quinta-feira, 02.setembro.2010
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Seções — Pastorais
De quem é a culpa: dela, dele ou de ambos?
Em caso de adultério e de poligamia masculinos, quem mais sofre é a esposa (no primeiro caso) ou a esposa primária (no segundo caso). Exatamente por essa razão, é estranho o fato de que, em vários episódios bíblicos, é a mulher quem abre a porta para o marido se tornar infiel ou polígamo.

Quase todos os casos concentram-se no primeiro livro da Bíblia. Foi Sara quem abriu a porta para o marido relacionar-se com outra mulher: “Um dia Sara disse a Abraão: Já que o Senhor Deus não me deixa ter filhos, tenha relações com a minha escrava; talvez assim, por meio dela, eu possa ter filhos” (Gn 16.2, NTLH). Abraão concordou com o plano da esposa e fez de Agar, a escrava egípcia, sua concubina, e esta lhe deu Ismael. Tanto Raquel como Lia portaram-se do mesmo modo e pelas mesmas razões: Raquel ofereceu sua escrava Bila (Gn 30.3-4) e Lia ofereceu sua escrava Zilpa (Gn 30.9). Curiosamente, a nação eleita do Antigo Testamento descende de doze homens filhos do mesmo pai e de quatro mulheres diferentes.

Nem toda relação sexual ilícita parte da iniciativa masculina. A nora de Judá, duas vezes viúva (de Er e de Onã), armou uma cilada para envolver o sogro, também viúvo, num escândalo sexual. Ela cobriu o rosto com um véu para não ser reconhecida, vestiu-se de prostituta, foi para a cama com o sogro e concebeu os gêmeos Perez e Zera (Gn 38.12-30).

Embora esposa de um alto oficial de Faraó, certa egípcia escancarou a porta de seu leito para o jovem hebreu que trabalhava para o marido: “Venha, vamos para a cama” (Gn 39.7, NTLH) Apesar da insistência da mulher, José rejeitou o convite, por ser algo ilícito e pecado contra Deus (Gn 39.10).

Atitude semelhante teve aquela mulher imoral de que fala o livro de Provérbios. Na ausência do marido, que estava numa longa viagem, ela forrou sua cama com lençóis de linho colorido, perfumou-a com mirra, aloés e flor de canela, e foi para a rua caçar um dos jovens ainda inexperientes que estavam nas proximidades. Vestida de prostituta, espalhafatosa e atrevida, a mulher disse ao jovem: “Venha, vamos amar a noite toda” (Pv 7.6-23). Diferentemente de José, esse rapaz caiu na conversa e foi com ela, “como um boi que vai para o matadouro, como um animal que corre para a armadilha, onde uma flecha atravessará o seu coração” (Pv 7.21-23).

Quando a escrava egípcia ficou grávida de Abraão, ela “começou a olhar com desprezo para Sara, a sua dona” (Gn 16.4, NTLH). Quando a criança nasceu, outros problemas foram surgindo. Então Sara pôs culpa no marido. Ainda bem que ela declarou a Abraão: “Que o Senhor julgue quem é o culpado, se é você ou se sou eu!” (Gn 16.5).

No caso do casal em questão, ambos são culpados. Sara bolou o plano, deu a ideia, entregou o marido a Agar. Abraão concordou com o plano e levou avante a ideia de deitar-se com a escrava. Naturalmente, o instinto da poligamia incentivou Abraão. Sara abriu-lhe a porta e ele passou por ela.

Os homens são culpados diante de Deus, mesmo quando suas esposas ou mulheres estranhas colaboraram de um jeito ou de outro com o adultério ou com a poligamia deles. O mesmo se pode dizer das mulheres solteiras, casadas, viúvas e separadas, quando elas abrem as portas e facilitam o pecado.
 
Opinião do leitordeixe seu comentário
 
Eduardo | N - RN #1
"Foi Sara quem abriu a porta para o marido relacionar-se com outra mulher..."

1. Lá pelo capítulo 12 de Gênesis (v 12 em diante), porém, pelas bandas do Egito, na casa do Faraó, Abraão dá um recado para Sara, sua mulher: "Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor você e minha vida seja poupada por sua causa." Faraó descobre, e, por sua vez, confronta nosso Abraão: "Por que disse que era sua irmã? Foi por isso que eu a TOMEI [fez, sim, exatamente o que o leitor está pensando] para ser minha mulher. Aí está a sua mulher."
Postado em 14/01/2010 às 10:41:27
 
Eduardo | N - RN #2
2. Mas Abraão não para por aí, e no capítulo 20, novamente usa o mesmo estratagema. Só que Abimeleque, diferente do faraó, devolve a dita cuja, "sem tê-la possuído" (exatamente o que você e eu estamos pensando).
Postado em 14/01/2010 às 10:43:58
 
Eduardo | N - RN #3
3. O ponto que eu quero fazer é esse: usar textos bíblicos para alavancar, no caso do artigo, a idéia de CULPA e outras mazelas da vida, presta enorme desserviço ao texto bíblico. Ora, se se pode acusar Sara de ter aberto a porta "... para o marido relacionar-se com outra mulher...", nada impede de concluir, também, pari passu, que Abraão é, portanto, o primeiro proto-corno do Velho Testamento. E por duas vezes!
Não me venham com sublimações lógicas! Ouvi esse raciocínio de um professor universitário, ateu, versado na bíblia. Lógica lá, lógica cá. E a platéia emudeceu para vergonha nossa!
Postado em 14/01/2010 às 10:45:48
 
