quinta-feira, 12.novembro.2009
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OPINIãO
 
  Um raio-x da juventude evangélica brasileira
 
Francisco Helder Sousa Cardoso

Há algumas semanas acompanhei um fórum num grupo batista de debates no qual se questionava se os jovens fazem ou não diferença na vida da nossa denominação. Não escondi minha empolgação por saber que, naquela ocasião, os olhos de muitos se voltavam especialmente para a juventude. Porém, a empolgação foi logo substituída por outro sentimento: preocupação. Sim, pois naquele debate vi a realidade de nossa juventude ser exposta diante de uma acurada análise. E os resultados não foram os mais satisfatórios.

Embora existam boas e louváveis exceções, uma das principais marcas da geração atual é a pouca resistência aos efeitos da pós-modernidade. Vemos, de norte a sul do país, juventudes inteiras desmotivadas e pouco comprometidas com Deus, sua Palavra e sua Igreja. Numa espécie de raio-x constatamos que a maioria dos jovens dá pouco ou nenhum valor a questões como vocação e espiritualidade. Sonham e vivem hoje exclusivamente em prol da profissionalização e de inesgotáveis graduações. Estas são as “bolas da vez”. Uma espécie de segunda “descoberta da pólvora”. Já o reino de Deus cai sempre pra escanteio e vira, inevitavelmente, segundo plano.

E a espiritualidade deles, onde fica? Boa notícia: ela não acabou nem morreu. Está apenas num estado de “hibernação”. Quando o inverno das buscas profissionais e intelectuais passar, eles planejam despertar. Sejamos francos: há sim um desejo múltiplo de “adoração”, só que quase sempre (e apenas) por meio de “louvorzões”, congressos, festivais, gincanas etc. Contudo o cultivo de valores cristãos na vida pessoal é algo cada vez mais raro. Há pouco ou quase nenhum interesse pela genuína Palavra de Deus.

Lamentamos ainda por saber que, embora tendo um número razoável de jovens como membros de nossas igrejas, eles não representam ainda sólida e significativa expressão nem para a vida denominacional nem para o país. Nossa relevância para o Brasil varia entre discreta, despercebida e inexistente...

Mas nem tudo está perdido. O lado bom da análise nos faz vislumbrar uma juventude que, embora não sendo 100% ativa, traz sobre si altíssimo potencial. Nossas igrejas são verdadeiros celeiros de jovens que têm em si muita capacidade e desejo de servir ao nosso Deus, e que apenas precisam saber quais os principais meios para fazê-lo. E os principais responsáveis para que estes potenciais sejam transformados em ação concreta são nossos líderes denominacionais (locais, estaduais e nacionais).

Com vistas a essa realidade, propomos a cada líder, em qualquer esfera em que esteja servindo, a se empenhar (ou continuar se empenhando) para mudarmos esse quadro.

Que a nossa geração possa deixar bons frutos. E que esses frutos gerem outros. Que marquemos a nossa geração não apenas sendo contados junto àqueles que são, diariamente, consumidos pelos efeitos da pós-modernidade. Que a nossa maior glória não seja apenas ser conhecidos como jovens de destaque na medicina, engenharia, docência e tantas outras ciências. Mas que sejamos conhecidos, principalmente pelas gerações que nos sucederão, como verdadeiros adoradores do Deus vivo; como servos fiéis do Senhor da seara. Porque, no final das contas, descobriremos que isso é o que realmente vale a pena.

Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe neste propósito. Jovens, lutemos juntos pela salvação do nosso povo. Eles não podem mais esperar. É tempo de avançar por amor aos brasileiros!


Francisco Helder Sousa Cardoso é presidente da Juventude Batista do Pará. fheldersc@yahoo.com.br  
   
 
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Opinião do leitordeixe seu comentário
 
 
Nathan | São Paulo - SP #1
Não vejo problemas quando um jovem busca qualificação profissional. Isso não caminha paralela e isoladamente à espiritualidade do jovem. É possível conciliar isso com o serviço ao Reino de Deus, através de atividades que promovam vida - não necessariamente precisam estar ligadas à alguma instituição ou denominação. Reconheço a falta de intrepidez e superficialidade dos jovens de hoje. Como diria meu bisavô, "o exemplo vem de cima". Recomendo aos jovens que vivem esse dilema a leitura de dois livros: "Os outros seis dias" e "Deus e o mundo dos negócios" ambos de R. Paul Stevens.
Postado em 02/07/2009 às 16:13:20
 
Liza Lima | Rio De Janeiro - RJ #2
Interessante que vivemos no tempo que fala demasiadamente sobre avivamento mas somente como jargão. Nossos pais e líderes viveram e vivem o poder de Deus, mas nãos e preocuparam em passar para seus filhos e gerações como buscar isso. Deus tem capacitado muitos jovens, que amam verdadeiramente o Evangelho, contudo, infelizmente isso não tem acontecido em sua totalidade.
Postado em 05/07/2009 às 18:48:14
 
