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OPINIãO |
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A revogação do inferno |
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João Heliofar de Jesus Villar  Phillip Roth é hoje um dos mais respeitados escritores nos Estados Unidos. Frequentemente seu nome é mencionado nas cogitações do Prêmio Nobel de Literatura. Num estilo seco, agradável de ler, em histórias que sempre tem como pano de fundo a realidade judaica americana, seus romances ganharam o mundo. Em sua última obra, “Indignação”, o autor narra a saga de um jovem judeu, filho de um açougueiro kosher, que, durante a guerra da Coreia, consegue se livrar do alistamento, mantendo-se na universidade. Porém, inscrito em uma instituição cristã profundamente conservadora, o aluno se vê sob o risco de expulsão continuamente, pois não aceitava as restrições impostas pela faculdade, especialmente o dever de frequentar cultos semanalmente. O romance gira em torno dessa tensão; isto é, o aluno, que sustentava sua rebeldia como uma questão de honra, equilibrava-se numa corda bamba, pois, caso fosse expulso, teria de enfrentar as trincheiras geladas da guerra do extremo oriente. A história constitui pano de fundo para mais um ataque cruel ao cristianismo e revela como o caldo de cultura ocidental está cada vez mais hostil à fé. Mesmo um autor sofisticado como Roth não consegue vencer a tentação de passar uma visão maniqueísta do confronto do jovem rebelde com a direção de uma instituição cristã. Num diálogo com o diretor da faculdade de direito (um “apaixonado por Jesus”), o jovem judeu afirma com grande orgulho que é ateu e que Bertrand Russel já havia demonstrado suficientemente a total falta de lógica dos argumentos a favor da existência de Deus, na obra “Por que não sou cristão”. E acrescenta que Russel teria afirmado com toda propriedade que Jesus não poderia jamais ser tido na conta de um bom mestre, tendo em vista os seus ensinos sobre o inferno. A doutrina do inferno seria completamente inaceitável, suficiente para arruinar a reputação de Cristo, por mais elevados que fossem os demais ensinos éticos firmados nos evangelhos. Diante desse ataque, o diretor da faculdade de direito se limita a fazer ataques à conduta pessoal de Bertrand Russel, que seria uma figura amoral, adúltero etc. Do ponto de vista racional, porém, suas críticas seriam irrespondíveis. A história se passa nos anos 50, mas é bastante atual, com a diferença de que hoje, nas universidades, a posição dominante é a do herói de Roth, especialmente no corpo docente. E a tendência de hostilização intelectual é tão forte e crescente que intimida abertamente os cristãos mais ortodoxos. Uma prova de que a intimidação já chegou ao centro da igreja é o silêncio envergonhado nos púlpitos a respeito do inferno. Se hoje Jonathan Edwards pregasse “Pecadores nas mãos de um Deus irado” em qualquer lugar, perderia imediatamente seu cargo de reitor da Universidade de Princeton, seria escorraçado da igreja, e ninguém mais ouviria falar no seu nome. Talvez os conceitos de Russel a respeito do tema tenham se infiltrado no inconsciente cristão de tal modo que ninguém consiga tratar do assunto sem suscitar em si um profundo sentimento de culpa diante do ouvinte secular. Na verdade, se fosse possível, talvez convocássemos um concílio para revogar o inferno por algum tipo de decreto a fim de que fosse declarada a paz com a modernidade e ninguém falasse mais nisso. Falaríamos apenas em amor, graça e tolerância, temas tão caros à piedade moderna. Que o inferno vá para o inferno. Talvez ficasse difícil explicar para quê serve a salvação -- seremos salvo do quê, exatamente? Mas, por certo, teríamos um verniz intelectual muito mais elegante perante nossos interlocutores seculares. Afinal, não é a eles que devemos agradar? • João Heliofar de Jesus Villar, 45 anos, é procurador regional da República da 4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico. |
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Alexandre Pereira Vaz Da Silva | Nossa Senhora Do Socorro - SE |
#1 |
| Se o problema fosse só a questão do inferno, esse seria o menor de nossos problemas. O que me incomoda é se os cristãos estão vivendo de forma digna o Evangelho de Cristo. A mensagem bíblica não faz efeito nem dentro da igreja que dirá no meio secular. É muita gente pregando o que não vive e os vivem o que pregam, como os profetas do AT, são vistos como pessoas que incomodam o "ambiente gostoso" dos irmãos. As pessoas confrontam a igreja porque e igreja está fraca, essa é a verdade. Num culto, Bárbara Burns tratou de coisas tão sérias sobre missões, mas a resposta da igreja foi apática. |
Postado em
25/08/2009 às 16:33:03 |
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Otton Carlos Rodrigues Dos Santos | Paço Do Lumiar - MA |
#2 |
