
Se o tempo existe e é inflexível, não se pode menosprezar o ritual reservado para o dia 31 de dezembro de cada ano, quando, quer tomemos conhecimento ou não, subimos mais um degrau ou viramos mais uma página da história. Na verdade, esse ritual é muito mais amiúde. Ele acontece a cada pôr-do-sol.
Sob o ponto de vista secular, a cada dia que passa mais nos distanciamos do dia do nascimento e mais nos aproximamos do dia da morte. Sob o ponto de vista cristão, a cada dia que passa mais nos distanciamos do paraíso perdido e mais nos aproximamos do paraíso recuperado. Temos que levar muito a sério que a nossa história não fica comprimida entre a vida e a morte.
Os dois pontos de vista são contrários entre si e estamos totalmente livres para abraçar um ou outro. Mas, há de se ouvir que o ponto de vista secular oculta a verdade e gera transtornos de toda ordem. Fazemos uma resistência desnecessária e inglória às coisas do espírito. É preciso romper corajosamente e sem demora com essa cegueira doentia e atravancadora de nossa felicidade. Sob o ponto de vista cristão, cada pôr-do-sol indica que "o momento de sermos salvos está mais perto agora do que quando começamos a crer" (Rm 13.11, NTLH). Em outras palavras, a longa noite de pecado, sofrimento e morte está terminando e a manhã de glória está chegando. É essa a linguagem que Paulo usa ao falar sobre a marcha inexorável do tempo (Rm 13.12).
Não vamos olhar para 2009 tendo em mente exclusivamente um ano de saúde, de sucesso, de fé, de santidade e de trabalho. Enxerguemos também, pela força das convicções cristãs e da fé, a proximidade maior da plenitude da glória, pois "os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória por vir a ser revelada em nós" (Rm 8.18).
Elben CésarLeia o livro
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A Bíblia Toda, o Ano Todo, John Stott
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O Conhecimento de Deus ao Longo do Ano, J. I. Packer
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