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Palavra do leitor

A comunhão da igreja individualista

Quando foi que a salvação passou a ser individual? Não me lembro.

Essa “verdade” mentirosa sintetiza bem todo panorama cristão da atualidade. Temos encarado a relação com Deus, em primeiro lugar, como uma forma de beneficiamento pessoal, uma forma de dominá-lo, passando a fé a ser apenas um instrumento, uma estratégia de realização do nosso individualismo, a senha para conseguir em Deus nossos desejos, sejam eles pessoais ou igrejeiros.

É lamentável perceber como a essência relacional/coletiva da fé há muito vem sendo esquecida. Essa vertente individual, sempre objetivando o resultado, que empregamos no evangelho, não é exclusiva da fé ou dos cristãos, são características do pós-modernismo.

O mundo não para de acelerar. Inúmeras descobertas tecnológicas e científicas, progressão do saber quase sem limites. Só para se ter uma ideia, estudiosos estimam que os avanços da última década superam toda produção cientifica já realizada na história da humanidade.

O mundo “encurtou”, as informações são universais. A busca da novidade, do novo assunto é o que nos move. Estima-se que uma criança de sete anos, hoje, tenha mais conhecimento de que um imperador romano foi capaz de ter.

Descobrimos a subjetividade, o “EU”. Ambiente este perfeito para o ressurgimento do hedonismo, da busca do prazer, (quantas vezes você ouviu a frase: “Agora tenho que pensar em mim"? Este prazer é suprido através do consumo. Como a busca prazerosa é constante, estamos sempre consumindo.

Naturalmente ocasiona uma valorização do indivíduo em detrimento das relações interpessoais e ou coletivas (basta pensar em um jantar, nos dias atuais, todo mundo olhando para a telinha do smartphone e pouco falam pessoalmente). Só por curiosidade: na China existem pessoas que preferem namorar com avatares virtuais, do que com pessoas de verdade. Acreditem isso é sério!

A igreja encontra-se completamente imersa nesse cenário. Então como dizer que não há salvação para o indivíduo? (Ouvir que a salvação não é individual pode até soar como heresia para você, não é?)
Como dizer que o que Deus pretende é resgatar a relação que se perdeu?

Como mostrar que salvação foi transformar o UNIGÊNITO em PRIMOGÊNITO para que se salvasse uma família e não apenas um filho (nos dizeres de Paulo Borges Junior)?

São bons desafios! Por isso coaduno com o Marcelo Gualberto (MPC) ao dizer que o maior campo missionário são nossas igrejas.

Já quase não há espaço para um discurso altruísta ou para um livro que diz por aí algo do tipo: “o que fizerem aos outros estarão fazendo a mim” ou “Aquele que quiser salvar a si mesmo se perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa encontrará a verdadeira vida”.

Mas se ainda houver espaço para essas formulações a primeira pergunta a se fazer é: Qual é essa causa?

Para responder essa pergunta é preciso pensar em outra, que sintetiza o legado de Cristo: Como me destruir para que outros sejam salvos?

O homem é a imagem e semelhança de Deus, um Deus de natureza comunitária e não individual. A divindade é uma comunidade de 3 pessoas que se reúnem em um. Será que estamos de fato sendo um com o outro? Ou nem sabemos na verdade onde está o outro? (Gn 4.9).

Nos esquecemos completamente que a promessa de Deus é de se revelar por inteiro quando houverem dois ou mais unidos reunidos em um propósito, seu nome (Mt 18.20). E quando essa comunhão se dá verdadeiramente em nome do Criador o mundo experimenta justiça e equidade através de nós, como foi no relato de Atos e como relata o livro de hebreus a respeito do governo de Cristo.

Por que não temos visto transformações das realidades através de nós? Porque não é possível verificar justiça e equidade através da obra de nossas igrejas e da nossa fé?

Estamos perdidamente perto, tão perto de conseguir entender o projeto de Deus, mas tão distraídos com nossas próprias convicções que não o vemos. Estamos à porta, mas não conseguimos entrar.

Deus não tem estado conosco. É bem verdade que estamos sempre nos ajuntado, isso é fato, porém como o propósito do agrupamento é o nosso próprio nome, nossas petições e agendas individuais, e não pela causa (nome) de Cristo, Ele não se faz presente em nossas reuniões.

Estamos sempre preocupados em ter igrejas bonitas, grandes, sinuosas, lotadas de pessoas, queremos ministérios de “sucesso”, famosos e rentáveis. Alguns até dizem pregar o evangelho custe o que custar (goela abaixo), querem converter o mundo, enchem os bancos, trazendo todos para “nossa igreja”, porém cheios de motivações erradas.

Tudo tem aparência de piedade, mas nada mais é do que corações ambiciosos cheios de si, incapazes de pensar no outro. A fé vem se perdendo e a igreja, talvez, há muito se perdeu.

Minha oração é para quebrarmos o molde da cultura, que sejamos homens fora de tempo para entender o dom de Deus (amá-lo acima de todas as coisas) e imediatamente após, por amor a Ele, sermos compelidos, escravizados ao amor ao próximo e não ao meu próprio umbigo.
Belo Horizonte - MG
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