| A problemática do inferno é um dos assuntos mais atuais e polêmicos da teologia. Se entendermos o inferno como um lugar de ETERNO sofrimento, sem volta e sem qualquer possibilidade de retorno (e essa é a idéia da teologia clássica), temos que entender como é uma idéia difícil de conciliar com o amor e graça. Se o inferno não fosse para sempre, se fosse uma pena temporária, não seria tão tormentoso de aceitar. Mas, por que um pecado temporal deveria ser punido com uma pena eterna? Parece desproporcional e injusto. Penso que é tempo de discutirmos abertamente esses questionamentos filósicos. |
Postado em
27/08/2009 às 13:17:55 |
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Edmar Xavier De Souza | Rio De Janeiro - RJ |
#3 |
| Louvo ao Senhor Jesus, mais uma vez. E desta, porque faço minhas as palavras do sábio irmão João Jesus. Texto que dá sinais de que um avivamento bíblico está a caminho. Não com luzes nem ribaltas, mas silenciosa e sutilmente porque acontece nos corações daqueles que suportam apenas a sã doutrina e não discursos de gente fútil e hipócrita que, certamente, devem estar, agora, xingando-lhe de "fundamentalista", como se defender a fé fosse terrorismo. Não sei se é assim que João Jesus se vê, mas acredito, meu irmão, que Jesus Cristo está assinando contigo este artigo. Parabéns! Deus nos abençoe! |
Postado em
27/08/2009 às 16:00:34 |
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Iunes Tehfi | Campo Grande - MS |
#4 |
| A questão não é de natureza filosófica, mas de fé. O ponto é saber se confiamos que Deus é justo, sábio e competente para aplicar uma pena eterna aos pecados "temporais". Se é, porque Ele não poderia impor tal pena? A rigor, ele apenas estará concretizando o desejo daqueles que anseiam por viver numa "sociedade" (inferno) apartada de Sua presença, com todas as conceqüencias decorrentes de tal alienação: choro, doença e ranger de dentes. Parabéns João Heliofar, a punição, queiram ou não, é um imperativo categórico da Justiça. |
Postado em
28/08/2009 às 12:37:51 |
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Samuel Nicolau Dos Santos | São José Dos Campos - SP |
#5 |
| Serei breve em meu cometário. Concordo plenamente com Heliofar. Há verdades que são eternas e imutáveis. Não adianta discutir ou fazer acordos sobre aquilo que DEUS determinou. O fim será o mesmo = ARREPENDIMENTO = PERDÃO. DUREZA DE CORAÇÃO + PECADO = INFERNO. |
Postado em
28/08/2009 às 18:52:42 |
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Derval Dasilio | Vitória - ES |
#6 |
João, permita-me concordar... Em boa teologia, impossível livrar-nos do inferno. O mundo bíblico (mínimo entre as civilizações contemporâneas, para quem não sabe) concebe um Universo em três andares. O céu é a moradia de Deus, figuras celestiais, anjos, o rodeiam. O andar de baixo, subterrâneo, é o lugar do tormento. Mas, atenção, a terra não é simplesmente o lugar dos vivos, do natural, do cotidiano; lugar de ordem e lei. Coisas que nunca experimentamos plenamente... nem tudo é natural, ordeiro, legalmente justo. Quem discorda? Mitos comuns (mito mesmo, por definição antropológica) - cont. |
Postado em
01/09/2009 às 09:00:58 |
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Derval Dasilio | Vitória - ES |
#7 |
| A terra é também cenário de lutas sobrenaturais, figuras malígnas interferem no pensar, no agir do ser humano. Demônios podem se apossar do ser humano, refém do sobrenatural. O pensamento religioso e cultural iraniano (babilônico) permite uma insersão no judaísmo bíblico: também Deus pode dirigir o pensar e o querer humano, pode fazê-lo ter visões celestiais! Fazê-lo ouvir uma Palavra imperativa e confortadora diante dos transbordamentos infernais que afloram constantemente desde o "inferno". A força sobrenatural, criadora, do Espírito, em gravidez permanente, está prestes a eclodir. (cont.) |
Postado em
01/09/2009 às 09:20:44 |
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Derval Dasilio | Vitória - ES |
#8 |
Aqui, a exposição mítica do universo bíblico/iraniano precisa ser consdireada. Creio. Demitologizado, o inferno não serve pra nada... infelizmente. Assumimos, de fato, que "o inferno são os outros" (Sartre, com extremo acerto, disse assim). Ou então, sucumbimos à concepção romântica de que o ser humano é tão somente um indivíduo complicado num universo imensurável, multi-estelar, galático, destinado a fazer parte da poeira cósmica conforme a astrofísica contemporânea define. Concluo: o pensamento bíblico continua relevante, a respeito do inferno. Mesmo desmitologizado, (cont.) |
Postado em
01/09/2009 às 09:38:02 |
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Derval Dasilio | Vitória - ES |
#9 |
| (necessariamente), o sentido salvífico contido nas Escrituras refere-se à erupção infernal que nos toma. Na entrega "irrevogável" à destruição ambiental, ou na impossível transformação do ser humano na direção do projeto salvador de Deus. Se passamos a viver no andar de baixo mitológico, desconsiderando Copérnico, Newton, Einstein, toda astrofísica do cosmo conhecido (mas nem tanto, não é?), sobre o mistério do Mal e do Bem, parece que há muito por dizer... Que o céu, lugar que a fé bíblica promete, lugar das bem-aventuranças eternas não seja dispensado, em esperança do reinado de Deus. |
Postado em
01/09/2009 às 09:59:43 |
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