Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Palavra do leitor

O Drama de um Padre

Quem me contou foi pastor da Igreja Presbiteriana em Anápolis, missionário americano naquela década de 60 e partícipe do evento que narrarei.

Élben conheceu o missionário. Quando foi aos Estados Unidos, recebi e o presenteei com um dicionário de termos teológicos e históricos, depois tentei agendar um encontro entre o missionário e Élben.

Colhi também o testemunho de quem ainda lembrava-se daquele inusitado acontecimento naquele domingo à noite.

O culto começara quando o missionário-pregador viu um senhor vestido a caráter cochichar com o diácono de plantão. Este fez sinal ao pregador e dirigiu-se ao púlpito. Era um padre, e queria falar. Foi-lhe permitido. Anápolis era, àquela época, bastião do catolicismo e um padre adentrando uma igreja protestante era algo surreal.

Inspirado, falou da fé cristã, pontuou sobre a relação de atrito entre os dois grupos cristãos, elaborou sobre o papel de Cristo, do fervor que unia os irmãos, da cristandade, da igreja de cristo. Houve choro, profundo choque emocional na igreja e conversões genuínas. Do mesmo jeito que entrou, o padre saiu, esgueirando-se na escuridão da noite. Era a década de 60.
Quando duas décadas e meio mais tarde reunimos em família, o missionário americano e esposa, meus sogros, em uma churrascaria em Goiânia, ouvi o relato daquela noite e resolvi leva-los a Pirenópolis para um encontro com o padre.

Isócrates de Oliveira era seu nome. Nascera em Pirenópolis em 1922. Fora filósofo, teólogo, escritor, diplomata e membro da Academia Goiana de Letras, abandonara tanto o sacerdócio tanto quanto à fé cristã. Concursou no Instituto Rio Branco e abraçou, carreira diplomática e exerceu cargos nas embaixadas do Brasil em Atenas, Praga, Argélia, Chile, República Dominicana, Tailândia e Paquistão, além de Cônsul do Brasil em Houston, Chicago e Miami. Aposentou-se na Itália e foi morar em Pirenópolis. Morreu em 1999.

Consegui agendar um reencontro entre ambos. Nem um nem outro falharam ao encontro que foi solene, breve, mas carregado de emoção.

Dois homens, em polos completamente diferentes do espectro religioso, se encontraram quase 50 anos mais tarde. "Foi ali o encontro", apontei à minha esposa, indicando o local.

Décadas depois eu voltara a Pirenópolis, e lembrei do local exato do encontro daquele homem curvado pelo tempo e de bengala, abraçando o missionário americano que o recebera na igreja onde pastoreara em Anápolis.

O DRAMA DE UM PADRE é o título do livro escrito por Isócrates de Oliveira, e narra o que o título propõe, contando um pedacinho desta história. O leitor talvez encontre uma cópia em algum sebo.

Fecho esta narrativa e cravo ‘dois momentos’ que se juntam para singela contribuição à página que ULTIMATO tem agora sobre Élben. O primeiro momento.

Ao contrário do que muita gente pensa e a história da revista ULTIMATO possa transparecer, não foi seu início uma das mais gloriosas. O próprio nome da revista nasceu de uma situação inusitada, contada pelo próprio Élben.

O segundo momento histórico.
A revista, nos seus primeiros anos, granjeou pelo país afora leitores católicos, padres e bispos, e não fez feio: sem oferecer o ‘doce fácil’ com uma mão, marqueteira, típica de muitas revistas evangélicas da época e de hoje, e a ‘vara da correção moralista’ na outra, ela franqueou-se para que católicos pudessem expressar a fé cristã, cada um em seu espaço histórico.

As épocas, tanto do testemunho de Isócrates, quanto ao franquear a católicos um fórum editorial protestante, se convergiam contra a sanha de vivandeiras evangélicas que se opunham a esse tipo de abertura.

Naquele instante, Élben e ULTIMATO deixavam de ser uma espécie de Tradição, Família e Propriedade, uma espécie de TFP matizada com o nome de evangélica. ULTIMATO abraçava outra tradição cristã mais ampla e generosa.

Tal qual o missionário americano em Anápolis que recebera o padre naqueles idos da década de 60.

PS. Igreja não é tenda de beduíno, mas certamente abriga um colorido de tipos que a torna uma espécie de abrigo de portas abertas.
Parnamirim - RN
Textos publicados: 3 [ver]

Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.