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OPINIãO
 
  Michael Jackson e a saga humana
 
Jorge Camargo

O som de Michael nunca fez minha cabeça, embora reconheça nele um extraordinário talento, uma incrível criatividade e uma enorme sensibilidade.

No entanto, sua trajetória como artista e como homem tem muito a me dizer. E fala (chega até mesmo a gritar) sobre o que temos de mais humano: nossa capacidade de transcender a nós mesmos através de nossas realizações, de nossa inventividade, de nossa arte, e assim eternizarmos nossa obra. Já dizia Sêneca: “Longa é a arte, breve é a vida”.

Sua senda também me ensina sobre nossa vocação, como seres humanos, para apresentarmos no palco da vida um espetáculo inusitado e surpreendente, repleto ora de elementos de glória sublime, ora de tragédia pungente.

E isso é comum a todos nós. Todos tivemos, temos ou teremos momentos singulares de realização, de contentamento, de vitória. E também já vivemos ou viveremos tempos de dor, de luto, de vergonha, de desterro.

Esse é o caminho dos que são a coroa desta criação. Esse foi o caminho descrito no livro sagrado que o Cristo de Deus percorreu.

Da eternidade em harmonia triúna ele se esvazia tomando a forma de escravo, vivendo entre os homens, morrendo entre ladrões. E é então exaltado, recebendo o nome que está acima de todo nome.

Poderia ocupar o espaço falando dos escândalos, das dívidas, do isolamento, das deformações físicas e psicológicas que sempre ocuparam o cotidiano do ser humano Michael.

Prefiro, no entanto, refletir sobre minhas próprias imperfeições, distorções, incoerências e enfermidades que, aliás, todos temos em diferentes formas e momentos.

E nisso tudo, “don’t matter if you’re black or white!”.


Jorge Camargo, mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor. www.jorgecamargo.com.br 
   
 
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Opinião do leitordeixe seu comentário
 
 
Edilson Da Silva | Ponta Pora - MS #1
Michael Jackson fazia parte da sociedade do glamour que o Jorge tinha falado em artigo anterior. Infelizmente nós seres humanos na nossa fraqueza nos iludimos muito com o dinheiro e a fama e esquecemos que somos dependentes da misericordia de Deus. "Vigiai e orai".
Postado em 01/07/2009 às 00:34:27
 
Derval Dasilio | Vitória - ES #2
Jorge Camargo

Prezado colega:

Admirei e gostei muito de seu trabalho,
na apresentação do livro traduzido pelo saudoso
Maraschin: Paul Tillich - Teologia da Cultura. Sua apresentação
de P. Tillich será texto obrigatório nos cursos que ministro
sobre Teologia e Grandes Teólogos. Espero que aprove.

Quero agradecer-lhe pela qualidade, nesse esforço teológico
por resumir a obra de P.Tillich -- a meu ver o mais importante
teólogo do século 20 (claro, ao lado de Karl Barth, Bonhoeffer,
Brunner, Moltmann, citando apenas alguns)
Postado em 09/07/2009 às 19:08:26
 
Derval Dasilio | Vitória - ES #3
Quero agradecer-lhe pela qualidade, no esforço teológico
por resumir a obra de P.Tillich -- a meu ver o mais importante
teólogo do século 20(claro, ao lado de Karl Barth, Bonhoeffer,
Brunner, Moltmann, citando apenas alguns, da extremamente
produtiva teologia desenvolvida no século passado).

Desejo-lhe continuidade qualitativa nas cátedras que
exerce em S.Paulo.
Um forte abraço,

Sobre este artigo: Concordo. Michael Jackson, simbolicamente, representa muito para a arte e criação musical no séc.XX. Espero, tb, sua apreciação na outra "ponta da linha" (cit.Tillich).
Postado em 09/07/2009 às 19:11:42
   
 
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