Eduardo | N - RN #4
4. O segundo ponto. Em 1940 a Igreja Reformada Holandesa enfrentou uma controvérsia sobre como pregar textos do VT, sobretudo os históricos. A pergunta era: "Como pregar textos narrativos (históricos) da bíblia?" De um lado estavam aqueles que propunham que essas narrativas em geral, e os históricos em particular, deveriam SERVIR DE EXEMPLOS para os cristãos hoje de como deveriam pautar suas vidas. Seriam exemplos ou anti-exemplos de como os crentes deveriam se conduzir.
Postado em 14/01/2010 às 10:48:43
 
Eduardo | N - RN #5
5. Do outro lado do balcão, aqueles que advogavam o termo que mais tarde passou para o inglês como ‘redemptive-historical’ (heilshistorisch). Seus proponentes asseveravam que as narrativas históricas não foram dadas como exemplos a serem seguidos (exemplos morais), mas como indicativos da vinda do Messias. Seriam ‘tipos’ e ‘sombras’ do que estaria por vir. Se textos bíblicos, argumentavam, servissem de exemplos, poder-se-ia usar qualquer coisa que servisse de exemplo para fazer um ponto! Estava aberto a porta para as bobagens que se vêem hoje nas igrejas e nos programas evangélicos na TV.
Postado em 14/01/2010 às 10:49:52
 
Eduardo | N - RN #6
6. Desse modo, a bíblia não seria uma coleção de princípios morais, mas uma ANTOLOGIA DE EVENTOS DA OBRA DE REDENÇÃO de Deus na história. Essa seria então a maneira correta de pregar um texto bíblico do VT: progressivamente (redentivamente), os fatos são narrados tanto no VT como no NT, na forma de sermão, para apontar e proclamar para a vinda de Cristo, de como os textos apontam para Ele.
Postado em 14/01/2010 às 10:52:53
 
Eduardo | N - RN #7
7. Último ponto. Se se usar a bíblia, penso eu, para fazermos aplicações de cunho moral, nada impede que outros a usem ao seu bel prazer. E mais, é exatamente esse tipo de abordagem hermenêutica hoje que permite as igrejas que eu chamo aqui no nordeste de 'cordel', e qualquer outro (sobretudo Silas Malafaia et caterva como RR Soares e a Universal) de fazer do texto bíblico verdadeiros canais de conveniência teológica, apologética moral e política. Afinal, o que é realmente único ('unique' do inglês) com respeito ao texto tido como bíblico? Essa é a questão de fundo crucial.
Postado em 14/01/2010 às 10:54:53
 
Rev. Fabio Pereira De Aguiar | São Paulo - SP #8
Não há inocentes. Todos pecaram e carecem da glória de Deus. Essa realidade, naturalmente não impede que sob a graça de Deus, sejamos usados para interpretar e aplicar o texto bíblico, seguindo as boas regras das ciências da interpretação igaulamente sob, desta vez, o poder do Espírito Santo.

Vejo o prezado amigo muito ácido em seus comentários, mas o respeito e desejo que continue nos brindando com seus apontamentos.

Que Deus não nos deixe cair em tentação e nos livre do mal, seja ele qual for. Amém
Postado em 15/01/2010 às 16:14:00
 
Eduardo | N - RN #9
Se não há inocentes, o autor do artigo errou.

ACIDEZ (lógica) aqui, FLACIDEZ lógica de lá.
Postado em 17/01/2010 às 07:14:49
 
Veralucia Erbes De Souza | Curitiba - PR #10
É revoltante a maneira como o autor da matéria conduziu o texto, bem como sua posição a respeito do assunto.
Postado em 21/01/2010 às 17:17:33
 
Eduardo Leal | São Gonçalo - RJ #11
Graga e paz!
Não importa quem abre a porta, se o homem ou a mulher.
Vemos homens que deixam de lado sua esposa, esquecendo-se que ela necessita de atenção, carinho ... Ou esposas que esquecem que seus maridos querem atenção, sexo (usando o sexo como premio ou castigo).
Estas são algumas portas que são abertas.
O que importa é que não devemos abrir portas (homem ou mulher) de forma alguma.
Temos que ter a consciência de que somos um no casamento. E procurarmos sempre a felicidade do outro dentro da vontade de Deus.
Postado em 23/02/2010 às 13:46:52
 
Guinter Butzke | Rio De Janeiro - RJ #12
Bom irmãos!!! Parabéns por vcs estarem lendo um bom conteúdo na internet, mas creio que a intenção do autor do artigo foi das melhores. Ele enfatiza que a manutenção do amor no casamento é responsabilidade dos dois. e que quando acontece algo de errado a culpa é de ambos. Um grande abraço e fiquem na Paz de Cristo!!!
Postado em 25/02/2010 às 22:29:50
 
Paulo Cesar Borges De Lima | Nova Iguaçu - RJ #13
Graça e paz, meus amados, o adultério é uma das armadilhas que o diabo tem usado para interferir no plano da salvação de muitas pessoas, tentando por o casal em confronto um com o outro impedindo o verdadeiro plano de Deus para o casal que é "somos um só corpo juntos em Cristo Jesus". Que a paz de Cristo esteja com todos, amem.
Postado em 20/03/2010 às 00:59:33
 
 
 
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