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OPINIãO
 
  Ideias de Darwin
 
Karl Heinz Kienitz

A mídia deu grande destaque ao ducentésimo aniversário de nascimento de Charles Robert Darwin, comemorado em 12 de fevereiro. Junto com muitos fatos importantes sobre este conhecido naturalista publicaram-se também toda sorte de estultícias a seu respeito.

Em sua edição de 09/02/2009, a revista “Época”, por exemplo, festeja Darwin como o maior cientista do século 19, homenagem reservada geralmente ao menos badalado James Clerk Maxwell (formulador da teoria do campo eletromagnético que possibilitou desenvolvimentos como rádio, TV, radar, radiografia, GPS, a comunicação sem fio e outros aos quais ninguém deseja renunciar).

Em contraste com a ciência de impacto prático de Maxwell, as ideias de Darwin desembocaram em debates conduzidos com vigoroso dogmatismo e fomentaram estranhas doutrinas específicas tais como o darwinismo social e a eugênica. A principal variante da teoria da evolução e um ceticismo anticristão, por sinal muito em voga na mídia, apelam a uma versão recondicionada das ideias de Darwin (o neodarwinismo) para explicar a diversidade da vida. É o que realmente resultou de “A origem das espécies”, a obra maior de Darwin, cuja contribuição central, a seleção natural, foi derivada de três premissas incorretas, como detalham artigos técnicos dedicados ao assunto pelo professor Kenneth Hsu1. O professor Wolfgang Smith é ainda mais categórico2: "O darwinismo, independentemente do formato, de fato não é uma teoria científica, mas uma hipótese pseudometafísica pomposamente vestida em roupagem de ciência. Na realidade, a teoria deriva sua sustentação não dos dados empíricos ou das deduções lógicas de natureza científica, mas da circunstância de ser a única doutrina sobre as origens biológicas concebível na limitada visão de mundo a que a maioria dos cientistas indubitavelmente subscreve". Com tônica semelhante, o professor Alfred Locker constata que “a teoria da evolução não é o ápice do conhecimento científico, mas o ponto final de um movimento intelectual, que (...) se manteve erguido em otimismo embriagante por muito tempo, hoje só conseguindo disfarçar seu descaminho (e conversão em destruição da natureza) com ruidosa propaganda em causa própria”.3 A revista “Veja”, edição de 11/02/2009, inocentemente confirma a constatação de Locker, ao louvar as ideias de Darwin como “os pilares da biologia e da genética”; justamente daquela genética com a qual o darwinismo precisou ser compatibilizado por meio da sua transformação em neodarwinismo. Obviamente não se pode deixar de notar o artigo definido “os” usado pelo articulista antes de “pilares”, indicando sua fé na ausência de outros pilares para a biologia e a genética, além das ideias reveladas por Darwin.

Numa formulação bem mais lúcida, a já citada edição de “Época” relata que as teses de Darwin "foram amplamente confirmadas", mas agora (sic!) são questionáveis. Na mesma matéria a revista elenca Darwin, juntamente com Freud e Marx, como um dos três pensadores mais influentes do século 19. A menção conjunta com Marx é muito apropriada, pois o doutrinamento de jovens com as ideias de Darwin em muitos lugares é garantido por força de lei ou de decisão em tribunal, exatamente como acontecia com as ideias de Marx nos países chamados comunistas. Porém, ao que tudo indica, doutrinar jovens e dissuadi-los da discussão crítica do darwinismo não foi ideia de Darwin.

Notas
1 K. Hsu - Evolution, ideology, darwinism and science, Klinische Wochenschrift (título atual: Journal of Molecular Medicine), v. 67, pp. 923-928, 1989.
2 Citado no livro H. Margenau & R.A. Varghese - Cosmos, bios, theos, Open Court, 1992.
3 A. Locker – Evolution und 'Evolutions'-Theorie in system- und metatheoretischer Betrachtung, Acta Biotheoretica, v. 32, pp. 227-264, 1983. Uma tradução deste artigo para o português está disponível em www.freewebs.com/kienitz/Locker_pt.pdf .


Karl Heinz Kienitz é doutor em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça, em 1990, e professor da Divisão de Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. (www.freewebs.com/kienitz)
   
 
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Opinião do leitordeixe seu comentário
 
 
Samuel Nicolau Dos Santos | São José Dos Campos - SP #1
A falta de conhecimento é realmente um fator de destruição para as pessoas. A sociedade moderna costuma ignorar tanto a palavra de DEUS que é incontestável em relação à sua veracidade e atualidade, mas são tão abertos a aceitar o que Darwin colocou como uma simples teoria. Teoria segundo o Dicionário Aurélio é "Conhecimento especulativo, meramente racional; Conjunto de princípios fundamentais duma arte ou duma ciência; Doutrina ou sistema fundado nesses princípios, ou seja, não passa de especulação. Será que "mera especulação" pode ser superior à Bíblia? Essa é a questão que fica.
Postado em 26/02/2009 às 17:57:36
 
Ricardo De Oliveira Pinto | São José Dos Campos - SP #2
Como comparou Werner Gitt, acreditar nas hipóteses de Darwin é o mesmo que admitir que um Pentium IV é produto de uma "evolução natural" de um PC-XT. Como poderia um ser humano, com um cérebro muitíssimo mais complexo, evoluir de um símio com limitadas capacidades de raciocínio? Pelo acaso? "Evolução Natural"
Postado em 26/02/2009 às 19:02:32
   
 
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