Miqueias Osmarino De Souza | Itaperuna - RJ #3
Oi... Boa Tarde a todos. Graça e Paz...
Quero dizer que VOCAÇÃO e ESPIRITUALIDADE, está ligado a educação espiritual básica, quando ainda crianças em casa, compromisso dos PAIS com o evangelho, com a PALAVRA da VERDADE, encontramos PAIS, dedicados aos filhos, mas sobretudo preocupado com o FUTURO dos filhos, e assim cresce a criança, pensando o "o que vou ser quando crescer". É necessário voltar as 'RAÍZES do EVANGELHO' e reeducar, catequizar de acordo com a VISÃO CELESTIAL. Graça e Paz.... Retorno ao Culto Doméstico URGENTE...
Postado em 06/07/2009 às 16:37:40
 
Marcelo Caldas Santos | Belo Horizonte - MG #4
Para mim o problema com a pós-modernidade não acontece só com os jovens, mas com todos. É claro que as novas gerações são mais influenciadas, pois já nasceram no meio das novas idéias. Além disso, é claro que é possível conciliar o crescimento profissional com a espiritualidade. O problema é que não vemos isso acontecer. A grande maioria abre mão de trabalhos na igreja (e fora dela) para investir na vida profissional. Para mim a causa é que a igreja ainda não aprendeu a dialogar com a pós-modernidade. Não basta condená-la e descartá-la.Temos que descobrir um jeito de sermos cristãos pós-modernos.
Postado em 07/07/2009 às 10:26:47
 
Joao Luiz Ferreira De Carvalho | Belem - PA #5
Muito boa a matéria do nosso amigo Helder. Estamos numa crise. Acho que desde Lutero... Somos como que ovelhase sem pastor!!!
Postado em 09/07/2009 às 16:25:27
 
Jonas Aragão Da Silva | Porto Alegre - RS #6
O que podemos esperar dos filhos senão o que os pais passam? A mesma pergunta vale para as igrejas, o que podemos esperar dos nossos jovens senão o que é passado pelas lideranças? Se as lideranças estão contaminadas pela pós-modernidade o que esperar dos membros principalmente os jovens? A igreja de Jesus Cristo precisa urgentemente voltar ao evangelho do sermão da montanha, evangelho de cruz, de amor, de boas obras. Olhemos para os fatos, entretenimento e mais entretenimento. Caro Francisco, que as lideranças possam realmente perceber a gravidade deste apelo.
Postado em 10/07/2009 às 15:40:20
 
Leonir Oliveira Moraes | Feira De Santana - BA #7
Comungo com as opiniões e preocupacões do amado presidente, entretanto, gostaria de salientar que o caos da nossa juventude está justamente na falta de um espírito crítico, por falta de condicões de apresentar o evangelho simples de Cristo, para esta geracão, apresentada como pós-moderna, com argumentos convincentes e irrefutáveis, como nosso Mestre Jesus o fazia. Temos uma geracão que se preocupa com formacão academica pois, com certeza, os seus pais ficaram frustrados com muitos líderes que no passado alienaram muitos jovens dentro de quatro paredes afirmando que aquilo era cultuar ao Senhor.
Postado em 10/07/2009 às 17:32:02
 
Maitan | Presidente Kennedy - ES #8
Pelo texto, entendi uma incompatibilidade latente entre ambições profissionais e desenvolvimento da maturidade espiritual. São realmente eventos mutuamente exclusivos?! Jovens movidos pelo Espírito solicitam a intervenção Divina nas decisões, desafios e provas do cotidiano; encontram essa Ajuda e alicerçam sua confiança no Senhor. Deus também tem abençoado e prosperados jovens líderes, executivos, doutores, magistrados... Pessoas que influenciam a sociedade e remetem Glórias a Deus pelo seu exemplo de vda.
Postado em 11/07/2009 às 19:44:51
 
Bruna Cristina Monteiro De Almeida | BelÉm - PA #9
O texto é bastante apropriado. Creio que as igrejas precisam debater mais a respeito. Às vezes tenho a sensação de que a falta de motivação dos jovens em buscar uma vida c/ Deus passa despercebida dentro da igreja. É preciso descontruir nos jovens a identidade pós-moderna e (re)construir uma nova identidade, verdadeiramente cristã, e isso inclui a compreensão de que nossa profissionalização deve ser buscada sim, mas para a Glória de Deus e, principalmente, p/ serví-lo; não apenas p/ satisfazer nossos interesses. "E não vos conformeis com este mundo..." RM 12:2
Postado em 13/07/2009 às 16:43:23
   
 
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