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Palavra do leitor

A tradição Cristã tem medo do prazer. Por que ?

Por que o prazer está sempre ligado ao pecado? De que a tradição Cristã tem tanto medo? Para a agradar a Deus nós temos sempre de oferecer sofrimento, abnegação e renúncia? Por que Deus se satisfaz apenas com nosso sofrimento?
Nunca ouvi contar de alguém que para agradar a Deus, ao invés de deixar de fazer aquilo que gosta, fizesse uma promessa de fazer o ato em dobro. Não há!
Nossa cultura cristã nos castrou o viés do prazer. O viés do gozo. O viés da satisfação. Isso não é de hoje. Tem raízes lá na idade média. Uma sociedade formada por castas. Imóvel. A população era execrada para bancar os luxos de um governo absolutista e uma nobreza parasitária. A Igreja se tornou onipresente/onipotente, vendendo a fé, condenado o prazer, o amor e exaltando a pobreza, o trabalho, a abnegação de desejos terrenos como valores essenciais.
Tudo o que era humano, natural, do corpo, passou a se chamar carne e a ser entendido como pecado. Começou uma busca por uma santidade sem entendimento, uma sacralização absurda, a ponto de as pessoas estarem tão insatisfeitas com a perfeita criação divina, que chamamos de Terra, e passarem a comprar lugar para morar no céu. Desapego completo do terreno, do humano.
Era necessário retirar do indivíduo a capacidade de sentir, de ser, de viver, de criticar. Deixar de ser humano.
O prazer que é a consumação de um sonho, o gozo que é uma emoção agradável, o exaurimento do desejo tem de fato ser freado em uma sociedade em que a perspectiva pessoal é apenas alimentar o sistema, é apenas saciar os exploradores (olha que isso não é exclusivo da idade média hein).
Passa o homem a detestar sua natureza. Odiar o que é. E viver ansioso por ser “anjo”. Por ser alguém perfeito, sem falhas, que não erre e, portanto, merecedor de uma vida no “céu”.
Criou-se a ilusão de um por vir já que o presente é o caminho do flagelamento.
Há de haver uma vida onde todas as mazelas serão sanadas e é isso que é vendido numa sociedade estamental como na idade média. O prazer está por vir, não há de ser gozo por agora.
Não entendo como essa cultura medieval ainda está encrostada em nós. O prazer está ainda ligado a tentação, a perversão e ao que é errado. Quando o assunto é sexo então... Xiiiii... Melhor nem dizer! Pasmem, mas ainda tem gente que acredita que o pecado original é sexo. Nos dizeres de Rubem Alves “não lhes passa pela cabeça que, se Deus não desejava que houvesse sexo, não nos teria feito macho e fêmea, e nem teria colocado tanto prazer nas funções sexuais? "
Por falar em Deus, aquele no qual eu acredito é um tremendo de gozador. Um Deus que tem prazer em tudo. Não está em busca de um objetivo, mas de desfrutar de cada instante. Basta olhar o exemplo da criação. Com uma palavra ele poderia ter criado tudo. Aliás, você já pensou que se o objetivo de Deus fosse levar as pessoas para o “céu” ele poderia já ter criado todo mundo lá? Bastava dizer haja o mundo ou haja “céus”. Mas preferiu dizer haja luz. Criar as coisas passo a passo, no seu tempo, devagar. Para que pudesse gozar de todas elas.
Antes que novas coisas fossem criadas Ele fez questão de sentir prazer, de experimentar, de ver quais sensações aquilo lhe produz. Deus fez questão de sentir que o criado era bom.
Ao contrário do pensamento medieval que ainda está imensamente presente na nossa religiosidade o prazer não é pecaminoso, não é perverso. O prazer é e está em tudo. Tudo que foi criado, fora feito para nosso desfrutar.
Ele mesmo construiu para nós um paraíso. Me diga você: de que vale um paraíso se não para satisfação, gozo e contentamento? Ele criou um jardim de delícias. Não bastasse tê-lo feito ainda nos deu uma ordem: coma, deguste, sinta o sabor de tudo. E nos advertiu: sempre que você abrir mão de tudo o que fiz para que você desfrute e quiser comer do fruto da ciência, do que é certo ou errado, você morrerá.
Por que é que ainda hoje preferimos a morte do que o prazer?
Belo Horizonte - MG
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