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Como um pastor ajudou a depor um ditador no Zimbábue

O pastor zimbabuense, Evan Mawarire, ganhou notoriedade no Zimbábue durante o processo que culminou com a renúncia do ditador Robert Mugabe, em 21 de novembro deste ano. Com a bandeira nacional no pescoço, um simples vídeo de Mawarire publicado nas redes sociais, no início de 2016, deu início ao #thisflag, um movimento espontâneo que viralizou nas redes sociais, inflamando a população a questionar o governo e a exigir mudanças.

Após a grande repercussão do primeiro vídeo, que rendeu mais 115 mil visualizações, Mawarire passou a publicar outros vídeos em inglês e em Shona, a língua mais falada do Zimbábue, pedindo às pessoas que se recusassem a pagar subornos e defendessem seus direitos, protestando sempre de forma pacífica.

“Muitas pessoas se identificaram com o que eu estava dizendo, que nosso país nos decepcionou, falhou, impediu nossos sonhos. Então, pedi às pessoas para tirarem fotos com a bandeira e compartilhá-las nas mídias sociais e isso acabou explodindo. Apesar de nos sentirmos decepcionados em relação ao nosso país, a bandeira nacional pertence a nós e ainda é o símbolo de um Zimbábue que é lindo.”, disse o pastor ao News Day.

Mawarire chegou a ser preso duas vezes e foi acusado de incitação à violência pública e subversão. Após várias manifestações de apoio a Mawarire, o caso foi arquivado em audiência. Nas mídias sociais, o pastor batista foi aclamado por muitos de seus compatriotas como um herói. Um zimbabuense no Reino Unido criou uma imagem de Mawarire como super-herói, “Capitão Zimbabwe”.

“Como pastor, tenho o dever de falar contra pobreza, corrupção e injustiça”

Em entrevista ao News Day, sobre sua visão política, o pastor explicou que nunca antes havia se importado com essas questões, mas os recentes acontecimentos o ensinaram a ser um cidadão. “Não sou nem um ativista político nem um ativista social; nunca havia pensado nisso, mas acho que me tornei um agora. Mas, mais do que qualquer outra coisa, sou cidadão e isso deve ser suficiente”. Mawarire também afirmou que, como pastor, tem o dever de falar contra pobreza, corrupção e injustiça.

O pastor enfatizou que os cidadãos precisam resgatar o protagonismo e não deixar que os partidos políticos falem pelas pessoas. “Os cidadãos estão dizendo que nós temos uma voz e aqueles que estão no poder devem nos permitir dar-lhes ideias sobre como queremos ser governados. Nós demos o nosso país aos políticos e agora queremos de volta. Permitam-nos reconstruir o nosso país e escolher como de ser administrado, sem coação e sem medo.”

Questionado sobre a participação das igrejas na política nacional, Mawarire disse que ao deixar questões de gestão pública apenas para políticos, a igreja abdica de um dever. “A Igreja fez um excelente trabalho, mas podemos fazer mais se pararmos de nos preocupar apenas em preservar nossos nomes e igrejas.”, concluiu.

Oportunidade para o nascimento de uma nova nação


Em novembro, após a renúncia de Mungabe, a Sociedade Evangélica do Zimbábue (Evangelical Fellowship of Zimbabwe) juntou-se a outros líderes católicos, carismáticos e ecumênicos protestantes na divulgação de uma declaração conjunta explicando como a crise atual é uma oportunidade. “Vemos a situação atual não apenas como uma crise na qual estamos desamparados. Nós vemos o arranjo atual como uma oportunidade para o nascimento de uma nova nação.”

Reproduzida na íntegra no site de Christianity Today, a carta expressa a preocupação dos zimbabuenses com a deterioração socioeconômica, o enfraquecimento dos três poderes, a perda de confiança na legitimidade de processos e instituições nacionais, o descumprimento da constituição e a falta de renovação democrática.

A carta reconheceu a parcela de responsabilidade da igreja: “Para ser justo, esta situação não é apenas o feito do partido no poder e do governo. É também o resultado da conivência dos diferentes braços do estado e da cumplicidade da igreja e da sociedade civil. Todos nós, em algum momento, não conseguimos desempenhar nossos papéis adequadamente. A igreja perdeu seu impulso profético, conduzida por cultos de personalidade e abordagens supersticiosas para desafios socioeconômicos e políticos”.

A declaração finaliza com um chamado à paz e ao respeito à dignidade humana, um convite ao diálogo e uma convocação para orar pela nação: “Todos precisamos ir diante de Deus e pedir a Deus que nos perdoe por maneiras em que contribuímos para a situação por negligência ou ação errada. Precisamos coletivamente e individualmente discernir a próxima direção para nós como uma nação. Somos o povo de Deus que está sendo chamado a defender o espírito de reconciliação. A igreja é composta por aqueles que foram reconciliados com Deus e, portanto, é chamado a ser um sinal dessa reconciliação ao chamar a nação para a reconciliação”.

Mais sobre o caso

Robert Mugabe esteve à frente de uma ditadura que durou 37 anos no Zimbábue – o país perde anualmente pelo menos US $ 1 bilhão em corrupção. Após grande pressão interna, Mugabe renunciou em 21 de novembro. Seu ex-chefe de segurança e vice, Emmerson Mnangagwa, tomou posse como presidente na manhã de 24 de novembro.

No início de novembro, o ditador afastou Mnangagwa do cargo de vice, indicando que apontaria a primeira-dama para sucedê-lo na presidência. Os militares tomaram às ruas do país e detiveram Mugabe, pressionando a renúncia, o que aconteceu após o ditador negociar um acordo de imunidade para ele e sua família.

Mnangagwa, que tinha deixado o país após seu afastamento, retornou a Harare para assumir a Presidência e prometeu respeitar o Estado de Direito. Entretanto, segundo informações da Folha de São Paulo, alguns analistas questionam o passado do novo presidente durante a ditadura Mugabe, em especial sua possível participação nos massacres de gukurahundis em 1983. Estimativas apontam que até 20 mil pessoas podem ter morrido em um ataque do Exército contra oposicionistas — Mnangagwa nega ligação com o episódio.

Nota: Com informações de Folha de São Paulo, News Day, BBC e Christianity Today.
Equipe Editorial Web
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