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Palavra do leitor

"Estou convosco todos os dias, até a consumação do século"

O fim do evangelho de Mateus é lindo. Deixa a idéia de um processo, algo não acabado, apesar do início ser anterior ao princípio de todas as coisas. De fato, onipresença de Deus e encarnação são coisas muito próximas, meu sentimento quer dizer que são uma só coisa, minha razão ainda não permite (além disso, a cada dia parece que minha razão e emoção são uma só coisa, mas também ainda não posso dizer isso).

Pois bem, esqueçamos um pouco da razão, supondo que ela tenha alguma coisa de não-emoção. Primeiro, não tenho maturidade para divagações racionais. Segundo, porém mais importante, ela tem me parecido muito chata ultimamente. O abandono dos discursos nos permite divagar pelas sensações, pelo que "está aí", pelo frouxo, mas não menos profundo. Isso não significa que a Cruz se relativiza, muito pelo contrário. Aliás, parece que a espinha mais incômoda na carne da igreja em sua história é o condicionamento da centralidade da Cruz a uma dogmática racional, cuja maneira de sê-la é bem posterior a Cristo e não sabemos ao certo o quanto ela tem a ver com sua mensagem. Isto posto e não questionado transfere a autoridade do evangelho para um discurso autêntico, cujo fundamento bíblico não é o bastante para redimi-lo.

Mas deixando de lado as desculpas esfarrapadas deixe-me falar o que queria neste triste sábado à noite. Quando vivemos o cotidiano, olhamos em volta para os que sofrem e para os que não percebem que sofrem, nascemos, morremos, temos filhos, etc., parece que uma coisa passa despercebida. Essa "coisa" é a presença de Cristo. Sim, porque o Pai está no céu, o Espírito sopra por aí, mas Cristo está na Terra. Mais do que isso, está encarnado. É Ele quem se fez homem, portanto Ele está aqui. Tudo o que se passa na humanidade é um longo processo de encarnação, sacrifício, dores, chicotadas e milagres à espera da Cruz e, finalmente, ressurreição. O que aconteceu há 2000 anos é fato consumado, mas também é manifestação histórica do que é e sempre foi. Cristo está entre nós. E todo dia ele oferece a outra face por aí, cura um doente, ensina sobre a Graça e, com muita freqüência, sofre golpes com coroas de espinho. Estes são as guerras, a fome, o materialismo, o hedonismo imbecil, a depressão, o ódio, a injustiça e todo tipo de desgraça.

O mundo geme como em dores de parto porque o Cristo universal e atemporal é golpeado, traído, desacreditado. Sim, ele existiu de fato, nasceu em Belém e tudo mais. Mas também, Ele é Deus, eterno e imutável (qualidade que com o passar do tempo foi confundida com traços de desumanidade). Cristo faz parte da Trindade a fim de dar o toque de humanidade em Deus. Quando Deus se arrepende e fica furioso no Antigo Testamento Ele já está sendo Cristo, porque Cristo se fez homem e Deus se humaniza, no sentido belo. Porém, como Ele é Deus, consegue fazer isso sem ferir sua imutabilidade e vou além: a onipresença de Deus é devida a Seu caráter "Cristão-humano". De fato, é assim que Deus está em todos os lugares, porque é Cristo encarnado que toma a forma de homem e está imerso no mundo. Essa imersão é levada pelo sopro do Espírito Santo, como o anúncio de uma trombeta nos quatro cantos da Terra e nas profundezas de nossa alma.

É por tudo isso que quando sofremos enquanto humanidade estamos enfrentando as conseqüências da Queda. No ditado popular, "estamos pagando pelos nossos pecados". Sim, é justamente isso. Falei há pouco que os golpes sofridos por Cristo aparecem como as desventuras da humanidade. Pois foi por isso que Cristo se rendeu às dores e morte, para pagar nossos pecados originários na Queda.

Dito isso, deve ser lembrado que a salvação já foi dada por Cristo, mediante a Graça. A Via Crucis já foi percorrida por Ele, não temos que repeti-la. Então, parece que estamos diante de uma contradição. Por um lado fomos salvos, por outro pagamos pelos pecados todos os dias. Não, acho que deve ser dito diferente: o que acontece é que vivemos o estado de pecado todos os dias. Mas, salvação e remissão do mundo já foram dadas pela Cruz e Ressureição. Cristo está aí, ele se confunde com o homem; leva tiros, tsunamis, tem fome, chora, tudo juntamente conosco. Porém, já está ressurreto e reinando à destra do Pai. Isso é estranho, mas é essa coisa estranha que nos faz cantar, perceber a beleza de um pôr do sol, amar uma mulher, chorar, se revoltar e, às vezes, desistir.
Curitiba - PR
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