.

Nos versículos anteriores somos apresentados à finalidade da reconciliação. O que a motiva é que não mais vivamos para nós e não mais consideremos as coisas do ponto de vista humano, carnal (2Co 5.15-16). Paulo ainda nos diz qual é o resultado desse processo: tudo é renovado (v.17).

A cultura é um dos fazeres humanos envolvidos no ministério da reconciliação. Tanto do ponto de vista dos tipos de conhecimento (religião, ciência, arte, esporte) quanto dos costumes e do folclore. Depois da queda do homem e antes da morte de Cristo, esses fazeres eram inimigos de Deus. Logo, é mister que façam as pazes com ele.

>>> A redenção da cultura <<<

Não se trata de um “exorcismo maniqueísta”. Não temos que exterminar o diabo, as heresias e o paganismo da cultura, lutando contra o diabo como o herói luta contra o vilão, como se ele fosse tão poderoso como Deus para destruir tudo o que é bom na cultura. Ele até tenta, mas não consegue. E, sabendo que já está derrotado e que não pode vencer o poder de Deus, ele engana o ser humano, fazendo-o crer que é poderoso e que precisa ser enfrentado de forma dualística.

É por isso que Paulo explica logo em seguida: “[…] ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação” (v.19).

Da mesma forma que não devemos condenar e demonizar um pecador, não devemos condenar as expressões culturais, por mais enganadas que elas estejam, pois a verdade, mesmo vindo da boca de um pagão, como nos lembra Calvino, ainda assim é verdadeira e dever ser respeitada. Caso contrário, entristeceremos o Espírito.

Não devemos, portanto, condenar, mas lançar o mal da cultura aos pés da cruz, como fazemos com o pecado, confiando no poder reconciliador do sangue de Cristo, e oferecer uma mensagem positiva em troca. Temos que exercer o nosso poder de discernimento, separando o joio do trigo da cultura, pondo em prática a ordenança de Paulo na epístola aos Tessalonicenses: “mas ponham a prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1Ts 5.21). Em outra versão, que aprecio muito, lemos: “considerai todas as coisas e retende o que é bom”.

>>> A redenção das sete artes: música <<<

Assim, em vez de demonizar manifestações culturais, pois também a cultura foi criada por Deus, à semelhança da natureza, como algo bom, devemos examiná-la e deixar de lado a preguiça mental de interpretar corretamente um texto, uma escultura, uma dança etc. Devemos aprender a apreciar o que a cultura tem de bom e a exercer sobre ela o ministério da reconciliação, que também é um ministério de cura e regeneração.

Sempre que falamos sobre regeneração, lembro-me de duas cenas da literatura (e há muitas outras). Duas são das Crônicas de Nárnia, do C.S. Lewis: quando Edmundo é perdoado pelos irmãos e tem a conversa a sós com Aslam; e quando Eustáquio é transformado de volta em menino. A outra é toda a parte final de O Senhor dos Anéis, quando o mal já foi derrotado e a Terra Média passa por um processo de cura e reestabelecimento das coisas por ele destruídas.

Que aprendamos a aplicar o ministério da reconciliação à cultura, como Jesus e Paulo ensinaram.

• Gabriele Greggersen é mestre e doutora em educação (USP) e doutora em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br.

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Foto: Paula Fróes/GOVBA
É mestre e doutora em educação (USP) e doutora em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br
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